— A decisão do Banco Central de manter a Selic em 15% foi amplamente esperada, mas a comunicação se alterou muito pouco em relação à última reunião. Basicamente, a única mudança que chama mais a atenção é a redução da projeção de inflação do Banco Central para o final do horizonte relevante, que é o segundo tri de 27, de 3,3 para 3,2. Fora isso, todo o restante do comunicado é praticamente idêntico à comunicação da reunião passada. Isso mostra que o Banco Central tem uma baixa convicção sobre o início de corte de juros em janeiro. A falta de sinalização agora não é um impeditivo, como ressaltado pelo presidente do Banco Central mas um limitador extremo para uma mudança da decisão em janeiro. Na nossa visão, se o Banco Central tivesse uma convicção maior nesse momento sobre um corte de juros já no próximo mês, várias mudanças poderiam ter sido feitas nessa comunicação. Continuamos vendo janeiro como um mês mais improvável, mantendo o cenário-base de corte de juros se iniciando em março. O Banco Central parece querer ganhar mais tempo para acumular mais dados sobre inflação, expectativas e evolução da atividade econômica antes de iniciar o próximo ciclo. Nossa expectativa segue de 12% de Selic ao final do ano que vem— afirma Carlos Lopes, economista do banco BV.