Comemorado no dia 12 de outubro, o Dia das Crianças é uma data em sua homenagem que reforça a importância da garantia de seus direitos e nos convida a ampliar seus conhecimentos de forma lúdica e divertida.
A semana do recesso escolar e especialmente o dia das crianças pode ser uma oportunidade de viver experiências incríveis que vão fortalecer os vínculos, ampliar conhecimentos e exercitar a criatividade. É preciso olhar para além dos brinquedos e tecnologias e se perguntar: Qual o verdadeiro presente que a infância pode oferecer?
A natureza, em sua simplicidade exuberante, oferece inúmeras possibilidades onde a criatividade é o brinquedo mais valioso. Uma folha seca pode ser um barco em um rio cavado com as mãos, pequenos frutos incorporam animais de uma fazenda, galhos, pedras, terra, sementes, tudo pode compor o cenário enriquecendo o imaginário. Para quem mora no interior esse contato com a natureza é fácil e acessível, mas e para quem mora em grandes centros e que vem desenvolvendo o transtorno do “Deficit de Natureza”*?
É preciso lembrar que a natureza está em toda parte, é o ar que respiramos, a água, o céu, as estrelas, a terra abaixo do concreto. O contato com a natureza é fundamental para a saúde mental e para nos lembrar de quem somos. Passeios ao ar livre em parques, jardins, zoológicos, planetários… podem ser uma boa opção para restabelecer esse contato.
Além disso, a infância é um terreno fértil para o despertar da sensibilidade artística e cultural. Visitas a museus para contemplar obras que contam histórias de outros tempos e mundos distantes. Visitas a galerias de arte ou monumentos podem abrir suas mentes para a infinita manifestação de sentimentos e expressões humanas. Diante de uma escultura, uma criança pode descobrir que a beleza pode ser tocada; diante de uma pintura, ela pode perceber que as cores e as formas falam.
É importante explorar outras culturas, mostrando que o mundo é diverso, muito maior que a bolha em que muitas vezes vivem. Visitar feiras culturais, ouvir músicas de outros países, provar comidas diferentes — tudo isso são experiências que ampliam a visão de mundo de uma criança, ensinando-lhe que há mais de uma forma de viver, de se divertir e de ser feliz. O contato com outras culturas é uma viagem sem sair do lugar, assim como a literatura, com histórias que podem ser lidas ou contadas de uma forma mais dinâmica pelos pais. Um livro, para uma criança, é um portal para outros mundos, onde os animais falam, reis, rainhas, dragões e fadas atravessam as páginas. Ouvir e contar histórias é uma forma antiga de diversão que transcende gerações e culturas.
Assistir a um filme ou ir a uma peça infantil pode ser uma opção cultural divertida e enriquecedora. Brincar de teatro livre, dançar ao som de uma música inventada, pintar o cenário com os dedos, são exercícios de expressividade, cultura, criatividade e socialização que desenvolvem a imaginação e auxiliam na expressão de sentimentos por meio da expressão corporal.
A arte é a melhor forma de expressão do inconsciente. Possibilitar o acesso a materiais e técnicas expressivas é dar a criança o poder de criar universos inteiros e de trazer seus sentimentos contidos pra fora, para que possam ser processados e compreendidos.
Neste encontro entre o lúdico e o artístico, a criança se vê integrada ao todo, reconhecendo sua própria essência e as infinitas possibilidades de ser.
Diante de tantas possibilidades, no Dia das Crianças, podemos permitir que a imaginação seja o maior presente. Não se trata de negar a tecnologia e os brinquedos, mas de lembrar que a essência da infância está na liberdade de criar, imaginar e transformar o cotidiano em algo extraordinário.
No dia 12 de outubro que cada um possa acordar sua criança interior, brincar e ser feliz!
• Por: Zackia Daura, escritora, artista plástica e produtora cultural. | O “Transtorno do Déficit de Natureza” se refere aos impactos negativos relacionados ao distanciamento das crianças da natureza e de oportunidades de brincar e aprender ao ar livre. O termo foi cunhado por Richard Louv, jornalista, especialista em advocacy pela infância, cofundador do Children & Nature Network e autor do livro A Última Criança na Natureza.