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06/08/2020 - 07:40

100 mil mortos e o desafio da pandemia

O Brasil atingirá o patamar de 100.000 mortos ainda esta semana e a progressão em ascensão pode levar a números ainda maiores até o final do ano. As medidas sanitárias se mostram inócuas e a população já não confia no discurso das autoridades. Com este panorama, a disseminação encontra terreno fértil para dizimar sonhos e a vontade de viver de milhares de brasileiros.

A contínua desagregação política do Estado brasileiro, sem liderança eficaz para mostrar caminho seguro no combate à pandemia, faz com que tenhamos a liderança em infectados e mortos na América Latina, motivo de consternação diante de país rico em recursos naturais e pesquisas. O descaso e corte de verbas com fito a não possibilitar o progresso científico trará consequências nefastas à nação.

A sociedade, ideologicamente dividida, não se mostra capaz de protestar contra atos genocidários do governo federal, cujo desrespeito aos direitos humanos se mostra no cotidiano e não mais assusta a coletividade. O assalto ao bem público é o retrato condizente da realidade vivida no Brasil. A depreciação dos políticos que negam a ciência se junta àqueles que superfaturam produtos médicos e ainda aos que deixam de atuar propositadamente, permitindo o reinado do caos em diversas localidades do Brasil.

Os números constantes de mortos diários acima de 1000 pessoas é o atestado de incompetência do Brasil no manejo da pandemia. As histórias se perdem, famílias se dilaceram e os governos disputam terreno político ao travar luta de interesses particulares com o sangue de vidas que não mais importam, pois se transformaram em números, perdendo o sentimento e a razão de segurança coletiva sanitária que foram sobrepostas pelo interesse eleitoral e o dinamismo econômico que intenta pela reabertura das atividades mercantis.

A forma como o desafio se impõe à sociedade e às autoridades guarda razão na adoção de medidas simples que qualquer pessoa pode efetuar, mas percebe-se que a falta de apoio faz com que sejam inócuas e, por isso, o novo coronavírus se alastra silenciosamente. A espera de vacina ou tratamento eficaz é a cartada final de autoridades que se entrincheiram, ao defender um projeto em detrimento do outro, mostrando a irracionalidade sem paralelo.

Caso o esforço global não seja eficaz no curto prazo, não podemos abrir mão de medidas de controle e de educação sanitária para não vislumbramos ainda em 2020 o número de 200 mil mortos com a sociedade protagonizando o retorno da vida normal e o caos ficar adstrito às populações mais vulneráveis. O recado está claro, o combate será eficaz com a aliança de todos, despidos de interesses pessoais e proteger o semelhante. É sobre isso que cremos na força e na diversidade do brasileiro em superar a pandemia, que já é o maior desastre da história nacional.

. Por: Rogério do Nascimento Carvalho, advogado, pesquisador de conflitos armados, doutorando no Programa de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP). | e-mail: [email protected]

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