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29/01/2021 - 08:25

Na batalha do e-commerce, a logística é a arma


Imagine um futuro em que todos tenham que comprar tudo de uma única empresa chamada Big Marketplace S/A. Neste cenário, a única diferenciação entre os produtos é o preço. Aqui não há marcas, nenhuma história por trás delas e não há emoções que inspirem. Todos os comércios eletrônicos são obrigados a pagar um imposto entre 20% e 40% ao Big Marketplace S/A por tudo o que for vendido.

Eles estão à mercê de mudanças de algoritmo que podem reduzir suas vendas de um dia para o outro. O marketplace usa isso como alavanca para forçar os comércios eletrônicos a pagarem por seus anúncios e a usarem seus serviços logísticos.

Este futuro ainda não chegou, mas está a caminho. Pode soar como distopia, mas para grandes marketplaces, esse é exatamente o futuro que suas estratégias são especificamente projetadas para criar – e está funcionando. Por trás de cada passo há um foco consistente – a logística.

Ela é a principal arma usada pelos marketplaces para obter domínio. Com custos de transporte mais baixos e tempos de envio mais rápidos, as taxas de conversão sobem, atraindo mais compradores e impulsionando as vendas. Isso também aumenta o número de vendedores, e o volume global transacionado na plataforma. Mais volume significa que a logística pode se tornar ainda mais eficiente. Isso cria um ciclo virtuoso que é uma grande vantagem competitiva e uma forte barreira de entrada.

Sabendo da importância da logística, os marketplaces começaram a investir bilhões de reais há cerca de quatro anos e 2021 não será diferente. O Covid-19 acelerou o crescimento do e-commerce, mas o que já vem acontecendo é a rápida mudança no setor logístico.

Como resultado, será possível ver várias tendências logísticas em 2021. Estas incluirão maior foco em tempos de envio (especialmente a entrega no dia seguinte), pressão ainda maior para reduzir custos de transporte, expansão dos serviços de atendimento e maior foco em PMEs.

Os investimentos serão contínuos e crescentes, ocorrendo de modo orgânico, além de vermos mais aquisições e consolidação de players logísticos. Em busca de melhoria competitiva a logística será verticalizada.

O comportamento irracional no setor também aumentará neste ano. Alguns players adotarão práticas de preços insustentáveis, baseadas em uma estratégia deficiente para tentar aumentar sua participação no mercado, e na inexperiência, além de inevitáveis erros de custeio.

Veremos também players experimentando (ou seguindo) estratégias logísticas agressivas e arriscadas. Devido ao maior foco nos PME's, e especialmente nos pequenos, marketplaces e players logísticos (em busca de volume do mercado) lançarão serviços focados neste segmento, mas o farão com modelos insustentáveis. Serão velhos erros de novos participantes.

O grande vencedor em 2021 será o consumidor online. A corrida para conquistá-lo com uma melhor logística tornará a compra mais fácil, rápida, barata e mais segura. Semelhante à guerra dos aplicativos de transporte privado, veremos práticas insustentáveis no mercado, mas que beneficiarão compradores.

Na mitologia grega, as sereias seduziam marinheiros com suas belas canções para atraí-los para a morte. No cenário atual do e-commerce o feitiço é lançado por marketplaces sobre pequenos e médios comércios online. Ao invés de música a atração vem na forma de preços e serviços logísticos agressivos, tudo em um esforço para fazê-los aumentar o volume com eles.

O alerta está aceso aos que concentrarem a maior parte de suas vendas nos marketplaces. O risco de vulnerabilidade é real em um futuro próximo. A prevenção é desenvolver e fortalecer os próprios canais em 2021, e ter serviço logístico que possa competir com os marketplaces, para não terem que navegar em águas turbulentas em 2022.

Na luta entre Davi e Golias, acreditamos que as PMEs do comércios online são os Davis. Para evitar a distopia, o mercado precisará pensar estrategicamente sobre sua logística para fortalecer seus canais independentes, no afã de formar músculos que ajudem esses Davis a competirem.

. Por: Marcelo Fujimoto, CEO e cofundador da Mandaê | [email protected]

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