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16/08/2018 - 09:52

Mundos diferentes

Cremos que a maior tragédia brasileira, afora a corrupção, esteja na comunicação entre os políticos e a população.

Por governabilidade poderia se dizer que um governo é feito por meio de leis, aprovada por outro poder; também deve ser aprovado pela população. Sem isso, é tiro no peito (Getúlio), renúncia (Jânio), impeachment (Collor) e impeachment (Dilma). Impeachment poderia ser substituído por "despedida do governo".

A população não dá valor à ignorância, mas também não adere ao que não entende. O ideal num infeliz regime presidencialista seria um candidato com experiência e conhecimento que falasse a linguagem simples do povo.

O risco é enorme, porque o povo tende a dar seu voto àquele que compreendeu. E nem sempre será o melhor.

Vejam apenas três exemplos: "déficit primário", "Spread" e "IVA".

O primeiro poderia ser substituído por bandalheira, gasto do dinheiro do povo que é gerido pelo governo acima do que é possível gastar; o segundo é o lucro dos bancos: os juros que nos pagam são muito menores do que os juros que ganham, ao dar um empréstimo; e o "IVA" é "imposto sobre valor agregado", ou seja, imposto sobre a produção e o comércio.

Falar distante do povo vai da esquerda, passa pelo centro e chega na direita. Marx deu ao lucro excessivo dos patrões o nome de "mais valia"; o fascismo falava em "longa mão" do Estado; o centro usa as palavras de professor do candidato Meirelles.

Quanta falta nos faz um Alberto Caieiro, o poeta rústico das ovelhas, simples, direto, criado por Fernando Pessoa e, não sem razão, a preferida de suas criaturas.

Os que manipulam a vontade do povo neste País não param de criar siglas e expressões incompreensíveis pelo povo. Assim, este é dominado. Se precisamos de educação, precisamos mais de educação voltada para entender-se a linguagem dos políticos, governantes, juízes.

Acabar com o hábito de falar por siglas e por expressões, que a maioria não compreende, é a melhor democracia que podemos querer.

E assim, sem entender o que está a fazer, nosso eleitor comparece às urnas de uma democracia de faz de conta.

Os brasileiros ficaram acordados até a madrugada de hoje e, com certeza, a maioria dos eleitores foi esclarecida de muito pouca coisa. Zero a zero, ocho.

. Por: Amadeu Garrido de Paula, Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

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