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02/02/2019 - 08:01

O ilimitado mal

O cinema israelense merece ser melhor conhecido no Brasil. ‘Lobos Maus’, da dupla de diretores Aharon Keshales e Navot Papashudo, é um exemplo disso. A forma do filme ao discutir até onde pode chegar a crueldade humana desperta a atenção logo na primeira cena e se mantém por toda a narrativa.

São poucos personagens e todos muito bem definidos em sua dramaticidade. Em busca de um assassino de crianças que as mata e corta suas cabeças, policiais e militares utilizam os mais variados métodos. Estamos falando de torturas variadas e simples, estereotipadas num humor negro ao estilo Quentin Tarantino.

Não há preocupação com verossimilhança, mas sim em manter a adrenalina em alta no momento em que dois militares (pai e filho) sequestram o possível assassino, assim como um policial que acredita que aquele homem submetido às mais terríveis dores é inocente. Reviravoltas farão todos reverem esses conceitos sobre quem é mocinho e bandido.

O grande ponto do filme é que não há inocentes na trama. Todos ser humano pode ser culpado de algo e, ao contrário do que diriam os românticos, a humanidade não é pura desde o nascimento, mas capaz, em sua essência, de gerar nos outros e em si mesma, as dores mais terríveis. É nessa máxima pessimista que o filme sustenta, pleno de ironia, a força de seu roteiro e do poder visual de suas cenas mais impactantes.

. Por: Oscar D’Ambrosio, jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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