A analista de Macroeconomia do escritório InvestSmart, Sara Paixão comentou o resultado.
—O IPCA-15 de novembro avançou 0,20%, acima dos 0,18% esperados pelos especialistas. A abertura do dado mostra alguns fatores pontuais que influenciaram os preços em novembro. A maior variação e maior impacto positivo foi do grupo despesas pessoais, por conta do aumento no preço da hospedagem e do pacote turístico. Esses itens também foram influenciados pelo evento COP30, que aconteceu em Belém, cujo preço da hospedagem aumentou 155,24% no período. Também vimos uma maior pressão no preço das passagens aéreas, que é um componente mais volátil da inflação, com aumento de 11,87% no período foi o maior impacto individual no índice.
Apesar dos fatores pontuais, é importante ressaltar que a inflação de serviços, uma das maiores preocupações do Banco Central atualmente, continua pressionada. Os serviços intensivos em mão de obra, serviços que exigem maior quantidade de trabalho humano na produção, avançaram 0,62%, e apresentam uma variação em 12 meses de 6,76%. Já o índice de serviços avançou 0,48% e apresenta variação de 5,96% em 12 meses. Os demais indicadores, como o núcleo da inflação e a difusão foram melhores do que o esperado pelos economistas.
Sendo assim, o IPCA-15 de hoje reforça que o Banco Central ainda deve adotar uma postura mais dura na reunião de dezembro, com espaço para início de corte de juros apenas em 2026. Podemos ver ao longo do dia alguma abertura na curva de juros, porém sem alterar a dinâmica de médio prazo— conclui o comentário, Sara Paixão, analista de Macroeconomia da InvestSmart XP.