Página Inicial
PORTAL MÍDIA KIT BOLETIM TV FATOR BRASIL PageRank
Busca: OK
CANAIS

25/03/2010 - 09:18

Asma na criança: o que devemos saber sobre a mais comum das doenças crônicas infantis

Especialistas brasileiros se reúnem no Congresso Paulista de Pediatria, no próximo dia 30 de março, e discutem o que há de mais atual em tratamento preventivo e procedimentos em situações de crise.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que trezentos milhões de pessoas sofrem de asma no mundo inteiro, sendo 20% desse total crianças. No Brasil, oitavo país do ranking mundial na prevalência de asma, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) afirma que 10% dos 18 milhões de asmáticos está entre os pequenos. A partir de dados globais, pode-se dizer que duas em cada dez crianças são portadoras de asma e, diante de números tão expressivos, pediatras de todo o mundo enxergam a doença como um dos males crônicos mais frequentes na infância.

Este mês, durante o Congresso Paulista de Pediatria, um dos mais importantes encontros da especialidade no País, médicos brasileiros terão a oportunidade de conhecer as mais novas diretrizes no tratamento e abordagens na crise. No dia 30 de março, três nomes considerados referência no tema — José Dirceu Ribeiro (presidente do departamento de Pneumologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria e professor da Unicamp), Bernardo Kiertsman (membro do departamento de Pneumologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria e professor da FCM da Santa Casa de São Paulo) e Carlos Antônio Riedi (membro do departamento de Pneumologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria e professor de Pediatria da UFPR) — participam de um simpósio satélite, que prevê reunir cerca de 700 profissionais interessados no que há de mais atual em prevenção e cuidados.

Asma nos pequenos - Na quase totalidade dos casos, o pediatra é o primeiro profissional a ter contato com a criança e cabe a ele iniciar a investigação para esclarecer a causa deste chiado. Particularmente, esta é uma doença que apresenta maior incidência entre os menores de dois anos e do sexo masculino. Não é por acaso: a anatomia respiratória das crianças é diferente da dos adultos e propicia a presença da asma. No caso da prevalência pelo sexo masculino em crianças, ela se dá devido à via respiratória do menino ser mais estreita que a das meninas.

De acordo com o Dr. Bernardo Kiertsman, as doenças respiratórias são frequentes durante todo o ano, sendo mais incidentes no outono e inverno. O especialista revela que, nessa época do ano, as infecções virais, como os resfriados comuns e a gripe, são as vilãs dos brônquios.

“A tosse, principalmente noturna, é o mais comum dos sintomas entre as crianças, que pode ser simultânea a outros: falta de ar, chiado e aperto no peito. Há uma maior complexidade em se diagnosticar a asma na infância, já que, até os cinco anos de idade, normalmente os pequenos não apresentam coordenação suficiente para serem submetidos a uma prova de função pulmonar, a não ser em casos especiais, para que possamos avaliar o grau de obstrução brônquica e sua resposta ao broncodilatador”, diz o médico.

Uma das dúvidas mais comuns de pais que chegam aos consultórios diz respeito à gravidade da situação. “No conceito popular, a asma é mais grave do que a bronquite. Muitos não sabem que a doença é a mesma, a intensidade é o que difere cada caso. Vale ressaltar que o êxito no tratamento de uma criança pequena depende do responsável ou seu cuidador e são essas pessoas que devem ser conscientizadas sobre a doença”, explica Kiertsman.

Tratamento e Controle - A asma é uma doença multi-fatorial que entre as causas leva em conta fatores hereditários, ambientais (poeira, fumaça, proximidade a animais domésticos, mudanças bruscas de temperatura), emocionais entre outros. É preciso não expor o asmático aos fatores desencadeantes da doença, o que por muitas vezes torna-se impossível. “Na cidade de São Paulo, por exemplo, a não exposição do paciente às mudanças bruscas de temperatura é algo inviável”, comenta Kiertsman.

Há medicamentos de manutenção e gerenciamento da doença e os de controle de crise disponíveis para os asmáticos. Entre estes últimos, os indicados são os broncodilatadores de ação imediata voltados para o tratamento da crise aguda de asma, utilizados sob forma inalatória como o spray (popularmente conhecido como bombinhas) ou via nebulização. Diante de casos mais graves, ainda são indicados antiinflamatórios administrados por via oral ou endovenosa.

Segundo o Dr. Kiertsman, em situações de crises em crianças, dá-se preferência ao uso dos sprays usados com os espaçadores ao invés da nebulização, método mais tradicional. Os sprays são de fácil administração, mais baratos e proporcionam índices reduzidos de desperdício de medicamento na obtenção do efeito clínico necessário. Sua utilização associado aos espaçadores, é indicado para facilitar seu aproveitamento, em crianças, idosos ou pessoas com problemas de coordenação motora. Eles reduzem os efeitos colaterais como o aparecimento de tosse, diminuem a quantidade do medicamento depositado na faringe, aumentando a quantidade inalada e reduz a quantidade de droga deglutida pelo paciente durante a inalação.

A asma é uma doença crônica que, se tratada de forma adequada, proporciona uma melhor qualidade de vida ao seu portador. “Sabe-se que entre 50 e 60% das crianças que chiam não vão chiar quando adultas. Mas é importante ressaltar que a asma não tem cura e deve ser controlada”, enfatiza.

Estudos sobre asma - A asma é uma doença inflamatória crônica, sem cura e caracterizada pelo estreitamento generalizado dos brônquios, cuja intensidade varia de pessoa para pessoa. Ela pode ser desencadeada por fatores alérgicos, irritantes, infecções por vírus, fatores emocionais, entre outros. É mais comum em crianças e adolescentes — também incide entre adultos. Abaixo, alguns números e estudos interessantes sobre o assunto: . O mais completo dos estudos brasileiros relacionando à asma em crianças é o ISAAC (International Study of Asthma and Allergies in Childhood) fase 3, que determina a prevalência de sintomas relacionados à asma, rinite e eczema atópico em crianças entre 6 e 7 anos e adolescentes entre 13 e 14 anos, residentes em inúmeras cidades brasileiras. Na ação, na qual mais de 81 mil questionários foram respondidos por responsáveis e adolescentes, 24,3% das crianças entre 6 e 7 anos são portadoras de asma e entre 13 e 14 anos, essa incidência é de 19%.

. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o oitavo país do ranking mundial de asma, variando de 10 a 20%, dependendo da região e da faixa etária consideradas. Em termos mundiais, os custos com a asma superam os com a tuberculose e HIV/AIDS somados.

. Atualmente, segundo dados da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), há 18 milhões de asmáticos no Brasil, ou seja, 10% da população brasileira. O Datasus/Ministério da Saúde de 2009 indica que a doença teve um índice de mortalidade de 3.111 casos e é a terceira causa de hospitalizações pelo Sistema Único de Saúde (SUS), excluindo a gravidez, sendo responsável por 275 mil internações/ano. No último ano, os cofres públicos registraram gastos da ordem de R$ 99 milhões.

Enviar Imprimir


© Copyright 2006 - 2021 Fator Brasil. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Tribeira