Portal Fator Brasil 
Página Inicial
PORTAL MÍDIA KIT BOLETIM TV FATOR BRASIL PageRank
Busca: OK
CANAIS

20/01/2011 - 09:16

Confea solicita reunião extraordinária do Conselho Nacional de Defesa Civil

Profissionais de Engenharia querem discutir medidas imediatas e plano de prevenção de tragédias.

Brasília - O presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), Marcos Túlio de Melo, solicitou hoje, ao ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, uma reunião extraordinária do Conselho Nacional de Defesa Civil, do qual é membro. O objeto da reunião, conforme sugere em ofício expedido nesta tarde, é analisar as medidas tomadas pelos órgãos municipais, estaduais e nacionais em relação às consequências das chuvas no sudeste, bem como a definição de diretrizes para um plano nacional de prevenção de tragédias.

No dia 18 de janeiro (terça-feira), o presidente do Confea esteve reunido ontem com os presidentes dos Creas do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco, com o objetivo de definir ações concretas do Sistema Confea/Crea para atender à situação emergencial existente na região sudeste, decorrentes das grandes chuvas e inundações.

Marcos Túlio explica que a próxima providência a ser tomada pelo Confea será colocar na pauta da sessão plenária, no próximo dia 26, a urgência para que os quatro Creas da região sudeste possam acessar uma linha de financiamento com o intuito de ajudar na mobilização dos profissionais junto às comunidades afetadas, prefeituras e governos estaduais. Além disso, será proposta a recuperação do projeto aprovado em 2010, na qual o Confea disponibiliza recursos para que os demais Creas possam atuar em situações semelhantes.

A segunda ação a ser adotada será a inclusão do assunto na reunião extraordinária do Colégio de Presidentes no dia 27. “O objetivo é buscar uma visão dos presidentes dos Creas e, posteriormente, do plenário sobre a necessidade de estabelecer um procedimento do Sistema para enfrentamento de situações como essa”, explica Marcos Túlio. O procedimento, segundo ele, deverá contemplar também as parcerias com entidades de classe e inspetorias para definição do que precisar ser feito. “Isso porque quem vai estar no momento do evento será o inspetor ou o presidente da entidade local”.

Marcos Túlio explana que o procedimento deverá abarcar, entre outros fatores, a análise de propostas para o estabelecimento de um sistema de prevenção mais competente no país. “Existem estados que já possuem alguma coisa e outros que não têm absolutamente nada. Em nível do país, nós ainda não temos uma articulação clara de um projeto de prevenção de desastres ambientais”, afirma.

Uma análise - Hoje, há um número enorme de ocupação de áreas inundáveis e de risco geológico. “Por quê?”, indaga Marcos Túlio. “A nossa falta de planejamento levou à expansão urbana que saiu de 20% de ocupação para cerca de 85%, sem planejamento, concentrando pessoas em áreas que geram grandes problemas como esse”. Segundo ele, a política urbana brasileira, com rápida expansão, não teve planejamento adequado e eficácia na fiscalização. Nesse sentido, uma política de remoção será inevitável. “Por exemplo, a Serra do Mar. Especialistas disseram que a possibilidade de ocorrência de escorregamento na Serra do Mar é de 100%. Isso significa que em nenhuma hipótese essas áreas podem estar ocupadas”, ressalta.

Em sua opinião, não basta o planejamento urbano. “O planejamento tem de ser territorial, municipal, estadual e federal”. Além disso, não bastam ações emergenciais e pontuais. “É preciso planejamento de longo prazo”, ressalta. Como exemplo, lembra dos diques construídos nos municípios de Januária e Pirapora (MG). “Eles não tiveram manutenção. E o que vai acontecer? Basta ter uma incidência maior de chuva, como previsto para os próximos 20 anos e poderá inundar tudo”, alerta.

“É um questão de decisão política e de alocação de recursos”, define. “O governo está pensando em resolver um problema político. Nós precisamos resolver um problema que também é técnico e social de uma gravidade e de um nível de investimento onde se fala em 2 trilhões de dólares somente para as medidas preventivas”.

Encontro de Lideranças - O tema também deverá ser tratado no Encontro de Lideranças do Sistema Confea/Crea, de 21 a 25 de fevereiro, em Brasília/DF. “Se possível, traremos experiências internacionais para o debate. Segundo ele, um dos palestrantes cotados para debater o tema será o ex-presidente da Federação Mundial das Organizações de Engenharia, também coordenador da Defesa Civil, na Austrália. Nesse país, o modelo de prevenção contra inundações existente fez com que o número de mortos fosse bem menor que no caso brasileiro. Naquele país, o número de mortos é de cerca de 20 pessoas, ao passo que as enchentes desse ano na região sudeste do Brasil já levaram a mais de 700 mortos. [www.confea.org.br].

Enviar Imprimir


© Copyright 2006 - 2019 Fator Brasil. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Tribeira

 Consulta inválida: