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16/03/2022 - 08:46

Alpine A480: o escritório dos pilotos


Quem nunca sonhou em estar — pelo menos uma vez na vida — ao volante de um protótipo que disputa as 24 Horas de Le Mans? Ocupando uma posição de destaque na equipe Alpine Elf Endurance Team, o piloto Nicolas Lapierre nos conta em detalhes como é o seu “ambiente de trabalho” dentro do Alpine A480, que nesta temporada disputa mais uma vez o campeonato mundial de endurance (WEC) da FIA. Aqui definitivamente não é lugar para quem gosta de cabines espaçosas ou painel minimalista!.

Mesmo que — como se fosse mágica — conseguisse enganar a segurança da equipe Alpine e entrar de forma dissimulada no cockpit de um A480, você não iria muito longe. Simplesmente porque a complexidade deste cockpit é digna de um avião de carreira, com uma série de interruptores, mostradores, telas e comandos cujo significado não é nada óbvio à primeira vista. Sem contar todos os botões localizados ao redor do volante.

—O cockpit da A480 é como se fosse o nosso escritório, onde passamos várias horas nos fins de semana de corrida — conta Nicolas Lapierre, piloto da Alpine Elf Endurance Team.

Sempre conectado — No volante estão localizados os comandos e botões que os pilotos utilizam a cada volta, mas eles também interagem com o carro de outras formas. À direita do volante fica um primeiro painel, que tem mais de vinte botões, de cores diferentes. —Neste painel, encontramos os comandos que utilizamos menor —explica Nicolas Lapierre. “Eles permitem acionar uma ventoinha e mudar a luminosidade da tela. São itens que podem ser importantes em determinadas condições, como o ajuste da luminosidade ao anoitecer—.

Um pouco mais à direita existe outro painel eletrônico, que pode ser ativado pela Direção de Prova durante a corrida, apresentando uma interface de grande importância para os pilotos: — o carro é equipado com um GPS e recebemos alertas da Direção de Prova em função de nossa posição na pista —lembra Nicolas Lapierre. —Por exemplo, se houver uma bandeira amarela nas curvas 1 e 2, esta tela fica amarela no cockpit. Este é um dispositivo de segurança a mais, além da sinalização dos comissários que ficam às margens da pista—.

Outro elemento relativo à segurança diz respeito aos retrovisores. —Existem duas linhas de pensamento nesta área —explica o piloto quatro vezes campeão em sua categoria nas 24 Horas de Le Mans. —Muitos carros GT têm câmeras instaladas na traseira, que transmitem as imagens para uma tela no cockpit, mas nós utilizamos apenas dois pequenos retrovisores para ver o que está acontecendo atrás de nós. De qualquer forma, normalmente esperamos não precisar usá-los muitas vezes! Eles são grandes o suficiente para podermos ver se um carro está se aproximando. Além disso, também estamos sempre conectados via rádio com a equipe, que nos mantêm informados sobre a eventual aproximação de um adversário—.

Conforto em versão minimalista —Não importa quantos botões você acione — é impossível ligar o ar-condicionado. O motivo é simples: o carro não vem equipado com este item... Mas os pilotos podem levar consigo uma grande garrafa de bebida gelada. —Ela está conectada ao nosso capacete por meio de um pequeno tubo, para que possamos nos hidratar. Entretanto, às vezes ficamos mais de três horas no carro e, como o cockpit é pequeno, ele pode ficar quente rapidamente por conta do pouco ar na cabine e a falta de ar-condicionado! A bebida acaba ficando quente também, mas a gente nem liga, pois pelo menos podemos nos hidratar”! Para isso, os pilotos acionam um pequeno botão no volante. Este é bem fácil de encontrar, pois contém o pictograma de uma caneca de cerveja!

Outro item dedicado ao conforto dos pilotos (e da performance) é o banco. Nicolas Lapierre explica: —Contamos com um banco de competição moldado de acordo com as costas do piloto que nos oferece um pouco de conforto, apesar do espaço tão pequeno. Isso é importante, tendo em vista o tempo que passamos no carro—.

Este item fabricado sob medida é instalado pelo piloto quando ele entra no carro, sendo projetado para permitir um acesso facilitado aos pedais. Como a embreagem está localizada no volante, existem apenas dois pedais: o acelerador à direita e o freio à esquerda. Até aí, uma configuração bastante comum, como o carro de qualquer outra pessoa. Mas o uso que os pilotos de corrida fazem dos pedais é bem menos comum: —Hoje em dia, eu diria que 90% dos pilotos freiam com o pé esquerdo. Mas eu sou um pouco diferente, sou da velha guarda! Eu freio com o pé direito na maior parte do tempo, é um costume antigo.—.

Fica claro que nem todo mundo é capaz de entregar uma performance de ponta em um espaço de trabalho tão exíguo. Então é melhor deixar isso para especialistas como Nicolas, o brasileiro André e Matthieu.

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