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08/05/2010 - 08:34

Brasil pode ser potência da economia de baixo carbono

A combinação de recursos naturais e de tecnologias criará oportunidades de aumento da produção e da renda no país, afirma especialista em desenvolvimento sustentável

Brasília- O Brasil pode ser uma das locomotivas para a transição da economia mundial à era do baixo carbono, porque possui riquezas naturais que permitem a adoção de fontes renováveis de energia e de variados produtos de biomassa. A afirmação é do economista franco-polonês Ignacy Sachs, fundador do Centro de Pesquisas do Brasil Contemporâneo na Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais, em Paris. Em evento realizado no dia 4 de maio (terça-feira), em São Paulo, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sachs avaliou o atual momento da economia e apontou alguns caminhos a serem trilhados pela indústria.

Ele considera que o mundo segue rumo a uma nova revolução industrial, baseada na saída ordenada da era do petróleo e a adoção de diversas formas de exploração da biomassa. O Brasil se destaca nesse cenário pelas vantagens naturais. “Já temos as vantagens naturais, basta associá-las à pesquisa e ao processo produtivo. A conjunção dessas bases é que vai dar ao Brasil vantagens comparativas”, destacou.

Diante de uma plateia formada por representantes das federações de indústrias de todo o país, o economista mostrou as vantagens da era do baixo carbono para as indústrias. As possibilidades começam desde a oferta de equipamentos necessários para extrair e processar biomassa, passando pela utilização dos diversos insumos oferecidos pela natureza, que podem ser aproveitados para fabricação de uma gama variada de produtos, como fármacos, cosméticos e outros.

Para o melhor aproveitamento desse potencial oferecido pela natureza, a indústria precisa investir na pesquisa. “A indústria tem um papel essencial na exploração sistemática de biomassas e biotecnologias modernas para aumentar a produtividade”, afirmou o economista.

Como exemplo de novas demandas geradas para a indústria ele citou a produção de equipamentos flutuantes capazes de processar matérias-primas oferecidas pela população ribeirinha do Amazonas, sem gerar desmatamento ou outro tipo de exploração predatória da natureza. Essa solução ajudaria o aumentar a renda e promover a inclusão social da população, promovendo o desenvolvimento sustentável da região. O conceito de desenvolvimento sustentável, do qual Sachs foi um dos formuladores, pressupõe não somente o crescimento econômico como a conservação do meio ambiente e a inclusão social.

Agenda da indústria - Dentro desse contexto de melhor aproveitamento dos recursos naturais, Sachs destacou a importância do uso múltiplo da biomassa respeitando cada bioma. “Aquilo que poderá ser produzido no Amazonas será diferente do que pode ser feito nas regiões semi-áridas”, explicou. Ele lembrou do exemplo de Petrolina, em Pernambuco, pólo produtor de frutas a partir de um projeto de irrigação em pleno Sertão, com o uso das águas do Rio São Francisco. “A CNI tem uma importante missão de discutir estratégias de desenvolvimento industrial baseadas no uso de biomassa para os diferentes biomas do Brasil. Como as indústrias se integram nesse modelo é a tarefa de casa para os próximos anos”, destacou Sachs.

Participaram da palestra Rumo à economia de baixo carbono – oportunidades para a indústria brasileira, apresentada por Sachs, a diretora de Relações Institucionais da CNI, Heloísa Menezes, e o gerente executivo de Cooperação Internacional da CNI, Renato Caporali. “O próximo ciclo de desenvolvimento da economia mundial terá dois grandes vetores, a inovação e a inclusão da grande base da população. Isso cria uma agenda vasta para a indústria”, destacou Caporali, que foi aluno de Sachs em Paris.

A engenheira da Área de Recursos Hídricos da Vale do Rio Doce, Maria de Lourdes Pereira dos Santos, que também assistiu à palestra, acredita que o baixo nível de escolaridade no Brasil é um dos grandes desafios para o país enfrentar o processo de transformação da economia, pois dificulta o envolvimento da população nos debates.

O diretor-adjunto da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Alexandre Kadota, considerou fundamental a necessidade de aproveitar os recursos naturais respeitando as características de cada bioma. “Sachs nos deixou uma grande lição de casa, que é fomentar o uso correto de nossos recursos. Não podemos comparar o Sudeste com a Amazônia”, disse.

Ele aproveitou o evento para lembrar dos trabalhos desenvolvidos em sua região, como a unidade flutuante do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), que há 30 anos, leva conhecimento e formação profissional para as pessoas que moram interior da floresta. “Já foram formados 43 mil alunos”, informou. A unidade é um barco que atraca às margens dos rios do Amazonas para dar aulas de educação profissional.

A palestra de Sachs é um dos eventos iniciais para a 2ª Conferência da Indústria Brasileira para o Meio Ambiente (Cibma), que ocorrerá em Salvador entre os dias 19 e 21 de maio. Na Conferência, representantes da indústria prepararão a Agenda Ambiental da Indústria, que será entregue aos candidatos à Presidência da República.

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