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17/09/2019 - 09:12

Setor cacaueiro conquista posições internacionais


A notícia divulgada no último dia 12 da inclusão do Brasil no seleto grupo de países certificados no Acordo Internacional do Cacau reconhecendo assim o país como exportador de cacau fino e de aroma foi recebida com entusiasmo por produtores e demais profissionais do setor cacaueiro que nos últimos anos vem empreendendo redobrados esforços para melhorar a qualidade do produto nacional e projetar essa imagem no mercado internacional, desenhando assim um novo horizonte para milhares de produtores e demais envolvidos na extensa cadeia produtiva do cacau-chocolate.

Esse reconhecimento se deu em reunião do conselho internacional da Organização Internacional do Cacau (ICCO) em Abidjan – Costa do Marfim, atendendo um pleito do Brasil iniciado em 2015.

Identificado por apresentar “sabores diferenciados, desde frutados, florais, amadeirado, entre outros” a definição de cacau fino leva em consideração as características genéticas (origem), local (terroir) e o tratamento das amêndoas pós-colheita. O aumento da demanda nacional e internacional pelo cacau fino e chocolate premium tem impulsionado pequenos e grandes produtores a adotarem um conjunto de técnicas que vão desde o plantio, passando pela colheita e manejo das amêndoas, com destaque para o processo de fermentação, que podem resultar numa melhor remuneração ao produtor atingindo preço até 200% maior que o do cacau bulk.

Embora a participação do cacau fino no volume total da produção nacional não chegue ainda nem aos 5%, já há importantes produtores convertendo cada vez maior parcela de sua produção para o cacau fino como é o caso da Fazenda Panorama, em Uruará – Pará, que já tem participação de 20% de cacau fino em sua produção. Na Bahia o produtor Pedro Magalhães Neto informa que da produção anual de 75 toneladas de suas três fazendas, 40% já é de cacau fino.

Outra ótima notícia que chegou para coroar o trabalho de produtores e animar o setor cacaueiro brasileiro foi a classificação de duas amostras – dentre oito – para o prêmio do Programa Internacional Cacau de Excelência que será entregue no próximo Salão Internacional do Chocolate, em outubro, em Paris. As amostras classificadas são da Fazenda Panorama e da Fazenda Leolinda, respectivamente dos estados do Pará e Bahia.

Essas conquistas que o setor cacaueiro vem acumulando são resultantes da perseverança e empreendedorismo de muitos produtores e outros profissionais que não esmorecem e se dedicam para o desenvolvimento da cacauicultura, como disto deu mostras os produtores da Bahia que atravessaram os anos terríveis do auge da vassoura-de-bruxa e se reergueram, e dos produtores do Pará que enfrentam uma perversa combinação de problemas como as pendentes questões fundiárias, a precária situação de infraestrutura logística, a tensão social provocada pela presença de atividades ilegais ligadas à mineração e à exploração da madeira, agravada nos dias presentes pelo aumento do desmatamento e incêndios criminosos na Amazônia prejudicando as populações locais e depreciando internacionalmente a imagem da região, eclipsando boas realizações.

Além da perseverança e empreendedorismo, o setor cacaueiro do Brasil, formado por pequenos e grandes produtores, não pode prescindir das ações do poder público, que devem ser inteligentes e coordenadas, orientadas por pesquisas setoriais competentes, com financiamento adequado, para que o setor experimente um verdadeiro renascimento, sob novas bases, premiando o investimento e o trabalho e gerando bons frutos para todos.

. Por: Arnaldo F. Cardoso, pesquisador e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie campi Higienópolis e Alphaville (SP). | E-mail: [email protected]

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