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Pesquisa monitora ar urbano para detectar impacto de combustíveis no Rio de Janeiro e em outros estados

A qualidade do ar que se respira no meio urbano está diretamente relacionada com a evolução da frota de veículos que circula pela cidade e com a composição dos combustíveis. Não é à toa que pesquisadores do Laboratório de Química Atmosférica e Poluição da UFRJ estão atentos às alterações do ar impostas pelo crescimento do número de carros movidos a Gás Natural Veicular (GNV) e a combustíveis oxigenados.

Eles constataram que a concentração de poluentes associados à combustão do GNV vem crescendo consideravelmente na atmosfera urbana carioca. Os pesquisadores esperam que o alerta estimule a regulação do uso de carros movidos a gás e o aperfeiçoamento de catalisadores e sistemas de injeção eletrônica.

De acordo com Graciela Arbilla de Klachquin – coordenadora do projeto Impacto do Uso de Combustíveis Derivados de Petróleo e Gás na Qualidade do Ar da Cidade do Rio de Janeiro, apoiado pelo edital Cientistas do Nosso Estado da FAPERJ –, o monitoramento dos poluentes emitidos por veículos precisa ser constante, já que a composição dos combustíveis tende a ser alterada segundo condições econômicas e a evolução de novas tecnologias. Já foi comprovado que o uso do gás natural é menos poluente do que de combustíveis derivados do petróleo. “Mas o que é bom precisa ficar ainda melhor”, defende Graciela.

Ela explica que o GNV emite menores quantidades de monóxido de carbono, compostos orgânicos voláteis e material particulado (poluentes gerados na combustão de gasolina e diesel). No entanto, o gás natural, combustível composto em sua maior parte por metanol, emite um poluente específico, o formaldeído, conhecido popularmente como formol. A partir do ano 2000, a incidência desse poluente na atmosfera tem aumentado de forma considerável.

Medições feitas pelo grupo no bairro da Tijuca, entre 2002 e 2003, revelaram concentrações de formaldeído de cerca de 150 ppb (partes por bilhão), o que significa uma quantidade de 5 a 10 vezes maior que os valores observados na década anterior.

O mesmo havia sido observado, por meio de outros estudos, em relação à utilização do álcool (etanol) durante a década de 1980. Nesse período, quando o governo brasileiro incentivou o uso do álcool carburante para reduzir a importação de petróleo – através do programa batizado de Proálcool –, a qualidade do ar nas grandes cidades brasileiras começou a sofrer esse impacto. Houve um grande aumento da concentração de acetaldeído, poluente proveniente da combustão do etanol, na atmosfera urbana.

“Na época, o fato motivou a criação de uma legislação que obrigou os fabricantes a aperfeiçoarem os carros, de modo a evitar essa emissão. Foram estimuladas a reformulação de equipamentos de injeção eletrônica e a utilização de catalisadores, substâncias que atuam sobre o poluente, transformando-o em compostos menos nocivos antes de emitidos na atmosfera”, ressalta Graciela, que espera que o mesmo raciocínio seja aplicado ao uso do GNV.

De acordo com a pesquisadora, testes preliminares mostraram que carros movidos a gás, originais de fábrica, emitem quantidades desprezíveis de formaldeído, o que reforça a idéia de que a causa das emissões é a falta de regulação dos carros convertidos e a necessidade de inovações tecnológicas. “Por isso é muito importante que haja um controle”, afirma.

Projeto vai analisar impacto do diesel na qualidade do ar

O grupo de Graciela vem estudando a atmosfera carioca desde 1998. A pesquisa já analisou a emissão de poluentes em diferentes pontos da cidade e do estado, como na Avenida Presidente Vargas, Tijuca, campus da Fiocruz, aeroportos Santos Dumont e Galeão, Túnel Rebouças, postos de venda de gasolina, Santa Cruz, Baixada Fluminense, Resende, Volta Redonda e Barra Mansa.

As amostras de poluentes, como aldeídos e compostos aromáticos, são coletadas em cartuchos que contêm uma substância sólida específica para absorvê-las. Os poluentes ficam armazenados nos sólidos, de onde são retirados posteriormente com um solvente e analisados em sua forma líquida, num cromatógrafo. Os poluentes também podem ser captados em cilindros de inox chamados de canisters e analisados em sua forma gasosa. Nessas análises, é possível detectar qual poluente está presente no ar e a sua quantidade.

Graciela ressalta que o Rio de Janeiro, cuja população urbana corresponde a 95% do total, apresenta condições adversas para a dispersão dos poluentes. “A cidade é rodeada de montanhas. Os poluentes são levados pelo vento em direção aos maciços durante o dia, e carregados de volta em direção ao mar à noite”, explica. De acordo com dados do IBGE, até 1960 predominava no Brasil a população rural. No recenseamento de 1970 já se constatou o predomínio da população urbana, com 56% do total nacional. Atualmente, 75% da população brasileira vivem na cidade.

Numa próxima etapa da pesquisa, as análises serão estendidas à Floresta da Tijuca, para avaliar o impacto da cidade na floresta, e a terminais rodoviários, onde predominam os veículos pesados. “Nas rodoviárias, teremos a oportunidade de avaliar as conseqüências da utilização do diesel para a atmosfera”, explica.

Graciela também pretende avaliar a qualidade do ar no entorno de aeroportos localizados em São Paulo, Belo Horizonte e Salvador. “No Rio de Janeiro, constatamos que as emissões de poluentes derivados do combustível dos aviões não têm impacto sobre o ar da cidade, apenas nas áreas das pistas de pouso e decolagem. Isso se deve, provavelmente, ao fato dos aeroportos estarem situados em áreas arejadas, na beira da Baía de Guanabara. O mesmo resultado não deve se repetir em São Paulo, por exemplo, onde os aeroportos ficam no centro da cidade e distantes do mar”, pondera Graciela.

. Por: Marina Ramalho|Faperj

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