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10/10/2013 - 07:49

A África continua a crescer com força mas pobreza e desigualdade permanecem elevadas

Washington – O crescimento econômico na África Subsaariana (ASS) continua forte, com previsão de 4,9% para 2013. Quase um terço dos países da região está crescendo a uma taxa de 6% ou mais, e os países africanos encontram-se entre os de mais rápido crescimento do mundo, de acordo com a nova edição de Africa’s Pulse (O Pulso da África) uma análise publicada semestralmente pelo Banco Mundial sobre temas ligados às perspectivas econômicas da África.

Estimulado pelo crescimento do investimento privado na região e por remessas que atingem agora USD 33 bilhões por ano, o PIB da África deve continuar a subir para 5,3% em 2014 e 5,5% em 2015. Fortes investimentos por parte dos governos e maiores produções nos sectores dos recursos minerais, agricultura e serviços, estão apoiando o crescimento econômico.

Enquanto as taxas de crescimento continuam a subir, tornando a região cada vez mais atraente para o investimento e o turismo, Africa’s Pulse chama a atenção que a pobreza e a desigualdade se mantêm “inadmissivelmente elevadas e o ritmo da sua redução é demasiado lento.” Quase um em cada dois africanos vive atualmente em pobreza extrema. Otimistamente, essa taxa cairá para entre 16% e 30% até 2030. O relatório sugere que em 2030, a maioria dos pobres do mundo estará na África.

“Sustentar, a longo prazo, o forte crescimento da África, reduzindo simultaneamente e de forma significativa a pobreza e reforçando a resiliência à adversidade, poderá ser uma tarefa difícil devido às muitas incertezas, internas e externas que os países africanos enfrentam” diz Makhtar Diop, vice-presidente do Grupo Banco Mundial para África. “Na África, os desastres naturais, como as secas e as inundações, estão ocorrendo com maior frequência, e simultaneamente continua presente a ameaça de conflitos. Os recentes eventos na República Centro Africana e no Mali reforçam a necessidade de paz, segurança e desenvolvimento. É por isso que o Grupo Banco Mundial empenhou um bilhão de USD, em maio deste ano, para ajudar a levar de novo a paz e o desenvolvimento à Região dos Grandes Lagos, através de melhores serviços de saúde e educação, mais empregos e comércio transfronteiras, e mais eletricidade. Levaremos esta mesma mensagem de paz, segurança e desenvolvimento aos países do Sahel, no decorrer das próximas semanas.”

Em resultado da crise financeira global e a constante volatilidade climática no continente, um número crescente de países africanos está criando redes de segurança social para proteger a saúde e a subsistência dos mais pobres e vulneráveis, em períodos de adversidade. Africa’s Pulse refere que as redes de segurança social podem proteger as famílias dos efeitos mais nefastos das crises e também contribuem para o crescimento, permitindo aos cidadãos aumentarem os seus rendimentos.

O crescimento da África se assenta em fortes investimentos privados. A formação bruta de capital fixo na região tem aumentado gradualmente de cerca de 16,4% do PIB em 2000 para cerca de 20,4% em 2011. O aumento do investimento tem contribuído diretamente para o crescimento econômico e ajudado também a incrementar a capacidade produtiva da economia da região.

Cada vez mais projetos de infraestrutura estão receber financiamento de outras fontes, como a China mas também, e cada vez mais, do Brasil e da Índia, segundo indica a análise.

Traduzir o crescimento em um grau de pobreza muito menor-Apesar de um forte crescimento, os progressos da África para conseguir que o crescimento se traduza numa pobreza consideravelmente menor têm sido lentos e prejudicados por grandes desigualdades.

“A África cresceu, na última década, mais depressa que a maioria das outras regiões, mas o impacto na pobreza está muito abaixo do que desejaríamos. O crescimento na África não tem tido tanta capacidade para reduzir a pobreza como seria de desejar, devido aos níveis elevados de desigualdade. O crescimento com equidade é possível, mas requer uma redução da desigualdade, tanto em resultados como em oportunidades,” diz Francisco Ferreira, Economista Chefe Interino para a Região África do Banco Mundial.

Os destinos turísticos continuam a prosperar em toda a África: a entrada de turistas na região subiu 4% em comparação com o mesmo período do ano passado. Entre os destinos para os quais estão disponíveis dados trimestrais, os de melhor desempenho foram Cabo Verde (crescimento de 18%), seguido de Seicheles (13%), África do Sul (4%), Suazilândia (2%), e Ilha Maurício (mais 1%).

Africa’s Pulse refere que as exportações da África Subsaariana se têm mantido concentradas num número reduzido de produções, como o petróleo, metais e minerais. Em toda a região os países têm diversificado os seus parceiros comerciais, e os países BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – representam agora 36% das exportações da região. Estas exportações atingiram USD 144 bilhões em 2012, quase o mesmo nível das exportações da África para a União Europeia e para os Estados Unidos, que somaram USD 148 bilhões.

“Mas uma elevada dependência de uma ou de poucas matérias-primas torna os países africanos ricos em recursos vulneráveis a bruscas oscilações nos preços desses produtos,” diz Punam Chuhan-Pole, Economista Principal do Banco Mundial para a Região África, e autor do relatório Africa’s Pulse.

A Região precisa de melhores estatísticas-De acordo com Africa’s Pulse, à medida que o continente se aproxima do centro do palco na luta global contra a pobreza, os países precisarão investir no melhoramento da sua débil capacidade estatística, para melhor poderem identificar e dar resposta às suas estimativas de pobreza e de contabilidade nacional.

Estatísticas confiáveis, regulares, são essenciais para aferir o progresso no desenvolvimento e fazer análise política, mas em África as estatísticas são escassas, razão pela qual o Banco Mundial está duplicando o seu apoio aos países para melhorarem a qualidade e a frequência dos seus dados e estatísticas.

O novo relatório afirma que a tecnologia pode ajudar. Por exemplo, a proliferação de telefones móveis na África Subsaariana poderia ser utilizada para recolher, com grande frequência, dados atualizados sobre as famílias, o que por seu turno pode ser usado para calcular tendências de pobreza. Estatísticas agrícolas, como resultados das colheitas, podiam ser melhoradas com aparelhos manuais econômicos de GPS (Global Positioning System). [www.worldbank.org/afr].

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