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18/01/2020 - 08:13

Internacionalização é sinal de maturidade do setor de rochas ornamentais


São vários os indicadores de internacionalização de um setor, como o volume de suas exportações; a presença de escritórios de representação, centros de distribuição ou plantas industriais em países estrangeiros; a participação em feiras setoriais internacionais; a atualização tecnológica; a participação ativa em redes de relacionamento profissional (networking) internacionais, entre outros.

O setor de rochas ornamentais do Brasil ao mesmo tempo em que tem enfrentado um mercado nacional cada vez mais competitivo, com a presença de empresas e produtos do mundo todo, tem avançado também em seu processo de internacionalização. É comum entre profissionais do setor a menção à terceira onda exportadora em que o setor se encontra. A primeira onda foi marcada pela exportação de blocos, a segunda de chapas e a terceira de produtos acabados, com maior valor agregado, prontos para aplicação.

Hoje o setor exporta cerca de 1/3 da produção nacional, sendo os EUA, a China e a Itália os principais mercados de destino. O aumento da participação de chapas de quartzito e mármores na pauta exportadora brasileira tem contribuído para a elevação dos valores exportados. Diversificar a pauta e destinos se afirmam como desafios.

O atingimento dos bons resultados deve-se a combinação de fatores como o investimento empresarial em tecnologia, a aposta na qualificação de profissionais do setor – destaque ao pessoal da área comercial sintonizado com o ambiente internacional de negócios –, e as ações das entidades de representação e apoio ao setor como a Abirochas (Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais), o Centrorochas (Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas) entre outras. Nos últimos vinte anos o valor anual de exportações do setor foi multiplicado por cinco, ultrapassando hoje a cifra de US$ 1 bilhão anual.

Dentre as vantagens comparativas do país no mercado internacional destaca-se o fato do Brasil ter a maior geodiversidade mundial de rochas ornamentais. Nessa direção o presidente do Centrorochas, Frederico Robison avalia que “o Brasil precisa mostrar o que produz com excelência. As rochas ornamentais brasileiras são muito mais que pedras: nós oferecemos diversidade, qualidade e acabamentos refinados”.

Associado a geodiversidade, outro fator de força é o parque industrial tecnologicamente atualizado que o país possui, com cerca de 350 modernos teares multifios. A aquisição e instalação de tornos multifuncionais automáticos se põe como novo patamar de atualização tecnológica, podendo converter-se em vantagem competitiva.

Em recente entrevista concedida a um grupo de pesquisadores (Amanda Fonsi, Jean Ferreira e Nicolle Castanho) da Universidade Presbiteriana Mackenzie, para pesquisa comparativa sobre a internacionalização das empresas Guidoni (brasileira) e Cosentino (espanhola) o geólogo Cid Chiodi Filho, consultor técnico da Abirochas, tratando do setor de forma abrangente, apontou que “no mercado interno, o grande desafio é transformar os fornecedores de rochas como sistemistas da construção civil, promotores de soluções integradas para o revestimento das edificações”. Já no que tange ao atendimento do mercado externo Chiodi destacou que “o setor contabiliza mais de 400 empresas exportadoras de produtos abrigados nos capítulos 68 e 25 TEC NESH”. O mesmo profissional frisou ainda a importância da participação de empresas brasileiras em feiras setoriais no exterior para promoção de seus produtos.

No tocante às feiras, merece nota a presença de 45 empresas brasileiras do setor na última edição da Marmomac, importante feira anual que ocorre em Verona - Itália. Além da expressiva presença de empresas do país anfitrião, as 138 empresas da Turquia, 42 da Grécia, 39 da Alemanha, 34 do Egito e 23 do Irã, entre outras, atestaram a importância que essas feiras ocupam nas estratégias de comercialização e inserção internacional de empresas do setor.

E será entre os dias 11 e 14 de fevereiro que acontecerá mais uma edição da Vitória Stone Fair, em Serra no Espírito Santo, com a presença de empresas de mais de 50 países e estimativa de 18 mil visitantes. Na agenda de eventos, em março será a vez da Expo Revestir, em São Paulo, quando tradicionais empresas do setor de rochas ornamentais também se farão presentes nessa que é considerada a principal feira do segmento de acabamentos da América Latina.

Atentas aos desafios do setor, em dezembro passado entidades representantes (Centrorochas, Simagran, Sindirochas ES e MG) dos três principais estados exportadores (ES, MG e CE) selaram um acordo de cooperação visando atingir uma sinergia para a execução de ações estratégicas.

Pelas informações arroladas nos parágrafos acima vê-se que o setor de rochas ornamentais do Brasil vem enfrentando de forma altiva os desafios que se impõem num mercado globalizado que exigirá das empresas nacionais cada vez mais sinergia empresarial, visão estratégica e compreensão da dinâmica dos mercados internacionais.

. Por: Arnaldo F. Cardoso, pesquisador e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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