As próximas eleições no Chile, Peru, Colômbia e Brasil sinalizam mudanças políticas e das políticas públicas, dependendo de como elas afetam a regulamentação e os gastos públicos.
Apesar das condições estáveis para empresas não financeiras da América Latina em 2026, o crescimento econômico permanece moderado e a inflação, geralmente alta, de acordo com último relatório da Moody’s. Os riscos para o perfil de crédito dessas empresas refletirão em grande parte os quatro temas principais que prevemos para as condições de crédito em todo o mundo em 2026: polarização política, mudanças no cenário financeiro, disrupção digital e desastres naturais dispendiosos.
As condições regionais de crédito são resilientes, apesar dos principais riscos decorrentes de mudanças geopolíticas e comerciais, bem como da polarização política
As próximas eleições no Chile, Peru, Colômbia e Brasil sinalizam mudanças políticas e das políticas públicas, dependendo de como elas afetam a regulamentação e os gastos públicos. No México, os investidores aguardam a revisão de 2026 do Acordo EUA-México-Canadá (USMCA, em inglês). As expectativas de controles de capital mais leves e o aumento da desregulamentação estão elevando a confiança dos investidores e o acesso ao mercado de dívida corporativa na Argentina.
O cenário financeiro da América Latina continuará a mudar à medida que os bancos centrais ajustam as políticas monetárias e os países buscam novos destinos comerciais
A inflação persistente em toda a região limitará a capacidade dos bancos centrais para estimular ainda mais a demanda. Os desafios fiscais e o estresse inflacionário limitam as opções dos bancos centrais para flexibilizar a política monetária em toda a região. As tensões comerciais obscurecem a visão geral da Moody’s sobre as condições regionais de crédito.
A inflação alta contribuirá para uma redução dos gastos do consumidor no México, Brasil e Colômbia em 2026, após um período robusto até meados de 2025. As métricas de lucro e crédito de empresas relacionadas ao consumo mostrarão sinais de pressão em 2026 em razão das tensões comerciais e perda de ímpeto. A desaceleração será particularmente pronunciada no México, cujos laços econômicos fortes com os EUA deixam o país exposto a novas tarifas e grandes mudanças no acordo USMCA.
A disrupção digital terá efeitos cada vez maiores nas empresas e setores não financeiros da região — Embora a disrupção digital represente um risco menor para os setores de varejo e shopping centers na América Latina do que em mercados mais desenvolvidos, o comportamento dos consumidores está evoluindo em direção a interações digitais e operações on-line . A corrida por soluções de inteligência artificial (IA) está estimulando um novo interesse na construção de data centers na América Latina, beneficiando seus desenvolvedores e oferecendo ganhos econômicos aos governos. No entanto, o ímpeto depende do apoio regulatório e da diferenciação competitiva.
Os setores corporativos na América Latina e na região sempre estarão vulneráveis a desastres naturais e outras formas de risco ambiental
Embora o impacto direto dos desastres naturais nem sempre seja imediato, esses eventos podem causar danos físicos, interromper a produção, logística e transporte de empresas e trabalhadores de setores não financeiros e resultar em custos elevados de preparação e seguros.
O que poderia mudar a perspectiva — Os principais fatores para uma perspectiva negativa para as empresas não financeiras latino-americanas incluiriam aumento da inflação, uma reversão dos cortes das taxas de juros e o acesso limitado a financiamento de longo prazo. Uma perspectiva positiva refletiria uma desaceleração da inflação, redução das taxas de juros, crescimento econômico mais rápido e fortalecimento da receita.