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07/04/2010 - 08:39

Frigoríficos pedem mais prazo para mapear seus fornecedores na Amazônia

Em reunião na sede da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), em São Paulo, dois dos três maiores frigoríficos do país, a Marfrig e o Minerva, apresentaram no dia 06 de abril (terça-feira), resultados menores do que o prometido no compromisso assinado com o Greenpeace em outubro de 2009. As empresas adotaram, na época, um cronograma para cadastrar e mapear todas as fazendas de seus fornecedores – diretos e indiretos – na Amazônia. A primeira fase do trabalho consistia em cadastrar e mapear as fazendas que fornecem boi gordo para seus abatatedouros situados no bioma Amazônia. O monitoramento de toda a cadeia produtiva da pecuária é fundamental para que os frigoríficos possam assegurar a seus clientes e consumidores que os produtos bovinos que comercializam não contribuem para o desmatamento do maior patrimônio ambiental do Brasil.

Apesar disso, as empresas mostraram avanços significativos nos últimos seis meses de trabalho e reiteraram o interesse em não permitir que o desmatamento continue manchando a sua cadeia de produção. A Marfrig, por exemplo, informou ter cadastrado os fornecedores de 80% de seu volume de abate, mas ainda não tem os mapas de todas as fazendas. A Abiec, que acompanha de perto o trabalho dos dois frigoríficos, manifestou seu interesse em expandir a adesão ao compromisso do desmatamento zero a outros associados que atuam na região Norte do país. A entidade e as empresas pediram um prazo adicional de três meses para completar o cadastro das fazendas e prometem ter os mapas em novembro.

A maior empresa processadora de proteína animal do mundo, a JBS, encontrou-se separadamente com o Greenpeace a e apresentou relatório em que garante que até final de abril 80% de seu volume de abate estará cadastrado. Hoje, segundo informação da empresa, esse número é de 43%. Para completar o trabalho em todos os estados em que opera na Amazônia, a JBS também pediu um prazo adicional de três meses. O desmatamento e as queimadas da Amazônia fazem do Brasil o quarto maior inimigo do clima no mundo. A pecuária ocupa 80% das áreas já desmatadas na região.

Seis meses atrás, os presidentes dos quatro maiores frigoríficos do Brasil - JBS-Friboi, Bertin (que fundiu-se com a JBS), Marfrig e Minerva - assinaram um compromisso público para, num prazo de 180 dias, cadastrar seus fornecedores diretos - as fazendas que vendem boi gordo para seus frigoríficos - e completar num prazo de até dois anos o cadastro e mapeamento das fazendas que fornecem animais para as fazendas de engorda.

Eles reagiam à pressão do Greenpeace e de grandes redes de supermercados, como Wal-Mart, Carrefour e Pão de Açúcar, e produtoras de calçados, como Nike, Adidas e Timberland, que deixaram claro aos grandes frigoríficos brasileiros que não pretendiam continuar comprando couro e carne suspeitos de causarem a destruição da floresta.

Essa garantia, no entanto, os frigoríficos ainda não têm como dar aos seus clientes enquanto o processo de mapeamento das fazendas fornecedoras, com coordenadas geográficas, não for completado. Desde que eles assinaram o compromisso contra o desmatamento na sua cadeia de produção, no último dia 5 de outubro, cerca de 14 mil hectares de floresta tombaram nas áreas de influência desses frigorícos na Amazônia, o que corresponde a pelo menos 40% do total desmatado nos quatro meses analisados.*

“Numa região como a Amazônia, onde a imensa maioria das fazendas não são registradas junto aos órgãos oficiais e a grilagem de terras, a sonegação, a violência, o trabalho escravo e a invasão de terras indígenas e áreas protegidas são práticas comuns, a formalização do setor da pecuária, inclusive o mapeamento das propriedades rurais para que elas possam ser monitoradas, é do interesse nacional”, disse Paulo Adario, diretor da campanha Amazônia, do Greenpeace.

O Brasil é hoje o maior exportador de carne do mundo e um grande consumidor de proteína de origem animal. “Para manter a liderança no mercado global, interessa aos frigoríficos brasileiros assegurar que o boi adquirido por eles não vem de um fazendeiro que destrói a Amazônia ou contrata trabalho escravo”, diz Adario.

“Interessa igualmente ao fazendeiro, porque isso garante o escoamento de sua produção, bem como ao governo, que pode mostrar um desenvolvimento econômico aliado da inclusão social e preservação ambiental e aos consumidores, que não querem ser sócios da destruição da Amazônia”, prossegue ele. “Mas sobretudo, o fim do envolvimento da pecuária com o desmatamento interessa ao planeta, porque parar com a derrubada da floresta é a forma mais rápida e barata de reduzir as emissões de gases que provocam o aquecimento global.”

Segundo o Imazon, ONG que monitora o desmatamento da Amazônia com seu sistema SAD, de outubro de 2009 a janeiro de 2010 foram desmatados pelo menos 38.400 hectares na Amazônia. Cerca de 14 mil ha desmatados (40% do total) ocorreram nas áreas de influência principal dos abatedouros (um círculo com 200 km de raio). Já o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Deter/INPE), que não divulgou dados recentes, aponta que 24.700ha foram desmatados no bioma Amazônia entre outubro e novembro de 2009. Desse total, 11,700ha (47,4%) foram desmatados na área de influência principal dos abatedouros. | Por: Cristina Amorim [[email protected]] e Caroline Donatti/Greenpeace.

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