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03/03/2012 - 12:43

Produção de Shale Gas ganha força no cenário mundial, aponta estudo da KPMG

O aumento da produção do Shale Gas (gás natural produzido a partir do xisto), nos próximos anos, pode mudar o mercado de energia no mundo e torná-lo a principal fonte de energia renovável. Os dados fazem parte de um estudo feito pelo Instituto de Energia da KPMG Global que destaca o potencial do produto para transformar a indústria mundial já que pode tornar alguns países autossuficientes e mudar o cenário atual de oferta e demanda de energia. O levantamento coloca o Brasil, num futuro próximo, no segundo lugar como o maior produtor do insumo depois dos Estados Unidos.

O estudo da KPMG aborda ainda o estado atual de desenvolvimento e crescimento do insumo em vários países do mundo, incluindo o Brasil, e constatou que 93% dos executivos entrevistados sobre o assunto acreditam que as empresas no mundo estarão dispostas a investir no desenvolvimento desse insumo e que 77% concordam que o termo "mudanças no jogo” (game changer) aplica-se a essa realidade numa referência à mudança de papéis entre importador para exportador. De acordo ainda com a pesquisa, a demanda por essa fonte de energia será impulsionada por dois fatores: o aumento da população mundial e o crescimento da demanda de energia que, em 2030, será 40% maior, de acordo com dados divulgados pela Agência Internacional de Energia (AIE).

“O shale gas está tornando o mercado mundial de energia mais competitivo e ampliando presença em vários países, uma vez que novas tecnologias para a extração estão sendo desenvolvidas. A produção poderá transformar países que tradicionalmente importam gás em produtores. E várias empresas vêm demonstrando a intenção de utilizar o insumo como forma de abastecer as suas unidades”, analisou Manuel Fernandes, sócio da KPMG no Brasil e líder para a área de Petróleo e Gás.

O levantamento identifica detalhadamente as condições atuais e as perspectivas para a produção do shale gas no Brasil, Estados Unidos, Canadá, Argentina, Austrália, China e alguns países da Europa Oriental e Ocidental. A pesquisa esmiuça os cinco principais riscos que poderiam afetar a viabilidade da produção desse insumo e ainda traz um mapa com a distribuição global desse recurso e a reserva estimada em cada um desses paises.

Em relação ao Brasil, o levantamento afirma que o país tem potencial para ser o segundo maior produtor depois dos Estados Unidos, mas destaca que tem havido pouco interesse e falta de investimento na exploração do recurso. Segundo a AIE, o Brasil aparece em 10° lugar entre os países produtores de shale gas no mundo com reservas estimadas de 226 trilhões de metros cúbicos. Depois dele, aparecem apenas a Polônia e a França. Nas três primeiras posições estão a China (1.275 trilhões de metros cúbicos), Estados Unidos (8620) e Argentina (774). Segundo as previsões do Energy Information Administration (EIA) norte-americano, a produção de shale gas nos Estados Unidos vai quadruplicar entre 2009 e 2035.

“Um dado interessante apresentado no estudo é que alguns países, como a China, estão dispostos a promover a produção do shale gas, a fim de se tornar mais autossuficientes e para atender às demandas crescentes da energia. Na Argentina, ele vem sendo apontado como uma opção para reduzir os problemas de racionamento. Aqui no Brasil, a produção vem sendo na ordem de 14 mil toneladas por ano, em média, nos últimos 10 anos, demonstrando o baixo investimento na produção deste recurso”, analisa Manuel Fernandes.

Apesar de aparecer de forma abundante em alguns países, ser mais barato do que o gás natural e considerado o combustível da transição de uma matriz energética suja para uma mais limpa por reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o shale gas ainda enfrenta resistência em algumas regiões. O levantamento elenca os riscos ambientais que podem ser encontrados durante o processo de fraturamento hidráulico que é feito para a extração do gás.

.[ Para ter acesso aos dados do estudo “ Shale Gas – A Global Perspective” (em inglês), visite o endereço: http://www.kpmg.com/Global/en/IssuesAndInsights/ArticlesPublications/Documents/shale-gas-global-perspective.pdf ].

Fatores de sucesso: . Fornecimento – Deve ser grande o suficiente para justificar o enorme investimento de tempo e dinheiro necessários para extração e exploração do gás.

.Demanda – O preço do gás natural em relação a outras fontes de energia irá definir se os investimentos de longo prazo necessários para o desenvolvimento irão trazer retorno.

. Infraestrutura - A produção e a distribuição exigem mais do que a perfuração de poços. A produção deve ser atendida por estradas e oleodutos e facilidades de processamento e transporte são necessários para que ele seja distribuído através de transporte marítimo.

.Regulamentação - Subsídios, regime regulatório e licenças do governo para exploração são essenciais para as empresas que querem desenvolver o produto em larga escala.

.Risco de reputação - Enquanto a segurança ambiental da produção ainda está em estudo, os desenvolvedores do shale gas estão encontrando forte oposição de grupos ambientalistas.

.Contexto político – Questões políticas poderiam alterar as relações entre os países já que o produto poderá tornar algumas regiões autossuficientes, obrigando os exportadores do petróleo e gás tradicionais a reagirem a mudança no mercado.

Cinco principais riscos que poderiam afetar a viabilidade da produção do Shale Gas: 1. O aumento do preço do gás natural na América do Norte ainda não foi definido. Atualmente, o fornecimento excede a procura.

2. Ainda não se sabe como o desenvolvimento do shale gas irá impactar o investimento em fontes de energia renovável?? e quanto a regulamentação ambiental das atividades relacionadas a produção deste insumo vai atrair de investimento.

3. Com a incerteza de preços, o gerenciamento de custos e riscos de financiamento são as principais prioridades para a indústria.

4. O nível de desenvolvimento futuro do gás dependerá de capacidade da indústria para controlar a de reputação e gerenciar a opinião pública, minimizando o impacto ambiental.

5. A influência dos fatores políticos em função da mudança na oferta e na demanda na geração de energia mundial causada pela entrada do shale gas no mercado.

Estados Unidos -Há sinais de que os Estados Unidos estão prestes a se tornar jogador importante no mercado global de gás natural, deixando de ser importador para ser exportador. Atualmente, eles têm atividade de produção de shale gas em grande escala em locais como Pensilvânia, Louisiana e Texas, e com novas reservas descobertas em Marcellus e Eagle Ford. Hoje, o país depende do petróleo, gás e carvão. Tecnologias de energia renovável como solar, eólica, geotérmica e biomassa estão ganhando força, mas ainda não são viáveis ??em um nívelde utilidade pública para desempenhar um papel significativo na geração de energia do país.

Canadá -Com as fontes convencionais de gás natural em declínio, a indústria do país está se voltando para fontes não-convencionais, incluindo o shale gas. O Canadá é o terceiro maior produtor mundial de gás natural, com uma produção média anual de 6,4 trilhões de metros cúbicos. O país é tradicionalmente conhecido por possuir reservas significativas de gás convencional, e foi um dos principais fornecedores de gás natural por décadas para os Estados Unidos até o boom recente de shale gas no país, ficando agora atrás dos Estados Unidos no desenvolvimento desse recurso. Enquanto a produção comercial em grande escala de shale gas no Canadá ainda não começou, muitas empresas estão agora explorando e desenvolvendo recursos em locais como Alberta, British Columbia, Quebec e New Brunswick.

Argentina -Levantamento preliminar na América do Sul sugere que os maiores depósitos de shale gas encontram-se em países como Argentina, Brasil e Colômbia. Mas a Argentina é o único país sul-americano que parece ter definido investir na produção em grande escala do produto, principalmente, na Bacia de Neuquén. Em uma pesquisa de 2011, realizada pela KPMG no país com executivos de petróleo e gás, a maioria dos entrevistados disse que espera que a produção de shale gas ocorra entre três a cinco anos. A maioria dos projetos de shale gás no local está sendo realizada através de joint ventures, com a participação de grandes empresas de energia global.

Europa Ocidental-Na Europa Ocidental, quantidades consideravelmente grande ?de shale gas e outras fontes de combustíveis não-convencionais podem ser encontradas em países como o Reino Unido, Holanda, Alemanha, França, Escandinávia e Noruega. A atividade de exploração está ocorrendo através de joint ventures entre empresas. Apesar disso, a perspectiva de produção em larga escala ainda permanece duvidosa. Investidores europeus estão assistindo os Estados Unidos se decidir se vão desenvolver suas capacidades como um exportador de gás natural.

Europa Oriental -O potencial de desenvolvimento do shale gas da Polônia é alto, enquanto que a Turquia e a Ucrânia têm apenas alguma probabilidade. A predominância da Rússia na produção de gás convencional é considerada um obstáculo para as empresas que procuram desenvolver a capacidade de produção do shale gas na região. Em última análise, o futuro da produção desse recurso na Europa está na decisão dos produtores dos EUA em decidir desenvolver o seu potencial para exportar gás natural liquefeito para mercados europeus.

Austrália -A Austrália é um dos países mais ricos do mundo quando se trata de fornecimento de gás convencional, e empresas do país também têm feito investimentos significativos na produção de gás de carvão. O principal motor de crescimento é a oportunidade de vender gás no mercado internacional através de instalações de GNL. Além disso, o shale gas da Austrália está localizado em áreas distantes, tornando ainda mais cara a comercialização. Especialistas acham que a produção significativa de shale gas na Austrália vai enfrentar desafios como falta de tecnologia de perfuração e escassez de mão de obra.

China -Em 2010, o governo chinês começou a produção de shale gas. Embora não existam estatísticas oficiais, estima-se que a China tenha mais de 1,275 tri de metros cúbicos de depósitos do recurso. O produto pode ser considerado a maior fonte chinesa de energia on-shore. E o país está procurando desenvolvê-lo com o objetivo de diminuir a dependência da Rússia e de outras fontes estrangeiras de gás natural. A meta do país é suprir grande parte de suas necessidades de fontes alternativas de energia até 2020. Como parte desta estratégia, a China busca parcerias com empresas estrangeiras, a fim de ajudar a adquirir as habilidades e as tecnologias necessárias para desenvolver e explorar suas reservas de shale gas.

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