Com faturamento de R$ 2,85 bilhões em 2025, empresa alcança 21,3% do mercado nacional e concentra 57% do segmento de asfalto com borracha reciclada.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gas Natural e Biocombustíveis (ANP) colocam a paranaense Greca Asfaltos como líder do segmento pelo sexto ano consecutivo, aumentando para 21,3% sua participação na indústria de fornecimento de ligante asfáltico no país em 2025. Traduzindo os números para a realidade de quem circula pelas rodovias brasileiras, a Greca Asfaltos contabilizou o fornecimento de matéria-prima suficiente para cerca de dez mil quilômetros de asfalto em diversas regiões brasileiras.
Os ligantes asfálticos da companhia estão presentes em importantes rodovias brasileiras, como o trecho Norte do Rodoanel e a Rodovia Raposo Tavares, em São Paulo; as estradas concessionadas da PRVias, no Paraná; as BR-163 e BR-364, em Mato Grosso e a BR 470 e na ampliação da SC-401, em Santa Catarina. A empresa opera oito fábricas e nove centros de distribuição em diferentes regiões do país.
—Atendemos hoje tanto órgãos públicos quanto concessionárias e empresas privadas, com um portfólio que vai além do fornecimento de insumos e inclui suporte técnico e desenvolvimento de soluções para diferentes tipos de obra. O asfalto acompanha a evolução do mercado e da sociedade. Investimentos em tecnologia e pesquisa são constantes para que o material se torne sustentável, durável e diminua a emissão de poluentes. Para se ter uma ideia, aportamos no ano passado R$ 10 milhões em pesquisa e desenvolvimento —afirma o CEO da Greca Asfalto, Edenilson Dalbosco.
Reciclando pneus e estradas — O carro-chefe da empresa é o asfalto modificado com pó de borracha de pneus inservíveis, que seriam descartados. A tecnologia foi implementada pela Greca no Brasil há mais de duas décadas e o produto batizado como Ecoflex. A empresa contabiliza mais de 28 milhões de pneus reciclados e transformados em pavimentos desde o início da fabricação. A quantidade aproximada de pneus reciclados pelo Ecoflex da Greca nos últimos cinco anos corresponde ao carbono retido por uma floresta de dez milhões metros quadrados ou mil campos de futebol.

Os revestimentos que utilizam ligantes modificados apresentam maior durabilidade e uma melhor resposta a variações climáticas, característica que tem ganhado relevância em licitações e projetos de longa vida útil, por estar alinhada a metas de sustentabilidade assumidas por governos e grandes contratantes. Um levantamento conduzido pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Pavimentação e Segurança Viária (GPPASV), da Universidade Federal de Santa Maria, indicou que esse tipo de asfalto emite menos gases causadores do efeito estufa e apresenta um melhor custo-benefício para as vias brasileiras.
As tecnologias da Greca também habilitam a reciclagem asfáltica, em parceria com empresas de engenharia e pavimentação. O asfalto antigo, fresado, resultante do corte, desbaste ou raspagem de camadas de pavimentos deteriorados, é utilizado na recomposição de um novo pavimento, reduzindo o descarte de material, a necessidade de transporte para bota-foras, emissões e impactos ambientais.
Desafio do mercado asfáltico no Brasil—A reciclagem e o avanço contínuo no desenvolvimento de ligantes altamente modificados é parte de uma estratégia mais ampla da GRECA para garantir a competitividade e a preferência do asfalto na pavimentação de rodovias do país. “O asfalto com borracha ou reciclagem asfáltica apresenta um melhor custo por ciclo de vida, manutenção mais simples e redução significativa nas emissões de CO₂ em comparação com outros materiais”, afirma Dalbosco.
A falta de planejamento em longo prazo em infraestrutura também é um desafio persistente desse mercado. Os ciclos eleitorais determinam picos e quedas de grandes obras e, mesmo com o avanço das concessões rodoviárias, o ente público ainda é o principal propulsor do setor: quando não há investimento, o mercado despenca.
Com apenas 12,4% da sua malha rodoviária pavimentada, segundo dados do Relatório de Avaliação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), de 2021, o Brasil tem uma necessidade represada de ampliar a ligação em diversas regiões como, por exemplo, o gargalo da BR-101, em direção a Santa Catarina, que em períodos de fluxo intenso, são necessárias 12 horas para percorrer um trecho de 400 quilômetros entre as capitais paranaense e catarinense. —O Brasil ainda precisa de muitos investimentos em novas vias. O país avançou em modelos de concessão e esse caminho é positivo. Mesmo assim, apenas as concessões podem não serão suficientes para atender a demanda total reprimida por infraestrutura— conclui o CEO.