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08/03/2019 - 14:47

Identidade

Antônio se levanta e caminha lentamente até o corredor. De repente, ele para, olha para trás, olha para frente, sente-se confuso. Não se lembra para onde ia. Não se lembra do que ia fazer. Sua filha chega neste instante, leva-o para a sala e senta-se com ele, tentando acalmá-lo.

Ivete vive em uma casa de repouso. Seu filho a visita com frequência, mas ela nem sempre se lembra dele. Às vezes, sua memória está um pouco melhor e ela diz: — Betinho, é você?

Às vezes, porém, sua memória a trai e ela fica sentada o tempo todo olhando para o nada e cantando músicas de sua infância, sem se dar conta de que alguém está junto dela.

Michel não se lembra mais de ninguém. Sua mente já não está mais ali. Ele olha para seus familiares e ri sem, no entanto, saber quem são eles. Precisa de uma enfermeira para lhe dar os remédios, a comida, o banho, enfim, Michel não consegue mais fazer nada sozinho.

Perder a memória é perder a identidade, e não há nada mais triste do que perder o contato com o próprio eu e o mundo externo.

Demência significa ausência da mente. A cognição entra em um declínio progressivo, interferindo nas atividades habituais do indivíduo. Os sintomas mais comuns deste transtorno são a perda da memória, confusão e declínio intelectual.

Dentre as demências, a mais frequente e, talvez, mais assustadora seja a Doença de Alzheimer, que costuma ocorrer após os 65 anos, mas esporadicamente pode acometer os mais jovens.

No início da doença o indivíduo pode sofrer de ansiedade e depressão, perdendo aos poucos sua independência, sua cognição e sua identidade.

A doença de Alzheimer é degenerativa, progressiva e irreversível. Sua progressão é lenta e tem duração entres dois e 18 anos. Atividades da vida diária tornam-se cada vez mais difíceis e o indivíduo passa a depender totalmente de um cuidador. Quem sofre desta doença perde a capacidade de nomear pessoas e objetos, desenvolvendo apatia, depressão, ansiedade, agitação e até mesmo agressividade.

Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento do Alzheimer: idade, baixa escolaridade, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, inatividade física e mental, dieta pouco saudável, tabagismo, alcoolismo e outros.

Estudos também concluíram que 15 em cada 100 pessoas com Alzheimer têm o pai ou a mãe afetados pelo distúrbio.

Como a memória é a primeira função cognitiva afetada, o indivíduo pode começar a produzir histórias para preencher as lacunas em seu cérebro. Por isso, muitas vezes o idoso passa a inventar fatos, tentando compensar as lembranças que lhe escapam.

As memórias mais antigas são as últimas a serem apagadas da mente, portanto não é raro que os idosos que sofrem de Alzheimer passem a falar mais sobre a infância e de fatos que aconteceram há muito tempo, sem, no entanto, conseguirem se lembrar do que aconteceu no dia anterior.

Nas fases tardias há perda sináptica e morte neuronal, acompanhados de alterações na personalidade, reações emocionais exageradas, apatia, passividade e até mesmo delírios frequentes relacionados a roubos, por não se lembrarem mais dos lugares onde estão seus pertences.

Apesar de ser uma doença irreversível, através da reabilitação cognitiva é possível retardar os efeitos do Alzheimer, estimulando a memória e outras funções cognitivas, bem como proporcionar uma vida mais digna para o idoso que está sofrendo desse mal.

Assim, é aconselhável que nos primeiros sintomas da doença, o indivíduo faça uma avaliação neuropsicológica e, caso o resultado dê positivo, procure ajuda o mais rápido possível.

É uma doença triste, sim, mas não há porque não se utilizar de todas as ferramentais possíveis capazes de reduzir os efeitos destrutivos da demência. E para quem ainda é jovem, um conselho: exercitem a mente, leiam mais, façam atividades diferentes daquelas a que estão acostumados, criem mais redes neurais, pois quanto maior a nossa rede neural, mais tempo levará para que a memória seja atingida.

Por: Lúcia Moyses, natural de São Paulo, Lucia teve sua primeira formação em análise de sistemas pela FATEC (Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo), complementando os seus estudos com curso de pós-graduação na Unicamp (Universidade de Campinas). Atuou nessa área por mais de 20 anos e foi convidada para ser coautora em uma obra da IBM, em sua sede nos Estados Unidos. Administrou cursos e palestras, inclusive para pessoas com necessidades especiais.

A partir desta experiência, a escritora se interessou pela área de humanas. Foi então que decidiu seguir a carreira de Psicóloga, concluindo o bacharelado na FMU (Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas) e, logo depois, se especializando em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva pelo (INESP) - Instituto Nacional de Ensino Superior e Pesquisa.

Em 2013, a autora lançou seu primeiro livro "Você Me Conhece?" e dois anos depois o livro "E Viveram Felizes Para Sempre", ambos com um enfoque em relacionamentos humanos e psicologia.

Três anos após a especialização em Neuropsicologia, Lucia lançou os três primeiros livros: "Por Todo Infinito", "Só por Cima do Meu Cadáver" e "Uma Dose Fatal", da coleção DeZequilíbrios. Composta por dez livros independentes entre si, a coleção explora a mente humana e os relacionamentos pessoais. Cada volume conta um drama diferente, envolvendo um distúrbio psiquiátrico, tendo como elo o entrelaçamento da vida da personagem principal.

Agora em 2018, a psicóloga lança mais três livros: "A Mulher do Vestido Azul", "Não Me Toque" e "Um Copo de Veneno", totalizando seis livros da coleção. | www.luciamoyses.combr

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