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02/08/2019 - 09:04

Instituto Moreira Salles adquire acervo do colecionador Leon Barg

Pesquisador obstinado, Leon Barg (1930-2009) dedicou sua vida a preservar e difundir a música brasileira. Ao longo de décadas, em suas buscas constantes, reuniu o maior acervo de discos de 78 rotações do país. A coleção principal, composta pelos melhores exemplares, chega agora ao Instituto Moreira Salles.

O conjunto adquirido pelo IMS é composto por cerca de 30 mil discos de música popular brasileira. Estima-se que corresponda a 80% da discografia nacional lançada em 78 rpm, formato de gravação utilizado até o início da década de 1960, quando é substituído pelos long playings em 33 rotações. De material frágil e dez polegadas de diâmetro em média, os 78 rpm comportam apenas uma faixa em cada face.

O acervo inclui exemplares da chamada fase mecânica, entre 1902 e 1927, quando foram lançados os primeiros discos no Brasil pela pioneira Casa Edison, e também da era elétrica, de 1927 a 1964. Na coleção, há discos de intérpretes icônicos como Francisco Alves, por quem Barg era fascinado, Aracy de Almeida e Carlos Galhardo. Mas também títulos pouco conhecidos lançados por gravadoras pequenas, de todas as regiões do Brasil, num amplo panorama da produção do período.

Entre as raridades está, por exemplo, a interpretação de Carmen Miranda, pelo selo Brunswick, do choro "Se o Samba é Moda". Barg demorou mais de 50 anos para conseguir o exemplar. Outro destaque é o primeiro disco gravado por Francisco Alves, lançado no carnaval de 1920 pela Fábrica de Discos Popular, gravadora pertencente a João Batista Fernandes Lage, companheiro de Chiquinha Gonzaga. O disco traz duas composições de Sinhô: a marcha “O Pé de Anjo” e o samba “Fala meu louro”.

Em um vídeo produzido pelo IMS, as filhas do colecionador, Lais e Lilian Barg, comentam a trajetória do pai: “Seu gosto pela música vem desde pequeno e foi alcançando proporções cada vez maiores”, afirma Lais.

Nascido em 1930, no Rio de Janeiro, Barg mudou-se ainda criança para a cidade de Recife. Aos 13 anos, adquiriu seu primeiro disco e não parou mais. Na década de 1950, partiu para Curitiba, onde fixou residência. Em 1987, abriu a famosa gravadora Revivendo, com o intuito de difundir e reeditar o seu próprio acervo. Pequeno negócio familiar, a gravadora lançou centenas de LPs e CDs.

“A Revivendo foi o sonho do meu pai de tirar sua coleção das quatro paredes para que todas as pessoas pudessem ouvir as músicas”, afirma Lais. Ela relembra o extenso trabalho de Barg para preservar o acervo: “Naquela época, não existiam as modernas técnicas de sonorização. Às vezes ele tinha um disco que a primeira parte estava boa; já a segunda nem tanto. Então, ele precisava reunir vários exemplares daquele disco para montar a mesma música numa faixa só”.

Ao longo de sua trajetória, Barg percorreu o país em busca das melhores gravações em 78 rpm. Para poder carregar suas novas aquisições com cuidado, chegou a mandar fazer malas forradas especialmente para o transporte dos exemplares. “Assim foi a vida dele, com maletas e sempre atrás de discos, 79 anos bem vividos”, brinca Lilian.

Ao adquirir parte da coleção de Barg, o IMS reforça sua missão de preservar e divulgar a música popular brasileira. A coordenadora do acervo de música, Bia Paes Leme, comenta a aquisição: “A área musical do IMS traz em seu DNA a Discografia Brasileira em 78 rotações, pois foi criada para receber duas importantes coleções, as dos pesquisadores Humberto Franceschi e José Ramos Tinhorão. A coleção Barg virá somar significativamente, tanto em termos numéricos quanto qualitativos. Estamos muito felizes e entusiasmados com a chegada deste acervo, e extremamente honrados com a tarefa de zelar pelo precioso legado de Leon Barg.”

O acervo de música do IMS — Inaugurada no início dos anos 2000, a Reserva Técnica Musical do Instituto Moreira Salles tem hoje sob sua guarda 20 acervos que contemplam importantes documentos de compositores, instrumentistas, pesquisadores e colecionadores, entre eles Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Baden Powell, José Ramos Tinhorão, Edinha Diniz e João Máximo. Uma característica comum a esses conjuntos é a grande diversidade de suportes, que incluem desde partituras e gravações musicais preciosas, até livros, fotografias, documentos e registros de programas de rádio e entrevistas. Um conjunto de valor inestimável para a pesquisa musical e musicológica, disponibilizada cada vez mais por meio de novos recursos tecnológicos.

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