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05/10/2010 - 08:57

Exposição reúne documentos inéditos que resgatam a história da capital brasileira


Cartas, fotos e demais objetos foram gentilmente cedidos à exposição por pioneiros.A mostra exibe ainda vídeos com entrevistas com os primeiros habitantes da capital federal.

Quem passa hoje pelas largas avenidas da capital brasileira dificilmente consegue imaginar que este traçado urbano tem apenas 50 anos de idade. Que muitos dos motoristas que ainda transitam pela cidade ajudaram a construir ruas e monumentos com as próprias mãos, que a senhora que acena na faixa de pedestre pode ter sido a primeira enfermeira, a primeira professora da cidade. Tudo ainda é muito recente no Planalto Central. Mas tudo também é memória para quem veio para cá aceitando o convite do presidente Juscelino Kubitschek de erguer, no meio do cerrado, a capital do Brasil. Agora, esta gente anônima, feita de coragem e muito sonho, empresta seus relatos a uma exposição que promete emocionar. Cartas de Brasília, que poderá ser vista de 10 de outubro a 19 de dezembro, no Museu Vivo da Memória Candanga, apresenta cartas, fotografias, objetos dos pioneiros da cidade, sob o patrocínio dos Correios. Um material inédito que fala das aventuras e desventuras de quem ajudou a construir a cidade.

Sob curadoria das jornalistas e pesquisadoras Márcia Turcato e Tânia Ribeiro foram selecionados aproximadamente 150 documentos originais, entre cartas, fotografias, ofícios, objetos, cedidos pelos próprios pioneiros. O material faz parte de uma ampla pesquisa que as curadoras vêm desenvolvendo sobre os primeiros anos de vida da capital brasileira. Márcia e Tânia fizeram um levantamento dos pioneiros que ainda moram no Distrito Federal – com o auxílio da jornalista Prudenciana Ferreira (a Shanna) e da jornalista e produtora cultural Graça Ramos. Depois, os mesmos pioneiros indicaram outros colegas e personalidades conhecidas na época. Aos poucos, todos foram sendo entrevistados em vídeos que estarão sendo exibidos na exposição. Há ainda gravações sonoras feitas com ajuda da Rádio CBN. O resultado é um material que encanta o observador.

A exposição - Cartas de Brasília conta um pouco a história da capital brasileira sob uma ótica diferente, de uma gente comum, desconhecida. Em foco estão relatos que falam da poeira, da ventania, do canto das cigarras, de redemoinhos, enfim, histórias de candangos, de homens e mulheres empolgados com o desafio de fazer Brasília. São cartas escritas por mãos saudosas, cheias de esperança, ávidas de notícias e de mais histórias.

Será possível ver a carta recebida pelo Presidente JK de uma jovem pedindo emprego para o marido desenhista - hoje, essa jovem é uma renomada cardiologista e ele um grande arquiteto. Há ainda a carta de um jovem paisagista narrando o processo de preenchimento do Lago Paranoá com um fio de água, até chegar à forma monumental que ajuda a população do DF a enfrentar a secura e o sol. Carta com um pedido de casamento a um sogro distante e com direito a uma resposta afirmativa, consentindo o casamento, no tempo e hora adequados. Cartas, convites, narrativas de alfabetizadores e de religiosos, cartas da primeira parteira, do operário apaixonado.

Estarão em exposição a pequena caderneta de anotação de uma mãe preocupada em listar todos os cuidados dedicados ao filho recém-nascido, o caderno caprichosamente escrito como uma declaração de amor. Como dizem as curadoras, uma espécie de “Arca de amor, um baú de sonhos guardados em um caderno”. No texto que apresenta a exposição, Márcia e Tânia escrevem: “Tudo o que é para recordar está ali escrito, sempre com amor. Cartas, cartas e mais cartas contadas e cantadas no que veio de importante da alma dessas pessoas. O olhar não é o mesmo a partir de cada relato, de cada leitura. A cidade vai mudando e vamos amando cada vez mais”.

História resgatada pelas cartas.: Márcia Turcato e Tânia Ribeiro - “A iniciativa registra a importância da correspondência na vida de pessoas de todo o Brasil e revela uma Brasília amiga e receptiva na troca de informações entre os pioneiros e seus familiares, e identifica a carta como instrumento de trabalho vital adotado por Oscar Niemeyer para passar instruções a sua equipe de colaboradores. As cartas mostram também o estilo refinado adotado pelo presidente Juscelino Kubitschek para escrever aos amigos e servidores. Além de uma gramática impecável, o Presidente Bossa Nova dominava a prosa como ninguém.

O retorno no tempo em cinco décadas permite a todos, principalmente aos estudantes em idade de alfabetização, conhecer uma forma de comunicação – a carta, quase em desuso nos dias atuais, em que as tecnologias da informação revolucionam a grafia e as formas de tratamento. Nesse aspecto, o projeto Cartas de Brasília é uma importante experiência gramatical e um exercício de História.

O projeto Cartas de Brasília é uma homenagem aqueles que ajudaram a erguer a cidade e nela reinventaram suas vidas. Com a exposição das cartas, fotos e documentos diversos, o visitante tem contato com importantes personagens e com a história da capital da República e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), que foi quem possibilitou a troca de correspondência entre todos.

Nada mais emblemático para a ECT do que a carta de um jovem e pobre telegrafista, estudante de Medicina, adoentado, pedindo ajuda a um tio distante no tempo e na memória. Socorro respondido com outra carta, carregada de amor e de solidariedade com o filho do irmão, morto precocemente, pela mesma doença que então afligia o sobrinho. E este jovem seria o criador de Brasília, o futuro presidente do Brasil, o presidente JK.”

Cartas de Brasília, de 10 de outubro a 19 de dezembro de 2010, de terça a domingo, das 9h às 17h, no Museu Vivo da Memória Candanga, Via EPIA Sul SPMS Lote D – Núcleo Bandeirante – Brasília/DF. Entrada franca | Informações: (61) 3301-3590| Agendamento educativo: (61) 3272-4484 | Classificação Indicativa: Livre | Produção: 4 ART Produções Culturais| Patrocínio: Correios | Apoio: Caesb e Museu Vivo da Memória Candanga.

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