Crescimento de 22% no período. Auren conclui integração com AES Brasil e acumula sinergias de R$ 212 milhões. Em outubro, companhia obteve o direito à indenização de Investimentos Prudentes em usinas da CESP; valor é de R$ 498,8 milhões, antes da atualização monetária.
A Auren Energia (B3: AURE3), uma das maiores plataformas de geração renovável e comercialização de energia no país, alcançou um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, sigla em inglês)ajustado de R$ 3 bilhões nos últimos nove meses, um crescimento de 22,3% sobre o mesmo período de 2024. O Ebitda dos últimos doze meses alcançou R$ 3,8 bilhões de reais, numa demonstração da mudança no patamar dos resultados da companhia após a aquisição da AES Brasil. A receita líquida no acumulado do ano atingiu R$ 9,4 bilhões, alta de 22,5% sobre o intervalo de janeiro a setembro de 2024.
O terceiro trimestre da Auren foi marcado pela conclusão, em tempo recorde, do processo de integração com a AES Brasil. O valor das sinergias já totaliza R$ 212,1 milhões desde a conclusão da transação em 01 de novembro de 2024. No período, os ganhos em PMSO (Pessoas, Materiais, Serviços e Outros) atingiram o patamar de R$ 58,1 milhões, em linha com os R$ 250 milhões anuais já anunciados ao mercado. Outro destaque foi a melhora na performance dos ativos eólicos incorporados após a transação. A disponibilidade média dos parques incorporados foi de 93,3% em linha com a meta de atingir 95% até o final de 2025.
Nesse intervalo, o setor elétrico brasileiro apresentou desafios que impactaram todo o mercado, em especial os ativos de geração eólica e solar centralizados, e levaram a produção total a atingir um valor 1,3% inferior ao mesmo período de 2024 totalizando 3,3 GW médios. Essa queda é um reflexo do curtailment de 20,7% para fonte eólica e 33,1% para fonte solar, aliada ao ajuste do Mecanismo de Realocação de Energia (GSF) de 65%. A geração eólica potencial da Auren, desconsiderando o curtailment, correspondeu a 107,4% do percentil 90 (P90) da certificação de geração dos projetos e 98,3% do P50. O cenário complexo do setor no trimestre reforçou, mais uma vez, as vantagens do portfólio diversificado da Auren. Entre julho e setembro, a composição do portfólio possibilitou a captura de ganhos de modulação da produção de energia ao longo dos dias versus o perfil do preço spot no valor de R$ 66 milhões. Esses ganhos compensaram parte dos efeitos do curtailment no exercício. No consolidado do trimestre, o Ebitda ajustado totalizou R$ 772,7 milhões, recuo de 10,4% em relação a igual período do ano anterior, refletindo o cenário setorial descrito acima. A Auren encerrou esse intervalo com alavancagem de 4,9x dívida líquida/Ebitda ajustado, em linha com o previsto no cronograma de desalavancagem divulgado ao mercado.
Os últimos meses têm sido marcados por mudanças regulatórias relevantes para o setor elétrico, sobretudo os desdobramentos da aprovação ao texto da Medida Provisória nº 1304/2025 (MP 1304), aprovada em 30 de outubro e que traz alterações relevantes para o mercado e, consequentemente, para a Auren.
A MP prevê, entre outros temas, reembolso dos cortes de geração (curtailment) relacionados ao risco para a confiabilidade da operação do Sistema Interligado Nacional a partir de setembro de 2023, e determina ao MME que estabeleça o conceito de cortes devido à sobreoferta de energia renovável, que pode endereçar parte do curtailment energético – para a Auren, os cortes por confiabilidade representaram 50% do impacto sentido até hoje. O texto também estabelece os princípios para a possível renovação de concessões das usinas hidrelétricas. A Medida Provisória ainda depende de sanção presidencial, e a companhia estuda os impactos de sua aplicação.
—Os resultados deste trimestre refletem a consistência da nossa estratégia e o amadurecimento da companhia após a integração com a AES Brasil. A Auren segue em evolução, apresentando resultados consistentes associados a performance operacional e preparada para enfrentar os desafios do setor, mantendo o foco na geração de valor sustentável com disciplina, inovação e visão de longo prazo. Sob o aspecto do tratamento dos cortes de geração, é fundamental que o setor avance em uma solução estruturada com foco no equilíbrio e na sustentabilidade do segmento de energia renovável, e seguimos contribuindo para essa evolução por meio de discussões qualificadas— diz Fabio Zanfelice, CEO da Auren Energia.
Também em outubro foi aprovada em reunião de Diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a indenização dos investimentos prudentes realizados pela CESP ao longo das concessões das usinas Jupiá, Ilha Solteira, Jaguari e Paraibuna, no valor de R$ 498,8 milhões na data base do término dos contratos de concessão. O fator de correção monetária, cronograma e a forma de pagamento serão posteriormente definidos pelo Ministério de Minas e Energia.
A Auren continua com uma visão construtiva em relação aos preços de energia de longo prazo, acreditando que eles devem convergir para o custo marginal de expansão com a diminuição da sobreoferta. —Finalizamos o processo de integração com a AES com resultados sólidos, entregando mais que o dobro das sinergias de custo que havíamos anunciado no momento da aquisição e concluindo o liability management com um custo de dívida extremamente competitivo. Seguimos confiantes com o processo de desalavancagem ao longo dos próximos anos e com as perspectivas de geração de valor para os nossos acionistas de forma sustentável”, diz Mateus Ferreira, Vice-Presidente Financeiro e de Relação com Investidores da Auren Energia.