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Em 2006 a China registrou cerca de 10,7%, o maior crescimento anual do PIB em onze anos


Embora seja possível notar redução de alguns indicadores, o resultado reafirma a pouca eficácia das medidas administrativas e ajustes macroeconômicos adotados ao longo do ano, com o objetivo de frear o desempenho econômico do país. A elevação da taxa de depósito compulsório em 0,5 ponto percentual, realizada em novembro, foi o último recurso utilizado em 2006 e o terceiro aumento nos compulsórios em seis meses. O Banco do Povo da China, banco central do país, anunciou nova elevação no mesmo montante e estabeleceu a taxa de compulsórios em 9,5%, já na primeira semana de 2007.

O desempenho da economia chinesa reflete seus dois principais motores: comércio internacional e investimentos. As políticas contracionistas adotadas pelo governo no segundo semestre tornaram ainda maior a participação das exportações na renda do país. Mesmo com ligeira valorização do yuan, as exportações líquidas chinesas responderam por 24,2% do PIB em 2006. No mesmo período, o volume total exportado foi de US$ 969 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 791,5 bilhões. O superávit comercial – de US$ 177,5 bilhões – foi 74% superior ao registrado em 2005.

Embora a balança comercial tenha sido favorável aos chineses, as trocas comerciais registraram leve desaceleração em dezembro. No caso das importações, este fato pode ser atribuído ao efeito das políticas contracionistas sobre a demanda interna. Em relação às exportações, especula-se que esta redução de ritmo esteja vinculada à desaceleração da demanda norte-americana no último mês de 2006. Não obstante, entre janeiro e novembro, os Estados Unidos acumularam déficit comercial recorde com a China de US$ 213,5 bilhões, pouco mais do que 25% do déficit total do país.

O desempenho sem precedentes da balança comercial chinesa permanece como maior responsável pelo acúmulo de reservas em moeda estrangeira do país, e reforça a pressão pela valorização do yuan por parte de seus parceiros comerciais. Em outubro, o volume de reservas ultrapassou US$ 1 trilhão. Espera- se que parte cada vez maior desses recursos seja aplicada em outros ativos que não títulos do tesouro americano.

Além de tensão comercial, o câmbio depreciado impõe dificuldades ao controle da liquidez da economia e da taxa de juros. A política monetária pode ainda ser influenciada pela meta fixada em 16% para o crescimento da oferta de moeda (M2) em 2007. Na comparação anual, o crescimento de M2 passou de 16,8% em novembro para 16,9% em dezembro, apesar de grande absorção de recursos pelos mercados de ações chineses nos últimos meses de 2006. Não há, entretanto, meta limite para o aumento de empréstimos, o que para alguns analistas seria considerado inapropriado, devido às rápidas mudanças estruturais e acelerada abertura da economia chinesa.

O segundo motor do desempenho econômico, investimentos, registrou desaceleração de seu crescimento ao fim de 2006, o que pode ser efeito, mesmo que limitado, das políticas monetárias e administrativas implementadas no segundo semestre. Em dezembro, a formação bruta de capital fixo registrou o resultado mensal mais modesto do ano, com crescimento de apenas 13,8% em relação ao mesmo mês de 2005. No acumulado do ano, a formação bruta de capital fixo cresceu 24%, cerca de 3 pontos percentuais a menos do que o observado em 2005. Já os investimentos estrangeiros diretos na China apresentaram aumento de 4,4% em relação ao ano anterior e totalizaram US$ 63 bilhões.

A produção industrial registrou novamente desaceleração no quarto trimestre. Em dezembro, o crescimento foi de 14,7% em relação ao mesmo mês de 2005. Além do efeito das políticas de contenção de superaquecimento econômico, a redução do ritmo de expansão da indústria alerta para a possibilidade de alguns setores terem atingido excesso de capacidade, afirma o Citigroup. Já o crescimento das vendas no varejo manteve-se firme e praticamente homogêneo durante todo o ano, exceto pela variação ocorrida em fevereiro, reflexo do ano novo chinês.

O índice de preços ao produtor não apresentou mudanças significativas e manteve-se, em dezembro, próximo à variação média anual de 3,1%. Já o índice de preços ao consumidor de dezembro foi o maior desde fevereiro de 2005, 2,8% anualizado. A alta foi impulsionada, sobretudo, pelo aumento dos preços de alimentos, em especial de grãos. Apesar do crescimento, o indicador permaneceu no limite anual de 3,0% estabelecido pelo governo e a inflação anual registrada foi de 1,5%, 0,3 ponto percentual inferior a de 2005.

Comércio bilateral - O balanço do comércio bilateral Brasil-China em 2006 registrou significativa redução do superávit brasileiro, devido ao aumento expressivo das importações de origem chinesa e manutenção do ritmo de crescimento das vendas brasileiras. Novembro e dezembro destacam-se como os únicos meses de 2006 em que as exportações brasileiras sofreram redução, de 8% e 22%, respectivamente. Já o volume anual exportado pelo Brasil em 2006 excedeu em 22,9% o montante de 2005, resultado 2,7 pontos percentuais inferior ao crescimento verificado entre 2004 e 2005. É possível projetar para 2007 déficit comercial do Brasil com a China.

Exportação do Brasil para a China - Entre os produtos brasileiros exportados para a China em 2006, a venda de carnes e laticínios registrou a maior queda, de 75,5%, seguida de fumo, produtos semimanufaturados de ferro e aço, minérios (como manganês, cobre e nióbio) e óleo de soja. As exportações de granito cortado e bruto, couros e peles, e petróleo e derivados, por sua vez, apresentaram maiores altas dentre os principais produtos da pauta, e aumentaram suas vendas em 54,4%, 52,7% e 49,8%, respectivamente, em relação ao total de 2005.

Principais produtos ou famílias de produtos exportdos de janeiro a dezembro de 2006

Carnes e laticínios; Soja em grão; Óleo de soja; Fumo; Granito cortado e bruto; Minério de ferro; Outros minérios (manganês, cobre, nióbio etc.); Petróleo e derivados; Produtos químicos orgânicos e inorgânicos; Couros e peles; Pastas de madeira, papel e celulose; Produtos semimanufaturados de ferro e aço; Máquinas, ferramentas e aparelhos mecânicos; Máquinas, ferramentas e aparelhos elétricos; Partes e componentes para veículos e tratores; Produtos ou famílias de produtos.

A exportação de carnes brasileiras para a China, a habilitação de novos frigoríficos após o surto de febre aftosa evolui, porém ainda há demora na troca de informações entre os governos brasileiro e chinês sobre o setor.Enquanto as barreiras não são rompidas, aumenta o ingresso de carnes brasileiras em Hong Kong.

Exportações brasileiras de carnes para a China – De 2000 a 2006: Carnes de animais da espécie bovina, frescas ou refrigeradas; Carnes de animais da espécie bovina, congeladas Carnes de animais de espécie suína, frescas, refrigeradas ou congeladas; Miudezas comestíveis de animais bovinos, suínos, ovinos, caprinos, asininos, muares, cavalares, frescas congeladas ou refrigeradas; Carnes e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas de aves.

Em 2006, as exportações de produtos básicos brasileiros para a China cresceram 32,9% em relação ao ano anterior, resultado inferior aos 44,6% registrados em 2005. Já os produtos manufaturados tiveram queda de 23% nas suas vendas ao país asiático. Em 2006, 74,3% das exportações brasileiras à China foram de produtos básicos, notadamente grãos de soja e minério de ferro, com participações de 28,9% e 25,5% na pauta exportadora, respectivamente.

Exportação brasileira para a China por valor agregado

Quanto aos principais produtos importados da China, coques e hulha sofreram queda. O restante dos produtos registrou aumento, destacando-se o crescimento das importações de fornos e aquecedores elétricos, com aumento de 135% em relação a 2005. Outros produtos cujas importações cresceram significativamente foram eletrodomésticos, máquinas e equipamentos para a construção civil e para a indústria metalúrgica.

Importações brasileiras para a China (Principais produtos ou famílias de produtos Janeiro a dezembro de 2006): Coques e hulha; Produtos químicos orgânicos e inorgânicos; Têxteis e vestuário; Calçados; Máquinas e aparelhos mecânicos e suas partes; Bombas, válvulas e aparelhos de uso doméstico; (refrigeradores, fornos e máquinas de lavar); Máquinas e equipamentos para construção civil; Máquinas e aparelhos da indústria têxtil; Máquinas e aparelhos da indústria metalúrgica; Máquinas de processamento de dados. Outras máquinas; Máquinas e aparelhos elétricos e suas partes; Conversores, transformadores, acumuladores e geradores elétricos Eletrodomésticos; Fornos e aquecedores elétricos; Aparelhos elétricos para telefonia; Aparelhos de som; Aparelhos de radiodifusão; Condensadores elétricos e resistências; Circuitos impressos; Disjuntores, interruptores, suportes, lâmpadas; e outros aparelhos para circuitos elétricos; Circuitos integrados. Outros equipamentos elétricos; Partes e componentes para veículos e tratores; Brinquedos.

A China aproxima-se cada vez mais da posição de segundo maior parceiro comercial brasileiro, atualmente ocupada pela Argentina. Entre 2005 e 2006, as exportações chinesas para o Brasil aumentaram 49,2%, ao passo que as compras brasileiras da Argentina cresceram 29,1%. Os argentinos recuperaram o volume de exportações para o Brasil de 2000, mas perderam espaço: a participação do país nas importações brasileiras caiu de 12,3%, em 2000, para 8,8%, em 2006. A China, por sua vez, aumentou sua fatia nas compras brasileiras de 2,2% para 8,7% no mesmo período. Em 2000, as importações mundiais do Brasil foram de US$ 55,8 bilhões; já em 2006, esse montante foi de US$ 91,4 bilhões, crescimento de 64,1%. | Por: CEBC

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