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04/02/2015 - 08:43

Janeiro termina com temperatura e umidade recordes e chuva abaixo da média

Calor forte, umidade baixa e chuvas modestas agravam crise hídrica.

Calor forte, com temperaturas recordes, chuva bem abaixo do esperado e umidade relativa típica do inverno por vários dias. Esse é o resumo do clima registrado pelo Posto Meteorológico da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ) em janeiro de 2015. “Com registros desde 1917, os números do Posto da ESALQ reforçam que estamos vivendo uma anomalia climática”, aponta Paulo Cesar Sentelhas, professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas (LEB) da ESALQ, especialista em agrometeorologia. A temperatura máxima, de 37oC, superou o recorde de 1984 (36,9oC) e a umidade relativa mínima atingiu 25% por vários dias seguidos, a mais baixa de todo o período de registros, superando o record anterior que era de 39% em janeiro de 1971. “Esse é um valor que normalmente temos no inverno, quando o tempo é normalmente muito seco”. Quanto ao volume de chuvas, até o último dia 28 o Posto da ESALQ marcava 97,2 mm, enquanto que, na média, a chuva do mês é da ordem de 230 mm. “Esse cenário tem poucas chances de ser alterado até amanhã, último dia de janeiro”.

As condições meteorológicas deste mês de janeiro agravaram ainda mais a crise hídrica, uma vez que os mananciais não foram repostos. “As condições de chuvas abaixo do normal, temperatura acima do normal e umidade abaixo do normal resultam numa taxa de evapotranspiração muito elevada, contribuindo ainda mais para o esgotamento da reserva dos mananciais. A evapotranspiração é a água que é consumida pela atmosfera e que nem sempre retorna ao mesmo local de origem. Assim, essa variável também deve ser contabilizada na análise da crise hídrica atual e não somente a chuva, explica o docente da ESALQ.

Segundo o professor Sentelhas, para recuperar o nível dos mananciais, que hoje está abaixo dos 10% na média do Estado, será necessário pelo menos três anos chovendo acima da média, mas essa questão não está relacionada apenas com as condições climáticas, mas também com o consumo. “Lógico que se houverem chuvas excepcionais nos próximos meses, poderemos ter uma recuperação mais rápida, porém não é isso que indicam as previsões climáticas para o próximo trimestre. O problema é que a quantidade de chuva na média é a mesma, os reservatórios são os mesmos desde a década de 1960 e o consumo aumentou exponencialmente nesses últimos 50 anos. Nesses cenários, qualquer anomalia do clima irá gerar uma crise hídrica, especialmente quando tal condição se estende por mais de 12 meses, como vem ocorrendo desde o final de 2013. O que podemos concluir de tudo isso é que os problemas estão no planejamento e na gestão. No planejamento pois pouco tem sido feito nos últimos anos para se aumentar a capacidade de armazenagem de água e de gestão pela lentidão das ações de racionalização do uso da água em um cenário como deste último ano, encerra Sentelhas. | Caio Albuquerque.

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