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Após 5 anos, o que falta para a China?

O ingresso da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) foi crucial para a implementação de reformas necessárias ao seu crescimento, mas há muito a ser feito. A China precisa enfrentar enormes desafios e implementar reformas ainda mais profundas para permitir que o país continue crescendo de forma sustentada.

Os avanços são claros, assim como os desafios que deverão ser enfrentados pelo gigante asiático. As reformas implantadas para o ingresso na OMC e ao longo dos 5 anos seguintes marcaram o início de um período de extrema importância para China. Vale lembrar o gigantesco salto de seu volume de comércio internacional a partir de 2001. A lista de reformas é conhecida, mas sua implementação exige a superação de enormes obstáculos.

A demanda por recursos energéticos continua em expansão, ainda que já seja possível observar maior otimização destes recursos. O desafio energético deverá ser resolvido com a implantação de um programa governamental que contemple uma vasta gama de medidas e soluções. A China busca novos fornecedores para, assim, evitar a dependência concentrada em grupo reduzido de países. O projeto da hidrelétrica de Três Gargantas reflete o esforço do país em buscar atender sua crescente demanda doméstica por meio de fontes de energia que diminuam a emissão de gases nocivos ao ambiente, uma vez que a matriz energética chinesa é concentrada em carvão. No entanto, este é apenas um dos diversos projetos na pauta chinesa que inclui, ainda, projetos na área de energia nuclear e fontes alternativas de energia como eólica, biodiesel e álcool.

O governo chinês precisará criar um modelo que permita manter o crescimento econômico, atrair novas plantas produtivas, implementar projetos de infraestrutura e, concomitantemente, combater a grave degradação ambiental hoje em curso no país. Como controlar o impacto ambiental sem que tal controle impeça ou crie entraves ao crescimento econômico?

Para construir uma sociedade harmoniosa e enfrentar o desafio gerado pelo rápido envelhecimento de sua população, é importante desenvolver um sistema previdenciário eficaz. E mais, para estimular o crescimento do mercado consumidor doméstico e reduzir a dependência chinesa do comércio internacional, o governo chinês precisará estimular a redução do antigo hábito chinês de poupar.

O crescimento econômico chinês contribui para o aumento das desigualdades sociais, afastando a camada mais pobre da população das demais. Como levar o crescimento econômico ao campo? Como impedir redução de renda das camadas mais pobres?

A abertura “completa” do sistema financeiro da China, iniciada no último dia 11, é um passo significativo para criação de um sistema sólido, competitivo e transparente que permitirá maior eficiência na alocação de capitais e diversificação de risco. Mas até que ponto o governo chinês permitirá o livre ingresso da concorrência internacional no setor?

Até quando a China dependerá do mercado de capitais de outros países? A criação de ambiente jurídico estável e de regras de competição que estimulem ainda mais o desenvolvimento do setor privado chinês é extremamente necessária para o futuro da China. O ambiente de competição permitirá que empresas privadas possam quebrar o monopólio estatal em diversos setores e impulsionar ainda mais o crescimento da economia chinesa. Ademais, a segurança jurídica servirá como estímulo para que empresas de diversos países do mundo continuem, talvez ainda mais intensamente, a transferir suas linhas de produção para a China.

É possível que a nova fase que se inicia após o período de 5 anos de ingresso na OMC, quando novas aberturas foram implementadas em razão dos compromissos assumidos no protocolo de acessão, seja marcada pelo desenvolvimento do mercado financeiro chinês, com a intensificação da competição no setor como conseqüência da expansão das atividades dos grandes bancos internacionais. Muitos acreditam que o sucesso ou fracasso desta abertura definirá o futuro da economia do país. De qualquer forma, novas oportunidades surgem com este processo, incluindo o crescimento da demanda chinesa por produtos e soluções em tecnologia bancária capazes de garantir maior competitividade aos bancos chineses.

Quanto à performance comercial chinesa, é possível imaginar que caso a China continue apresentando gigantesco crescimento do seu saldo comercial (já próximo de US$160 bilhões), uma forte pressão internacional, como ainda não verificada, poderá ser iniciada com o objetivo de valorizar o Renminbi.

A insistência do governo chinês em administrar o câmbio poderia resultar em movimento protecionista principalmente dos países desenvolvidos. De qualquer modo, será interessante observar o comportamento da China perante a OMC e seu desempenho comercial, bem como acompanhar os desdobramentos das próximas reformas previstas. | . Por: Rodrigo Maciel, secretário executivo do Conselho Empresarial Brasil-China

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