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14/06/2012 - 09:23

Rio+20: Itaipu viabiliza autonomia energética para agricultores familiares

Um grupo de 33 agricultores familiares, voltados principalmente à pecuária leiteira, suinocultura e cultivo de milho, é beneficiado por um projeto desenvolvido por vários parceiros, entre eles a Itaipu Binacional.

Em regime de condomínio, eles produzem a energia térmica e elétrica a partir do biogás de dejetos da agropecuária. De quebra, promovem o saneamento ambiental da região, sequestram gases do efeito estufa, geram biofertilizante e fazem a secagem de grãos. Futuramente, poderão também abastecer veículos rurais com o biogás, através de uma adaptação equivalente à do GNV (gás natural veicular).

O projeto foi desenvolvido pela Itaipu Binacional, junto com a Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI), a Emater (órgão de assistência técnica e extensão rural do governo do Paraná), a Prefeitura de Marechal Cândido Rondon, e conta com avaliações técnicas da equipe da Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia (Santa Catarina).

Cerca de R$ 3,8 milhões foram investidos no projeto, o que permitiu a instalação de biodigestores em todas as propriedades e de 25,5 quilômetros de gasodutos entre elas e uma microcentral termoelétrica a biogás. A infraestrutura inclui também um sistema de armazenamento de biogás, filtros de purificação (para obtenção de biometano com 95% de pureza, semelhante ao GNV), secador de grãos e grupo motogerador de 75 kW.

Com toda a parte de obras e de instalação elétrica concluídas, a Coperbiogás (cooperativa criada para administrar o Condomínio de Agroenergia para a Agricultura Familiar da Sanga Ajuricaba) está pronta para conectar a energia elétrica gerada à rede de distribuição e com isso poder vender a eletricidade gerada.

Para isso, só está faltando uma chamada pública da concessionária local, a Copel. “A infraestrutura que temos comporta mais três motogeradores iguais ao que está instalado, podendo chegar a quase 300 kWA, o que equivaleria a uma potência de um megawatt. A medida que recebermos a remuneração pela eletriciade gerada, poderemos viabilizar a entrada no sistema de outros produtores rurais da vizinhança”, afirma Gedson Vargas, presidente da Coperbiogás.

Números -Com um rebanho de cerca de mil cabeças de bovinos e 3 mil de suínos, o condomínio gera cerca de 15,8 mil metros cúbicos de dejetos por ano. Durante o processo de decomposição, esses dejetos produzem 266,6 mil metros cúbicos de biogás/ano, que por sua vez produzem 445 mil kWh/ano, quantidade de energia suficiente para abastecer cerca de 2.200 residências de porte médio.

Em cada propriedade há um medidor que indica a quantidade de biogás enviada à microcentral, permitindo um rateio proporcional das receitas geradas com a venda de energia. Mas esse não é o único benefício econômico do projeto. Com o secador de grãos, por exemplo, eles não precisam mais enviar sua produção a uma cerealista. Podem, inclusive, prestar serviços de secagem a outros produtores da região.

O biogás gerado também pode ser utilizado para outros fins nas propriedades, como aquecimento de água, cozimento de alimentos, esterilização de equipamentos, acionamento de motores, enfim, para elevar a eficiência energética. Outra aplicação econômica que tem sido objeto de estudos é o uso do biometano como combustível para veículos leves e pesados, de movimentação de safras.

Outro produto da biodigestão dos dejetos, o fertilizante, é rico em Nitrogênio, Fósforo e Potássio, o que representa a possibilidade de se aumentar a produtividade. Aplicado sobre pastos, o biofertilizante induz um crescimento mais rápido da pastagem e consequentemente melhora a alimentação do gado, que assim produz mais leite. Nos últimos 12 meses, um dos produtores do Ajuricaba, o produtor Pedro Regelmeier, economizou R$ 2.500 em fertilizantes minerais e aumentou em R$ 1.800 a renda com o leite, um impacto significativo nas receitas de um agricultor familiar. Ele ainda substituiu o gás de cozinha pelo biogás em sua residência.

“O biogás constitui um novo produto do meio rural. Em torno dele, surge uma cadeia local de suprimentos e demandas que gera desenvolvimento. O eletricista e o mecânico, os vendedores e prestadores de serviços, os produtores individuais ou cooperados, todos se beneficiam dessa nova realidade obtida com a geração de energia e a eficiência energética a partir do biogás, fonte renovável hoje desperdiçada”, afirma o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu, Cícero Bley Júnior.

A Itaipu vem trabalhando nos últimos anos para o desenvolvimento do biogás como um produto da economia rural, agroindustrial e urbana, constituindo uma rede de unidades de demonstração, que inclui granjas e frigoríficos de grande porte, além de uma estação de tratamento de esgoto, todas localizadas no Extremo Oeste do Paraná. “Com essas iniciativas, a Itaipu demonstra que é possível transformar um problema, que são os dejetos produtores de gases do efeito estufa, em uma solução que não só melhora as condições do meio ambiente como gera renda para famílias do meio rural”, garante o diretor-geral da Itaipu, Jorge Miguel Samek.[www.itaipu.gov.br].

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