Página Inicial
PORTAL MÍDIA KIT BOLETIM TV FATOR BRASIL PageRank
Busca: OK
CANAIS

10/03/2016 - 07:24

Japão avança na transformação do setor da energia

Os combustíveis fósseis serão os principais perdedores da transformação em curso no setor de energia do Japão, de acordo com um novo relatório do Instituto de Economia Energética e Análise Financeira (IEEFA) lançado nesta quarta (9 de março) junto com a conferência da Fundação de Energias Renováveis do Japão (JREF).

"Com quase US$ 20 bilhões investidos anualmente em novos desenvolvimentos solares que estão trazendo 8 gigawatts (GW) ao ano de eletricidade alimentada por energia solar, o Japão é um dos três maiores mercados globais de instalações solares atualmente. O país está fazendo jus ao seu epíteto de Terra do Sol Nascente ", resumiu o autor Tim Buckley, Diretor de Estudos em Finanças Energia do IEEFA.

O Japão foi um dos três maiores mercados de instalações solares em nível mundial em 2014 e novamente em 2015. O IEEFA estima que as instalações realizadas no ano passado atingiram 8 gigawatts (a China foi a N° 1, com 15 GW de instalações no ano passado, e estima-se que os EUA tenham instalado 7,5 GW). Desta forma, o total de instalações solares japoneses podem ter atingido cerca de 30 GW no final de 2015 e estão a caminho de exceder os 50 GW até 2020.

O IEEFA acredita que deve vir mais crescimento pela frente. A Associação de Energia Fotovoltaica do Japão publicou em abril passado um documento de estratégia que define como o país pode chegar a 100 GW de capacidade de geração fotovoltaica instalada em 2030. Isto implicaria na geração anual de mais de 110TWh de produção de energia solar, o que equivale a 15% da demanda total de eletricidade do Japão.

"Como estamos vendo em todo o mundo, o crescimento das energias renováveis, combinado com significativos avanços em eficiência energética, está tendo um impacto tangível sobre os combustíveis fósseis", destacou Buckley. "No entanto, o Japão hoje tem 47 usinas de energia movidas a carvão em seu pipeline. Seus investidores devem ter cuidado porque a transformação de energia significa que estas plantas correm o risco de se tornar antieconómicas rapidamente. Em outras palavras, elas têm uma alta probabilidade de se tornarem ativos ociosos."

Embora o Japão tenha sido um dos poucos grandes mercados de energia que aumentou as importações de carvão térmico no ano passado, é improvável que essa tendência dure. Na verdade, 2015 muito provavelmente ficará na História como o ano de pico para as importações de carvão térmico e geração de energia a carvão no Japão. Já no primeiro mês de 2016, foi registrada uma queda de 1,32% na comparação com janeiro do ano passado.

O IEEFA observa que se o Japão construir novas usinas movidas a carvão, o resultado será a subutilização do parque. Este padrão já ocorreu na China, onde a taxa média de utilização das usinas a carvão caiu de pouco mais de 60% em 2011 para um recorde de baixa de 49,4% em 2015. Da mesma forma, na Índia, o acréscimo anual de 15GW de novas usinas movidas a carvão encontrou uma demanda mais fraca do que o previsto. O resultado: a taxa de utilização do setor de energia a carvão da Índia caiu de 75% em 2011 para uma taxa média estimada de 61% em 2015 (com IEEFA prevendo uma nova queda para um recorde de 57-58% em 2016).

"Como vimos na Índia, China, Austrália e Europa, a dramática redução de custos das energias renováveis, catalisada pelo imperativo de reduzir as emissões de carbono, está rapidamente tornando redundante o acréscimo de geração de carvão térmico", explicou Buckley. "Hoje, o Japão tem uma grande oportunidade de se beneficiar desta tendência, investindo ainda mais em eficiência energética, em energia eólica e em solar e evitando o erro de novos investimentos em carvão."

IEEFA realiza pesquisas e análises sobre questões financeiras e econômicas relacionadas com a energia e o ambiente. A missão do Instituto é acelerar a transição para uma economia de energia diversificada, sustentável e rentável e reduzir a dependência do carvão e outros recursos energéticos não renováveis.

Tim Buckley é diretor de Estudos em Finanças de Energia para a região da Australasia para IEEFA. Ele tem 25 anos de experiência no mercado financeiro, incluindo 17 anos com Citigroup, onde chegou a Diretor Executivo e Chefe da equipe de pesquisa em Equity da Australásia.

Enviar Imprimir


© Copyright 2006 - 2020 Fator Brasil. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Tribeira