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10/02/2012 - 08:18

Coppe desenvolve novas técnicas para monitorar bacias da Amazônia

Pesquisadores da Coppe/UFRJ desenvolveram novas metodologias para aperfeiçoar o monitoramento das grandes bacias hidrográficas da Amazônia, a partir de modelagens computacionais com alto grau de precisão. Tais tecnologias tornam possíveis fazer previsões de cheias e vazões mais confiáveis, permitindo maior controle dos impactos causados pelo desflorestamento e pelas mudanças climáticas, que poderão alterar a disponibilidade das águas dos rios da bacia amazônica, afetando a biodiversidade e a produção hidrelétrica na região.

Os professores do Programa de Engenharia Civil da Coppe, Otto Corrêa Rotunno Filho e Webe João Mansur, um dos coordenadores do estudo, explicam que as metodologias desenvolvidas integram dados obtidos por satélites, com ênfase naqueles oriundos da altimetria espacial - técnica que mede a elevação da superfície de espelhos d'água-, para calibrar de forma automática os modelos hidrológicos, do tipo chuva-vazão.

Fruto da tese de doutorado defendida na Coppe pelo engenheiro Augusto Cesar Vieira Getirana, os resultados do estudo indicam que a altimetria espacial tem potencial para complementar a atual rede de coleta e aquisição de dados hidrológicos realizadas diretamente no local. Hoje, a coleta tem uma série de carências e acaba limitando a melhor compreensão do ciclo da água da Amazônia. Mas, de acordo os professores da Coppe, isso pode ser amenizado com o uso de dados altimétricos espaciais, entre outros igualmente obtidos a partir de satélites de observação da Terra, proporcionando uma maior abundância de dados.

Para realizar os testes, Augusto fez simulações dos processos hidrológicos da bacia do rio Negro que, além de ser o segundo maior afluente em termos de vazão do rio Amazonas, é de grande importância econômica e social por beirar, entre outras cidades, Manaus, capital do estado do Amazonas e maior cidade da região. O aluno da Coppe explica que o rio Negro tem uma área de aproximadamente 712 mil km2, dos quais 21,5% estão sujeitos a inundações e a secas, o que resulta em grandes impactos na vida da população ribeirinha, em períodos de cheias e estiagens. “A previsão de vazões de longo prazo na Amazônia, por meio de modelos hidrológicos adequadamente calibrados, poderá ser de grande utilidade para essas comunidades, viabilizando alertas antecipados em relação às cheias, reduzindo danos econômicos e sociais causados pelas águas”, completa.

Com esse estudo, Augusto Cesar Vieira Getirana, conquistou o Grande Prêmio Capes de Tese 2010. Além dos professores Otto Corrêa e Webe Mansur, o aluno teve como orientador a pesquisadora Marie Paule Bonnet, da Universidade Paul Sabatier/Toulouse III (França).

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