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18/11/2010 - 07:01

Diretor da Petrobras defende investimentos em refinarias para evitar dependência externa


Rio de Janeiro - O Brasil pode alcançar em 2013 a autossuficiência em derivados de petróleo, como gasolina e óleo diesel, mas, para isso, precisa garantir investimentos em refinarias. O alerta foi dado no dia 17 de novembro (quarta-feira), pelo diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Segundo ele, a prioridade da companhia é atender ao consumo interno, que tem avançado a taxas superiores às do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

“Pela experiência nossa nos últimos anos, a demanda de derivados, normalmente, é menor que o crescimento do PIB. Este ano, pelo crescimento da economia e pela participação da população em termos de consumo e demanda, para um crescimento do PIB projetado de 7,3%, a demanda por derivados já está em 10% [em relação ao ano passado]. Se isso se repetir nos próximos anos, obviamente, nós vamos ter um mercado muito mais agressivo e demandador do que nós temos hoje.”

Paulo Roberto não precisou se o crescimento de 10% no consumo foi atípico ou poderia se repetir nos próximos anos. Ele disse que a empresa está fazendo suas refinarias para um crescimento médio do PIB de 4,1% e ressaltou que, se o avanço for maior do que isso, haverá reflexos na demanda de derivados. “O que é muito bom, pois significa que o país está crescendo”.

Ele destacou que as 12 refinarias instaladas no país estão operando com 90% da capacidade, acima do nível médio mundial, o que deixa uma pequena margem para eventuais correções de problemas e paradas de manutenção. Entre 2010 e 2014, a estatal planeja investir, só em refino, US$ 73,6 bilhões.

“Hoje, a capacidade de refino já não atende à demanda de mercado. Isso mostra com clareza a decisão acertada da Petrobras de fazer novas unidades de refino. Sabemos que o mercado vai continuar crescente, então, não há como não fazer. Se nós não fizermos novas refinarias, significa que o Brasil vai ser um enorme importador de derivados, com custo muito alto, com prejuízo para a Petrobras e com um prejuízo extremamente grande na balança de pagamentos do país”, disse o diretor da estatal.

Costa defendeu a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, prevista para operar em 2013 com óleo brasileiro superpesado e também com petróleo da Venezuela, da estatal PDVSA, sócia do empreendimento, que custará US$ 13,3 bilhões. “Não tem altos custos na Abreu e Lima. São os custos justos, pelo tamanho da refinaria, pela complexidade e pelo tipo de óleo que ela vai processar.”

A refinaria terá duas linhas de produção, chamadas tecnicamente de trens, uma para o petróleo brasileiro e outra para o venezuelano, mais rico em enxofre. Caso não se concretize o aporte de investimentos da Venezuela, a Petrobras deixaria de comprar a unidade de processamento do enxofre, o que representaria uma economia de US$ 400 milhões, e usarias as duas linhas para refinar o insumo nacional. “Essa decisão não precisa ser tomada agora, porque nós vamos iniciar a operação em 2013 com o primeiro trem para processar petróleo brasileiro, e o segundo trem vem na sequência.”

Segundo estimativas da Petrobras, nos próximos dez anos, o Brasil deverá pular da 12ª posição no ranking mundial de consumo para o quinto lugar, atrás apenas de Estados Unidos, China, Japão e Índia. Em 2009, o país consumiu 1,94 milhão de barris de petróleo por dia, número que deverá chegar a 2,79 milhões de barris diários em 2020.|Vladimir Platonow/ABr

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