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10/12/2025

Gargalos na cadeia de suprimentos aeroespacial continuam a limitar as companhias aéreas, diz Iata

Genebra — A Associação de Transporte Aéreo Internacional (Iata) atualizou sua análise sobre os gargalos na cadeia de suprimentos aeroespacial, destacando que a disponibilidade de aeronaves continua sendo uma das restrições mais significativas para o crescimento do setor, conforme apontado em seu recém-divulgado panorama global.

Embora as entregas de novas aeronaves tenham começado a ganhar ritmo no fim de 2025 e a produção deva acelerar em 2026, a demanda deve superar a disponibilidade de aeronaves e motores. A normalização do descompasso estrutural entre as necessidades das companhias aéreas e a capacidade de produção é improvável antes de 2031— 2034, em razão das perdas irreversíveis nas entregas ao longo dos últimos cinco anos e de um nível recorde da carteira de encomendas.

Entre os pontos de destaque da situação atual estão: As lacunas nas entregas somam agora pelo menos 5.300 aeronaves.

A carteira de pedidos ultrapassou 17 mil aeronaves, número equivalente a quase 60% da frota ativa. Historicamente, essa proporção se mantinha estável em torno de 30% a 40%. Esse volume de pedidos equivale a quase 12 anos da capacidade atual de produção.

A idade média da frota aumentou para 15,1 anos (12,8 anos para a frota de passageiros, 19,6 anos para aeronaves cargueiras e 14,5 anos para a frota de wide-bodies).

As aeronaves fora de serviço (por todos os motivos) superam cinco mil unidades, um dos níveis mais altos da história, apesar da severa escassez de aeronaves novas.

—As companhias aéreas estão sentindo o impacto dos desafios da cadeia de suprimentos aeroespacial em todo o seu negócio. Custos mais elevados de leasing, menor flexibilidade de malha, atrasos nos ganhos de sustentabilidade e maior dependência de tipos de aeronaves menos eficientes são os desafios mais evidentes. As empresas aéreas estão perdendo oportunidades de fortalecer suas receitas, melhorar seu desempenho ambiental e atender melhor os clientes. Enquanto isso, os viajantes enfrentam custos mais altos em função do aperto nas condições de oferta e demanda. Não devemos poupar esforços para acelerar soluções antes que o impacto se torne ainda mais grave — afirmou Willie Walsh, diretor-geral da Iata.

À medida que os gargalos de produção persistem, novos desafios e impactos vêm à tona.: Os atrasos nas entregas são agravados por diversos fatores, incluindo: . A produção de fuselagens está superando a produção de motores (limitada por problemas nos motores existentes), resultando em aeronaves recém-concluídas estacionadas à espera de motores.

. Prazos mais longos para a certificação de novas aeronaves (de 12 — 24 meses para quatro ou até cinco anos) estão atrasando a entrada em produção e serviço, afetando especialmente a renovação de frotas de longo curso.

. Tarifas sobre metais e eletrônicos resultantes das tensões comerciais entre EUA e China pioraram alguns gargalos de suprimento e elevaram custos de manutenção.

. A escassez de mão de obra qualificada, especialmente na fabricação de motores e componentes, está limitando os planos de aumento de produção.

. A fragilidade da rede da cadeia de suprimentos aeroespacial (muitas vezes dependente de um número limitado de fornecedores para peças críticas) pode se tornar uma restrição aguda em meio à incerteza econômica, mudanças em regimes tarifários e mercados de trabalho apertados. Como resultado, até pequenas interrupções podem ser difíceis de resolver e se transformar em atrasos significativos de produção.

. As melhorias na eficiência de combustível estão desacelerando à medida que a frota envelhece. Historicamente, a eficiência melhorava 2,0% ao ano, mas caiu para 0,3% em 2025 e está projetada em 1,0% para 2026.

. A situação da frota de carga aérea também corre o risco de se agravar:

. Aeronaves convertidas da operação de passageiros estão em escassez, já que as companhias mantêm esses aviões em uso por mais tempo nas rotas de passageiros.

. Novos wide-bodies enfrentam atrasos de produção.

. Aeronaves cargueiras mais antigas, mantidas em operação por mais tempo para compensar a lenta renovação da frota, acabarão atingindo limites rígidos de vida útil.

Um estudo recente da Iata em conjunto com a Oliver Wyman estimou que o custo dos gargalos da cadeia de suprimentos para o setor aéreo superará US$ 11 bilhões em 2025, impulsionado por quatro fatores principais:

. Custos excessivos de combustível (cerca de US$ 4,2 bilhões): as companhias operam aeronaves mais antigas e menos eficientes em consumo de combustível devido aos atrasos na entrega de novos aviões.

. Custos adicionais de manutenção (US$ 3,1 bilhões): a frota global está envelhecendo, e aeronaves mais antigas exigem manutenção mais frequente e mais cara.

. Aumento dos custos de leasing de motores (US$ 2,6 bilhões): as companhias precisam alugar mais motores, já que eles permanecem mais tempo no solo durante a manutenção. As taxas de leasing de aeronaves também subiram de 20% a 30% desde 2019.

. Custos de manutenção de estoques excedentes (US$ 1,4 bilhão): as companhias estão estocando mais peças sobressalentes para mitigar interrupções imprevisíveis da cadeia de suprimentos, elevando os custos de inventário.

Para ajudar a acelerar soluções, o estudo apontou algumas considerações: . Ampliar as melhores práticas do pós-venda, apoiando a área de Manutenção, Reparo e Operações (MRO) para reduzir a dependência de modelos comerciais de licenciamento conduzidos pelos OEMs, além de facilitar o acesso a fontes alternativas de materiais e serviços.

. Melhorar a visibilidade da cadeia de suprimentos, criando maior transparência em todos os níveis de fornecedores para identificar riscos antecipadamente, reduzir gargalos e ineficiências e usar dados e ferramentas melhores para tornar toda a cadeia mais resiliente e confiável.

. Usar dados de forma mais ampla para aproveitar percepções de manutenção preditiva, compartilhamento de peças sobressalentes e criação de plataformas comuns de dados de manutenção, otimizando estoques e reduzindo o tempo de inatividade.

. Expandir a capacidade de reparos e peças para acelerar aprovações de consertos, apoiar peças alternativas e soluções de Material Usado em Condição de Serviço (USM), além de adotar manufatura avançada para aliviar gargalos.

A Iata (International Air Transport Association) representa cerca de 360 empresas aéreas, que compõem mais de 80% do tráfego aéreo global.