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18/08/2018 - 08:18

Rótulos de alerta em alimentos não garantem que o produto seja saudável

É extremamente importante que a linguagem passada pelos rótulos dos alimentos seja compreendida pela população, que na sua grande maioria não consegue entendê-los e ainda desconhece as normas da Anvisa que padronizam essa comunicação. Para que que essa linguagem seja facilitada e mais acessível, recorrer a novos modelos mais ilustrativos é uma boa estratégia para incentivar e conscientizar a população a respeito da manutenção de hábitos alimentares mais saudáveis.

Segundo a pesquisa “A mesa dos Brasileiros”, publicada pela FIESP em abril de 2018, oito em cada dez brasileiros afirmam se esforçar para ter uma alimentação saudável, mas apresentam dificuldades para saber quais alimentos são mais saudáveis no momento da escolha. O ato de comer vai além de simplesmente ingerir um alimento por conta da sua composição nutricional, também é necessário levar em consideração que o ser humano é o único animal no planeta para o qual o momento da alimentação é também um ritual que envolve aspectos sociais, psicológicos, regionais e afetivos.

Os alimentos carregam significados e são símbolos individuais e/ou coletivos para as pessoas. Toda vez que um alimento se torna proibido, restrito e taxado ou julgado como ruim devido a um único ingrediente (mensagem que será transmitida com advertências como “alto em açúcar”, “alto em sal” e “alto em gordura”), sem considerar o contexto e a quantidade consumida, o produto passa a gerar curiosidade e angústia, que podem despertar uma relação negativa com o alimento, acarretando, em alguns casos até mesmo o hábito de comer compulsivamente, sem controle e sem consciência. Além disso, nada garante que um alimento que não seja reconhecido ou não possua as quantidades determinadas para ser considerado com alto teor de açúcar, sal e gordura seja necessariamente mais saudável do que os taxados como “Alto em”.

No Chile, há um novo modelo de rotulagem, pelo qual produtos com grandes quantidades de açúcar, sal e gordura por porção recebem um selo preto frontal de alerta. Essa nova proposta tem forçado a indústria a diminuir a quantidade dos nutrientes citados e compensá-los ou substituí-los por elementos químicos para garantir sabor e textura. Segundo a nutricionista chilena Andrea Rubio, da Escola Acadêmica de Nutrição e Dietética na Universidade Bernardo O'Higgins, o novo rótulo não contribui de forma efetiva para uma mudança nos hábitos alimentares do país, pois apenas três em cada dez chilenos preferem comer produtos sem os selos pretos de advertência.

A melhor forma de direcionar o consumidor para uma alimentação saudável e equilibrada é por meio de iniciativas de educação nutricional, em escolas, campanhas do governo, que podem ser apoiadas pela implementação de rótulos claramente informativos que ajudem o consumidor a escolher, conscientemente, os produtos, bem como entender as quantidades ideais para serem ingeridas de cada grupo de alimentos.

Em suma, não deve haver o julgamento de ingredientes como proibidos ou permitidos, bons ou ruins, vilões ou mocinhos, pois o contexto alimentar é algo para ser avaliado de forma única, respeitando a individualidade biológica e social de cada ser humano.

. Por: Bianca Naves, nutricionista especialista em Nutrição em Cardiologia e Nutrição Esportiva pela USP. Sócia proprietária da Clínica NutriOffice em SP; colaboradora do programa jornalístico “Hoje em Dia” transmitido pela Record.

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