— De acordo com o último relatório da Moody’s Local Brasil, o fechamento de 2025 confirma a continuidade de um movimento já observado em 2024, ainda que em menor magnitude: as saídas dos fundos multimercados (R$ 59 bilhões) permanecem relevantes, embora menos intensas do que as observadas no ano anterior, enquanto as saídas dos fundos de ações (R$ 54 bilhões) aumentaram de forma significativa. Em contrapartida, os fundos de renda fixa e os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (“FIDCs”) seguem como polos de atração, com captação líquida de R$ 84 bilhões e R$ 58 bilhões, respectivamente.
O fluxo deve seguir condicionado ao nível de juros. Caso o cenário macroeconômico apresente reversão consistente na trajetória da curva de juros, é possível que observemos uma inflexão gradual nesse comportamento, com reentrada em classes de maior risco, especialmente multimercados e ações. Contudo, enquanto a taxa básica permanecer elevada, o desenho dominante de entrada em renda fixa e saída de risco deve continuar prevalecendo.
Mercado de crédito local segue crescendo em 2025, acompanhado de expressivas captações externas — O volume de emissões em 2025 apresentou ligeiro avanço em relação a 2024, refletindo a resiliência do mercado local de renda fixa: as captações somaram R$ 738 bilhões, superando os R$ 713 bilhões do ano anterior e estabelecendo um novo recorde histórico. A distribuição entre instrumentos permaneceu bastante similar ao observado em anos anteriores, indicando ausência de mudanças estruturais no perfil de financiamento: debêntures (67%), notas comerciais (7%), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (“CRA”; 6%), Certificado de Recebíveis Imobiliários (“CRI”; 7%) e FIDCs (12%).
O mercado externo também registrou forte recuperação, com crescimento de 58% nas captações: as emissões via bonds alcançaram US$ 20,9 bilhões (desconsiderando as captações do soberano), maior volume desde 2021. Apesar da expansão, a representatividade ficou em 14% do total captado, abaixo dos 29% observados entre 2019 e 2021. Esse menor peso relativo reflete, sobretudo, o fortalecimento do mercado doméstico, que vem oferecendo profundidade, liquidez e prazos cada vez mais longos. Ainda assim, o dado mostra uma recomposição gradual da janela internacional, superando a média recente de 9% entre 2022 e 2024.
Transição tributária e ano eleitoral influenciam no movimento de emissões — Debêntures voltadas para infraestrutura e pagamento de dívidas ganharam representatividade em 2025. Ao longo do ano, essas emissões representaram cerca de 34% e 26% do total emitido, respectivamente. Como antecipado no último boletim da Moody’s Local Brasil, parte desse movimento está relacionada à MP nº 1.303/2025, que alterou a tributação dos ativos incentivados a partir de 2026, fazendo com que emissores antecipassem suas operações para garantir os benefícios do regime anterior. Como consequência, a representatividade do IPCA como indexador também aumentou, característica típica das estruturas de financiamento voltadas a projetos de infraestrutura e a prazos mais longos.
Adicionalmente, o ano eleitoral de 2026, aliado a um mercado de crédito mais receptivo e com melhores condições de precificação, estimulou emissores a antecipar iniciativas de gestão de passivos, priorizando alongamento de prazos e otimização de estrutura de capital.
Forte liquidez no mercado deve favorecer emissões no primeiro semestre — O volume de emissões corporativas manteve-se elevado em 2025, embora abaixo do patamar excepcional registrado em 2024: as captações somaram R$ 246 bilhões, nível ainda robusto quando comparado à média histórica, mas inferior aos R$ 272 bilhões observados no ano anterior. Ao longo do período, os emissores continuaram a alongar seus passivos, aproveitando o fechamento de spreads e o menor custo de captação. Apesar de uma desaceleração inicial nos primeiros meses do ano, houve uma retomada significativa entre maio e junho, além de nova aceleração após setembro.
O mercado de crédito local iniciou o ano com forte liquidez: a liberação de aproximadamente R$ 40 bilhões pelo Fundo Garantidor de Créditos (“FGC”) criou uma janela particularmente favorável para captações no início do ano. Nesse contexto, espera-se que o primeiro semestre concentre grande parte das emissões, sustentado pelo excesso de liquidez e pela demanda sólida dos investidores. Ainda assim, a Moody’s Local Braisl destaca que a principal força moderadora deve ser o afrouxamento monetário, que tende a reduzir a atratividade relativa da renda fixa e pressionar spreads ao longo do ano. O calendário eleitoral pode trazer algum grau de volatilidade, embora com impacto menor em comparação a ciclos anteriores, dado o maior tamanho e maturidade do mercado local, que hoje apresenta maior resiliência a ruídos externos—.