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26/02/2019 - 08:26

Organização Mundial do Comério – OMC: novos desafios exigem transformação

Já há algum tempo as inovações tecnológicas vêm acontecendo e se sucedendo de forma muito rápida, alcançando e transformando diversos segmentos da vida humana.

Porém, neste momento, estamos vivenciando um processo de transformação tal que se caracteriza como um processo altamente disruptivo em várias áreas, tornando-o único na experiência humana: a indústria 4.0.

Os impactos dessa inovação tecnológica têm alcançado e transformado, por exemplo, as seguintes áreas: - marketing – a utilização de bigdata – permite às empresas adotarem técnicas de marketing mais assertivas, aumentando o seu poder de influência junto ao consumidor;

- consumo – pode-se adquirir bens e serviços por meio de eficientes aplicativos (APPs) que conectam, diretamente, compradores e vendedores excluindo, muitas vezes, alguns intermediários;

- varejo – as lojas físicas estão dando lugar às lojas virtuais ou, no mínimo, coexistindo. Além disso, mesmo nas lojas físicas, as vitrines passam a ser dotadas de softwares que leem o perfil do consumidor e são capazes de oferecer-lhe opções de produtos conforme seu porte físico, sexo, idade, etc.;

- produção - muitos produtos, agora, podem ser fabricados por meio de impressoras 3D;

- logística – empresas de transporte rodoviário já não dispõem de frota própria de caminhões; deram lugar a aplicativos que credenciam e monitoram caminhoneiros. Ainda na área da logística, o uso de drones capazes de levar mercadorias de pequeno porte pode vir a se caracterizar como um novo meio de transporte internacional.

- finanças – com o advento das fintechs, blockchain e criptomoedas, os bancos, em todo o mundo, estão tendo que se reinventar, ou seja, estão tendo que rever sua atuação, adaptando-se a essas transformações.

Trata-se, portanto, de uma nova configuração de empresa e de atividades que estão surgindo graças às tecnologias digitais emergentes e às que ainda não estão presentes em nível internacional em breve estarão.

No comércio internacional, por exemplo, o reflexo dessas mudanças já começa a ser sentido.

Citando apenas um exemplo, a empresa que desenvolveu um aplicativo para transporte rodoviário internacional é uma empresa de transporte ou é uma empresa de tecnologia que desenvolveu um aplicativo? Sendo uma empresa de tecnologia, terá condições de assumir as mesmas responsabilidades legais que hoje são atribuídas ao transportador rodoviário internacional?

Pode ser que muitas dessas atividades, para serem colocadas em prática em nível internacional, enfrentem, hoje, barreiras regulatórias mas, como essa tecnologia digital é uma tendência irrefreável, seus desenvolvedores e/ou empreendedores não devem se amedrontar com tais barreiras. Ao contrário, é provável que essas barreiras caiam e venham a dar lugar a novas regras para o comércio internacional, tanto por parte da Organização Mundial do Comércio – OMC, quanto por parte da Organização Mundial das Aduanas – OMA e dos seus respectivos países membros, por meio de sua legislação interna, pois são atividades inovadoras que vieram para ficar.

E é nesse contexto que podemos esperar que a própria OMC e outros órgãos internacionais, em breve, terão que se reinventar no sentido de criar, alterar ou flexibilizar certos dispositivos regulatórios existentes hoje no comércio internacional.

Por fim, essas tecnologias digitais não se limitam a provocar transformações apenas na área econômica. Provocam, sim, outras importantes transformações na área social e do trabalho. Deixo aqui mais uma oportunidade de reflexão e desafio para outros organismos internacionais como a Organização Internacional do Trabalho – OIT.

. Por: Francisca Grostein, professora no curso de Administração com linha de formação em Gestão de Comércio Exterior da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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