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17/03/2020 - 08:14

"O caos mental ocasionado pelo excesso de notícias sobre o Coronavírus"

Mundialmente estamos enfrentando momentos de crise na saúde pública com a disseminação do Coronavírus Disease (COVID – 19). Uma doença que foi identificada pela primeira vez em Dezembro de 2019 na China, e está revolucionando o mundo de uma forma geral.

A transmissão se dá por contato próximo com pessoas que foram infectadas pelo vírus, por alguma superfície ou objeto contaminado. E podemos destacar como sintomas da doença a febre acima de 37,5ºC, tosse e a falta de ar, com bastante dificuldade respiratória. E em casos mais extremos podendo até chegar a pneumonias graves com insuficiência respiratória aguda, falência renal e de outros órgãos, levando a eventual óbito. Mas, a boa notícia é que os casos que são tratados, em sua grande maioria, não deixam sequelas.

Infelizmente a doença do Coronavírus trouxe muito pânico e medo, por isso, além de estarmos atentos aos aspectos físicos e biológicos relacionados a esta doença, cabe também fazermos uma análise minuciosa de outros pontos relevantes voltados para a saúde mental e emocional das pessoas.

O excesso de notícias e informações tem levado o ser humano a um descontrole e a uma insegurança sem igual. Com o advento tecnológico, a propagação das chamadas Fake News (notícias falsas) trouxe um grande impacto viral e, através de chamadas sensacionalistas, tendem a prender o público e acabam assim, por desestabilizar emocionalmente quem consome essas notícias. E a cada minuto surge uma nova notificação nas mídias colaborando por aumentar o medo e o desespero das pessoas. Com isso é natural a presença de transtornos de estresse pós-traumático, transtornos de ansiedade generalizada, pânico e outros sintomas decorrentes.

Infelizmente essas são as respostas de nossa mente para a tão temida pandemia que se desenha no cenário mundial. Como estão recebendo uma enxurrada de notícias, as pessoas se sentem inseguras e sem ter muita certeza do que pode realmente ser real, a sensação mais comum é a falta de controle, incerteza com os dias futuros e uma instabilidade relativa a tudo e a todos. Pessoas infectadas ou com suspeita podem, pelo desespero, apresentar comportamentos impulsivos e até evidenciar tendências suicidas.

Definição dos sintomas, causas, tratamento e cuidados com o Coronavírus, ainda são pontos que geram muitas dúvidas, portanto é natural que os pacientes infectados ou com suspeita de infecção venham a manifestar, principalmente, o medo das consequências de se portar a doença. Em casos suspeitos ou confirmados, a recomendação é colocar o paciente em quarentena. Estes, no entanto, por estarem isolados, impedidos de realizarem suas atividades rotineiras e de manterem contato direto com outras pessoas, podem apresentar sinais que vão do tédio à solidão, incluindo acessos de raiva, intolerância e agressividade.

Os transtornos psíquicos das epidemias podem atingir todos, inclusive os cuidadores e profissionais da saúde que entram em contato com os pacientes. Transtornos de ansiedade, ataques de pânico, depressão, agitação psicomotora (movimentos indesejados devido ao estresse), delírio e suicídio, são os sintomas mais comuns. O medo, a frustração e ansiedade ocasionados pela possibilidade de se contrair a doença, tirando-os assim de suas atividades e também podendo até deixá-los isolados de suas famílias, são as principais apreensões que povoam a mente dos colaboradores da saúde ao estarem diante de uma situação de cuidado de um infectado. Além claro, da sensação de impotência diante de um possível fracasso no trato e manejo do doente.

Por mais que, se tenha uma informação de qualidade e pautada em dados verdadeiros e estatísticos, infelizmente, comprovamos que o ser humano não está preparado para compreender. A fragilidade cerceada pelo medo contribui ainda mais para a potencialização dessa atmosfera de insegurança.

Nestas horas, o que podemos orientar é que as pessoas devem procurar não alimentar mais ainda a sensação de medo e pânico que se instaurou. O vírus COVID- 19 trouxe um verdadeiro estrago para a economia e paz mundial. Não podemos contribuir com o caos. Devemos evitar as Fake News. Buscar as informações corretas e verdadeiras sobre o assunto, não divulgar as falsas notícias e respeitar as orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde) que preconiza medidas de cuidado e precaução para não se adquirir a doença e também não disseminar, infectando os outros. Existem sim, muitos oportunistas que estão se aproveitando de toda essa situação de desequilíbrio estrutural e emocional, para desestabilizar toda uma sociedade que, já vive sob tensão psicológica desde que os primeiros casos foram anunciados. Ao menor sinal de contaminação deve-se buscar orientação de um profissional de saúde e seguir todas as recomendações necessárias. Informação e prevenção são os melhores caminhos. Tranquilidade e serenidade é o que devemos buscar para nossa vida e para os que estão a nossa volta.

É certo que, vencemos o medo e a insegurança quando trabalhamos a nossa inteligência emocional a favor da razão. Esta fará com que você ultrapasse os obstáculos. Se estiver consciente dos cuidados e precauções, municiado de informações corretas, com toda certeza, você poderá encarar essa situação da maneira mais tranquila, sem pânico e sem desespero. E, o mais importante: sem contribuir para a disseminação das falsas notícias que só trazem angústia e alimentam os transtornos psíquicos de toda uma população.

. Por: Dra. Andréa Ladislau, psicanalista, doutora em Psicanálise, membro da Academia Fluminense de Letras - cadeira de numero 15 de Ciências Sociais, administradora Hospitalar e Gestão em Saúde, pós graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social, professora na Graduação em Psicanálise, embaixadora e diplomata In The World Academy of Human Sciences US Ambassador In Niterói, membro do Conselho de Comissão de Ética e Acompanhamento Profissional do Instituto Miesperanza, professora associada no Instituto Universitário de Pesquisa em Psicanálise da Universidade Católica de Sanctae Mariae do Congo, professora associada do Departamento de Psicanálise du Saint Peter and Saint Paul Lutheran Institute au Canada, situado em souhaites, graduada em Letras - Português e Inglês pela PUC de Belo Horizonte. Possui clínica terapêutica em Ipanema, Bonsucesso e Niterói onde atua como psicanalista, atendendo jovens, adultos e casais.

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