— A CSN deu um passo importante para reorganizar sua estrutura de capital ao anunciar um empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão, com possibilidade de ampliação para US$ 1,4 bilhão, junto a um sindicato de bancos de primeira linha. A operação, com prazo de cinco anos e custo de SOFR + 6% ao ano, reforça a liquidez da companhia e cria uma ponte relevante para o refinanciamento de passivos, enquanto a empresa avança em seu plano de desalavancagem.
Esse movimento ganha ainda mais peso quando se observa o ponto de partida. A CSN encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 41,2 bilhões e alavancagem de 3,47x o Ebitda, acima do patamar perseguido pela administração. Além disso, o ambiente de juros elevados e os efeitos da variação cambial sobre a dívida externa pressionaram fortemente o resultado financeiro, que ficou negativo em R$ 6,5 bilhões no ano, levando a companhia a registrar prejuízo líquido de R$ 1,5 bilhão.
No curto e médio prazo, o perfil de vencimentos segue exigindo atenção. A companhia concentra aproximadamente R$ 10,5 bilhões em amortizações ao longo de 2026 e outros R$ 7,8 bilhões em 2027, o que mantém o tema do refinanciamento no centro da tese. Nesse contexto, o empréstimo ponte (bridge loan) anunciado agora não resolve sozinho a desalavancagem, mas melhora de forma relevante a gestão do passivo e reduz a pressão imediata sobre o balanço.
Mais do que uma solução definitiva, a operação representa um voto de confiança importante na capacidade de execução da companhia. O próximo grande catalisador está no plano de desinvestimentos anunciado pela CSN, que prevê levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões com a venda de participações em ativos como CSN Cimentos e CSN Infraestrutura. É justamente essa agenda que pode permitir uma redução mais estrutural da alavancagem ao longo de 2026.
Em outras palavras, a CSN já começou a montar a ponte financeira de que precisava. Agora, o mercado deve acompanhar de perto a velocidade e a eficiência na execução dos desinvestimentos, que serão determinantes para que a companhia consiga transformar o alívio de curto prazo em uma trajetória mais consistente de reequilíbrio financeiro — analisa Rafael Bellas, head de Alocação da InvestSmart XP.