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16/05/2007 - 08:44

Comércio bilateral e desempenho macroeconômico chinês no primeiro trimestre de 2007

No primeiro trimestre de 2007, a economia chinesa manteve crescimento acelerado. O PIB, que registrou expansão de 11,1% no período, foi impulsionado por exportações, produção industrial e vendas no varejo, atingindo US$ 653,6 bilhões. O setor agrícola cresceu 4,4%, a indústria expandiu 13,2%, e o setor de serviços registrou aumento de 9,9% nos primeiros três meses de 2007, comparados ao mesmo período de 2006. Em resposta aos indícios de superaquecimento econômico, o governo elevou – pela quinta vez em nove meses – a taxa de depósito compulsório em janeiro e fevereiro, para 9,5% e 10%, respectivamente.

A economia acelerada dos três primeiros meses de 2007 trouxe preocupações em relação aos índices inflacionários. Em março, o índice de preços ao consumidor alcançou 3,3% (anualizado), o maior valor dos últimos dois anos. O resultado reflete, sobretudo, alta do preço de alimentos, de 6,2% no primeiro trimestre. A elevação trimestral média dos preços na zona rural foi de 3,4%, já a zona urbana registrou alta de 2,5% no período. No acumulado de 2007, o índice de preços ao consumidor foi de 2,7%, enquanto o índice de preços ao produtor não apresentou alterações significativas. A fim de conter pressão inflacionária e especulações no mercado de ativos, o banco central chinês elevou, pela terceira vez em 11 meses, taxa de juros anual de empréstimo e taxa básica de depósito bancário.

A oferta monetária (M2) aumentou 17,3% em março comparada com o mesmo mês de 2006, porém o resultado foi 0,5 ponto percentual menor do que o registrado em fevereiro de 2007. Ao final do trimestre, a oferta total de M2 era de US$ 4,79 trilhões. A política monetária pode ainda ser influenciada pela meta fixada pelo governo chinês em 16% para o crescimento de M2 para 2007. Já os empréstimos registraram crescimento de 15,7% em março, 0,9 ponto percentual a menos do que fevereiro, no entanto, resultado maior do que em março de 2006. O acumulado em 2007 de novos empréstimos atingiu US$ 186,8 bilhões – o total de 2006 foi de US$ 421,0 bilhões.

Após período de desaceleração, a formação bruta de capital fixo retomou ritmo de crescimento e saltou de 13,8% em dezembro de 2006 para 26,8% em janeiro de 2007, encerrando março com aumento de 23,4%. No acumulado trimestral, o crescimento registrado foi de 23,7%. Contudo, o resultado equivale à queda de 4 pontos percentuais em comparação ao primeiro trimestre de 2006, e o montante de investimentos financiados por empréstimos bancários permaneceu em queda – efeito, mesmo que limitado, de políticas governamentais para desaquecimento da economia. No mesmo período, vendas no varejo aumentaram 14,9% em comparação ao primeiro trimestre de 2006. Nas zonas urbanas o crescimento foi de 19,5%, confirmando tendência de maior contribuição do consumo interno para formação do PIB nos próximos anos, prevista por alguns analistas.

No acumulado trimestral, o superávit da China com seus parceiros comerciais foi de US$ 49,5 bilhões, equivalente a aumento de 114,7% em relação ao mesmo período de 2006. Em fevereiro, o país registrou recorde de exportações para o mês, de US$ 86,6 bilhões. Segundo analistas, o volume atípico de vendas durante os dois primeiros meses do ano reflete adiantamento das exportações, em razão de redução de tarifas sobre produtos exportados. Embora a taxa anual de variação das exportações em março de 2007 tenha sido significativamente inferior à registrada nos dois primeiros meses do ano, as exportações superaram o montante registrado em março de 2006. A fim de reduzir tensões com seus principais parceiros comerciais, a China anunciou, ao final de março, que iria facilitar legislação para importação de 338 produtos, entre eles máquinas, eletrônicos, plástico e aço. As medidas entraram em vigor em 1º de abril.

Após sete meses de queda, a produção industrial registrou salto no primeiro trimestre de 2007 e cresceu 18,3% em relação ao mesmo período do ano anterior – valor 1,7 ponto percentual superior ao crescimento anual médio de 2006. A indústria pesada cresceu 19,6%, superando em 2 pontos percentuais o trimestre anterior. A produção de aço cresceu 14,8%, enquanto indústrias relacionadas à produção de energia, microcomputadores e veículos motorizados cresceram, respectivamente, 14,8%, 26,1% e 22,3% no trimestre. A indústria leve registrou aumento de 15,6% no mesmo período. Indústrias dos setores siderúrgico, petrolífero, químico, energético e de equipamentos para transporte foram responsáveis por 68,4% do aumento dos lucros industriais.

O acúmulo de reservas internacionais manteve a tendência de crescimento de 2006 e alcançou US$ 1,2 trilhão em março de 2007. Mais uma vez, o intercâmbio comercial permaneceu como fator principal de aumento, correspondendo a cerca de US$ 153 bilhões. Contudo, em contraste ao ocorrido nos três últimos meses de 2006, nos quais a maior parte da reserva em moeda estrangeira provinha do comércio, o primeiro trimestre de 2007 mostrou um quadro mais equilibrado. O capital de curto prazo, que no período anterior encontrava-se em déficit, teve participação quase equivalente ao comércio. Os investimentos estrangeiros diretos permanecem com uma fatia de participação semelhante à que tiveram nos trimestres anteriores, equivalente a US$ 19 bilhões do volume total. No primeiro trimestre do ano, as reservas cresceram em média US$ 1 milhão por minuto, aproximadamente o dobro do registrado em 2006.

Comércio bilateral - No primeiro trimestre de 2007, o crescimento das importações brasileiras da China foi de aproximadamente o dobro do aumento registrado pelas exportações do Brasil para o país, de 22,8% e 50,4%, respectivamente, com base no mesmo período do ano anterior. Março foi o sexto mês consecutivo em que a balança comercial sino-brasileira foi deficitária para o Brasil. Desde outubro de 2006, o déficit acumulado foi de US$ 916,2 milhões. Caso as importações e exportações mantenham ritmo de expansão, 2007 será o primeiro ano em que o Brasil registrará déficit comercial com a China. Não só as importações de produtos chineses aumentaram nos últimos meses. Em 2006, o crescimento das importações totais brasileiras foi de 24,1% em relação a 2005. Já o aumento do primeiro trimestre de 2007 foi de 24,5% com base no mesmo período do ano anterior. O resultado reflete crescimento da economia brasileira e, conseqüentemente, o aumento da compra de máquinas e aparelhos mecânicos e elétricos – principais itens da pauta de importação de produtos chineses pelo Brasil.

Estados Unidos representaram 31% das vendas chinesas em 2006. Em razão de esforço para diversificação de relações comerciais, em fevereiro de 2007 a China conseguiu reduzir sua dependência do mercado norte-americano para 27%. No primeiro trimestre, o superávit da China com os Estados Unidos quase dobrou, e passou de US$ 23,3 bilhões para US$ 46,4 bilhões.

A China superou os Estados Unidos como principal exportador para a União Européia no início de 2007, e a previsão é de que o país se torne o segundo maior exportador mundial ainda este ano, atrás apenas da Alemanha.

Exportações brasileiras para a China - A pauta brasileira de exportação para a China manteve tendência de concentração em produtos de menor valor agregado. Produtos básicos representaram 65,3% das vendas brasileiras para o país e registraram aumento de 13,9% em comparação ao primeiro trimestre de 2006. No mesmo período, as exportações de produtos semimanufaturados e manufaturados registraram crescimento de 47,8% e 36,8%, respectivamente. Já em comparação ao último trimestre de 2006, as vendas de manufaturados brasileiros para a China sofreram queda de 9,4%, enquanto semimanufaturados reduziram 2,4%.

Entre os principais produtos exportados pelo Brasil para o mercado chinês no primeiro trimestre do ano, carnes e laticínios apresentaram maior redução, seguidos pelo complexo soja e petróleo e derivados. Os produtos com melhor desempenho no período foram produtos semimanufaturados de ferro e aço, produtos químicos orgânicos e inorgânicos, e couros e peles, com aumento respectivo de 113%, 66,2% e 65,4%.

Apesar da leve recuperação em relação ao último trimestre de 2006, as vendas brasileiras de carne para a China registraram grande queda no primeiro trimestre de 2007, em comparação ao início do ano anterior. Mesmo a concessão de novas licenças de exportação para frigoríficos brasileiros não foi capaz de conter redução de 65,4% das importações chinesas do produto em 2007. Já as exportações brasileiras de soja em grãos para os chineses sofreram queda de 18,8% em volume, o que, segundo analistas do setor, pode significar estratégia chinesa de redução de compras para evitar excessiva elevação do preço no mercado internacional. A média do preço da tonelada do grão de soja nos 12 meses anteriores a março foi de US$ 218,07, enquanto o preço médio no primeiro trimestre de 2007 atingiu US$ 279,37.

Importações brasileiras da China - No primeiro trimestre de 2007, nota-se um aumento significativo das importações brasileiras da China de quase todos os principais produtos da pauta, à exceção de aparelhos de radiodifusão e circuitos integrados, com reduções de 42,9% e 9%, respectivamente. O crescimento das vendas chinesas para o Brasil foi liderado, sobretudo, por aparelhos elétricos para telefonia, com 721%, e máquinas para construção civil, com 285%. Produtos semimanufaturados de ferro e aço cresceram 113%, e máquinas, ferramentas e aparelhos mecânicos, cerca de 60%. | Por: CEBC

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