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27/02/2008 - 12:31

Comércio bilateral e desempenho macroeconômico chinês no 4T07

O crescimento do PIB da China foi pelo quinto ano consecutivo superior a 10% e encerrou 2007 comaumento de 11,4% – 0,3 ponto percentual (p.p.) acima do registrado no ano anterior – e volume total de cerca de US$ 3,43 trilhões. Em 2007, investimento se manteve como principal motor do incremento da economia, sendo responsável por aproximadamente 5,2% dos 11,4% de crescimento registrados. Já saldo comercial e consumo corresponderam por 2,8% e 3,4%, respectivamente. Vale destacar que o consumo ainda permanece com taxas de expansão pouco superiores ao ritmo de crescimento do PIB, ao contrário de investimentos e saldo comercial que sofreram incremento anual de 24,8% e 47,7%, respectivamente, de acordo com analistas da Dragonomics. Em termos trimestrais, a expansão do PIB apresentou leve desaceleração em relação ao terceiro trimestre de 2007 e repousou em 11,2%. A contribuição do setor agrícola para formação do PIB foi de US$ 401,7 bilhões, 3,7% superior ao registrado no último trimestre de 2006, enquanto o valor adicionado pela indústria secundária e terciária foi de US$ 1,69 trilhão e US$ 1,33 trilhão, crescimento respectivo de 13,4% e 11,4% no mesmo período.

Diante de possível cenário de recessão norte-americana, analistas têm elaborado estimativas significativamente distintas quanto ao crescimento da economia chinesa em 2008. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), em caso de desaceleração moderada da economia dos Estados Unidos, o PIB chinês crescerá 10,1%. Já em cenário mais pessimista, a perspectiva é de expansão de 8%. De viés similar, Citigroup também corrobora que a redução na demanda global – reflexo de cenário de crise dos Estados Unidos - fará a China crescer de 8% a 9% em 2008. Para Dragonomics, a confirmação de recessão não reduzirá de forma expressiva o crescimento do país, variando entre 9,5% e 10%, visto que a economia chinesa tem se descolado aceleradamente dos Estados Unidos e investimentos em ativos fixos serão capazes de sustentar acentuada expansão do PIB. Pelos mesmos motivos, analistas do Goldman Sachs reduziram estimativa anterior de crescimento para 2008 em 3 p.p., para 10,0%.

Ao término de 2007, os investimentos em ativos fixos apresentaram novamente aumento significativo anual, de 24,8% em comparação ao ano anterior, e somaram US$ 1,9 trilhão – cerca de 55% do PIB. Desse montante, 18,4% foram destinados ao setor imobiliário, 1% ao setor primário, 37,2% ao setor secundário e 47,3% ao setor terciário. Vale salientar que a parte central do país foi a região que registrou maior crescimento anual em volume de investimentos, com aumento de 34% em relação a 2006. Nas regiões oeste e leste da China o índice sofreu incremento de 28,2% e 21,0% em equivalente período. A aparente desaceleração do ritmo de expansão dos investimentos totais no país, observada na análise do crescimento mensal, se deve à alta base comparativa registrada em igual período do ano anterior. A significativa expansão do índice registrada nos últimos pode sinalizar superaquecimento da economia e tem estimulado a adoção de políticas de restrição ao crédito. No entanto, tais medidas não têm produzido efeito sobre o volume de investimentos esperado pelas autoridades chinesas, uma vez que mais de 50% dos investimentos são financiados a partir de receita própria das empresas. Os investimentos estrangeiros diretos (IED) que ingressaram no país em 2007 totalizaram US$ 74,8 bilhões, volume 13,6% superior a 2006.

Apesar de leve desaceleração ao final de 2007, a produção industrial registrou crescimento anual de 18,5%, valor expressivamente superior ao apresentado no ano anterior, de 12,5%. No acumulado do ano, a indústria pesada expandiu-se 19,6% em relação a 2006, enquanto a indústria leve apresentou crescimento de 16,3% com base no mesmo período. Analistas do Goldman Sachs acreditam que a indústria chinesa já demonstra início de saturação de capacidade produtiva. Vendas no varejo, por sua vez, apresentaram crescimento médio anual de 16,8% em relação a 2006 e movimentaram cerca de US$ 1,24 bilhão. Desse total, vendas no varejo nos centros urbanos corresponderam a 67,7%, ou seja, US$ 840 milhões - valor 17,2% superior ao registrado em 2006. Tal resultado decorre do aumento do poder de compra e da expansão da classe consumidora chinesa da zona urbana, cuja renda per capita disponível para consumo apresentou crescimento real de 12,2% em 2007.

Em 2007, a China registrou a maior inflação dos últimos onze anos, com variação média anual do índice de preço ao consumidor (IPC) de 4,8% com base no ano anterior. O resultado foi 1,8 p.p. maior do que a meta anual estipulada pelo governo para 2007, de 3,0%, e 3,1 p.p. superior ao IPC de 2006. O pico inflacionário se deu no segundo semestre de 2007, cujo ápice ocorreu em novembro com 6,9%. Há divergências entre os analistas sobre a razão do pico inflacionário, Dragonomics afirma que trata-se de inflação de alimentos ocasionada unicamente em razão de crise na produção agrícola, enquanto Goldman Sachs acredita que a alta dos preços é reflexo de excesso de liquidez da economia - decorrente de política monetária expansionista e aumento expressivo da demanda agregada –, bem como da crise na produção agrícola acentuada por deficiências estruturais de cadeias produtivas locais. O último trimestre do ano assistiu também à recuperação do aumento de preços ao produtor, que encerrou o período com incremento anual médio de 3,1%, 0,1 p.p. superior àquela registrada em 2006. Para 2008, Goldman Sachs estima que o IPC encerrará o ano com alta de 4,5%, já Economist Intelligence Unit prevê aumento de 4,0%, enquanto o Banco de Desenvolvimento da Ásia e JP Morgan Chase estimam crescimento anual de 3,8% para o índice.

Devido à pressão inflacionária e aos riscos de superaquecimento da economia, se confirmou tendência de aperto da política monetária chinesa ao final de 2007. Após três meses consecutivos de aumento de 18,5% na oferta de M2, dezembro viu ritmo de expansão na oferta cair a 16,7%, valor inferior à média anual de 2007, de 17,5%. O crescimento na circulação de crédito também sofreu redução em dezembro, para 16,4% em relação ao mesmo mês de 2006 e 0,5% em relação ao mês anterior. Para reduzir oferta de moeda o governo chinês reajustou taxa de juros anual de empréstimo e taxa de juros sobre depósito bancário seis vezes ao longo de 2007. Desde 1999, ambas as taxas haviam sofrido apenas cinco reajustes.

Outro instrumento utilizado para reduzir liquidez da economia, a taxa de depósito compulsório, sofreu dez aumentos ao longo do ano, com acréscimo total de 5 p.p., e repousou em 14,5%. Os ativos estrangeiros, por sua vez, têm ocupado posição cada vez mais expressiva na composição da oferta total de moeda. Apesar de leve redução no ritmo de acumulação no segundo semestre, as reservas chinesas de moeda estrangeira registraram aumento de 43% em relação a 2006 e já superam US$ 1,5 trilhão. Previsões indicam que a marca dos US$ 2 trilhões deverá ser alcançada ainda em 2008.

A China encerrou 2007 com superávit recorde de US$ 264 bilhões, aumento de aproximadamente 30% em relação a 2006. As exportações seguiram como segundo motor da economia chinesa, contribuindo com aproximadamente 25% para o incremento anual registrado pelo PIB – fatia bastante similar a observada em 2006. A política de valorização do yuan em 2007 não atuou como empecilho ao aumento de 23,5% das exportações líquidas do ano, que totalizaram US$ 1,22 trilhão. Em 2007, o governo chinês manteve política de valorização gradual da moeda e a taxa média de conversão do yuan para o dólar foi de US$ 1 = Rmb 7,61, equivalente a apreciação de 2,81% em relação ao ano anterior de acordo com Economist Intelligence Unit.

As importações, por sua vez, somaram US$ 956 bilhões no acumulado anual, representando crescimento de 17,2% em relação a 2006. O quarto trimestre de 2007 registrou queda nas exportações de 3,9 p.p. em relação ao terceiro trimestre do mesmo ano. Especialistas do Dragonomics afirmam que essa desaceleração deverá permanecer nos próximos meses em razão da crise nos Estados Unidos. No que tange às importações – que aumentaram 5,1 p.p. no quarto trimestre em relação ao trimestre antecedente –, Dragonomics afirma que esta foi atípica e pode ser atribuída ao aumento do preço das commodities no mercado internacional, em especial de petróleo. Até novembro de 2007 bens manufaturados predominaram na pauta de exportação e importação chinesa, totalizando US$ 1,1 trilhão e US$ 712 bilhões, respectivamente. Máquinas e equipamentos de transporte foram os produtos mais comprados e vendidos pela China, desmistificando a premissa de que o país asiático é essencialmente importador de commodities e exportador de bens para consumo final. A assertiva é novamente comprovada se observado que as importações chinesas de commodities - como combustíveis minerais, minério de ferro e outros minérios, cujo volume foi de US$ 177 bilhões – corresponderam a valor inferior à metade das importações de máquinas e equipamentos para transporte.

Os países que compõem o bloco europeu foram até novembro de 2007 os principais parceiros comerciais da China, representando 16,4% do total do comercializado. Apesar de participação ainda tímida nas relações comerciais com os chineses, a Rússia foi o Estado que apresentou maior crescimento no período, de 42,7% em relação a 2006. A expressiva intensificação das relações comerciais com a Rússia é reflexo da política chinesa de estreitamento de laços com o país.

A China tem buscado diversificar seus parceiros comerciais com o intuito de reduzir dependência de grupo restrito de fornecedores matérias-primas e consumidores de seus produtos. Os gráficos abaixo elucidam incremento do comércio chinês com a América Latina, que aumentou sua participação de 1,9% em 1996 para 4,1% em 2006. Apesar de importância relativamente reduzida, os latino-americanos têm se firmado cada vez mais como parceiros estratégicos à China, em especial o Brasil, por ser importante fornecedor de commodities fundamentais ao sustento da expansão econômica chinesa. Por razões similares, países africanos são outros parceiros em rápida ascensão.

O princípio de crise na economia norteamericana contribuiu para desaceleração das exportações do país asiático para os Estados Unidos. Contudo, apesar dessa desaceleração – de 27,9%, em 2006, para 22,2% ao final de 2007 – a redução das exportações chinesas foi menor que de seus concor rentes , demonstrando que o país asiático está menos vulnerável a uma possível recessão nos Estados Unidos do que os demais países. Segundo CitiGroup, a hipótese de descolamento da economia chinesa da norte-americana não se aplica, uma vez que há ligação estreita entre a demanda dos Estados Unidos e o volume exportado pela China para o mundo. As vendas totais chinesas para o mundo desaceleraram proporcionalmente às exportações chinesas para os Estados Unidos. | Por: Conselho Empresarial Brasil-China / Macro China

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