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26/11/2009 - 10:12

Desafio do pré-sal é desenvolver cadeia produtiva de serviços

O grande desafio que o pré-sal coloca para o Brasil é não se ater à simples extração de petróleo e gás, mas aproveitar a oportunidade para estruturar essa cadeia produtiva e se tornar um grande fornecedor de serviços do segmento – como perfuração, refino e desenvolvimento de projetos.

“O impacto da energia no Brasil tem que ir além da própria energia. O País pode ser um dos grandes provedores desses serviços no mundo em cinco anos”, afirmou Pedro Cordeiro, sócio da Bain & Company, que participou do “2º Seminário de Energia – O futuro em debate”, realizado na Amcham-São Paulo no dia 25 de novembro (quarta-feira). A entidade acaba de lançar sua força tarefa de Energia, que funcionará como uma porta-voz do setor privado junto à esfera pública em questões como ambiente, financiamento e relacionamento Brasil-Estados Unidos com foco na atração de investimentos e na troca de experiências em energia.

Para Cordeiro, se o Brasil enfrentar os riscos inerentes a esse novo negócio e o governo souber adotar uma política de incentivo, poderá equiparar-se a países como Noruega e Estados Unidos, que auferem ganhos em toda a cadeia, e não repetir o padrão de México e Arábia Saudita, que focaram estritamente a apropriação da riqueza proporcionada pela venda do combustível.

O sócio da Bain estima que, com entrada em operação do pré-sal, até 25% do Produto Interno Bruto (PIB) poderão vir da exploração do petróleo. Há ainda potencial para que a parte de exportação de serviços responda por uma fatia adicional do PIB.

Dificuldades - Cordeiro diz reconhecer no governo brasileiro vontade de estimular o desenvolvimento do setor, mas garante que ainda há obstáculos, como a intenção de que a Petrobras concentre a operação do pré-sal. “O monopólio não necessariamente evita que se desenvolva a cadeia de valor, mas torna isso mais difícil”, pontuou.

Outro problema, conforme Rafael Galeazzo, executivo da Chemtec (empresa da Siemens responsável por projetos de engenharia para a indústria de petróleo e gás natural), é a escassez de mão-de-obra especializada. “Já sentimos dificuldade hoje. Com os avanços do pré-sal, isso será ainda mais evidenciado.”

Galeazzo destacou ainda a necessidade de que se discuta como a extração no pré-sal será realizada – se rapida ou paulatinamente – para que se tenha um cronograma claro, que facilite o desenvolvimento da cadeia de serviços.

Controvérsia - Questionado sobre a competitividade do petróleo no pré-sal, Pedro Cordeiro defendeu que a extração é viável com uma cotação do barril acima de US$ 35. O valor, segundo ele, é o mínimo necessário para compensar os custos, elevados de início, porém com tendência de queda à medida que ocorram avanços tecnológicos e aumento da concorrência entre produtores de equipamentos.

Todos esses esforços e investimentos para a exploração do pré-sal, por outro lado, também são objeto de crítica. “Apostar todas ou muitas fichas no pré-sal é um desserviço ao País. Esse petróleo sairá caro porque a taxa de insucesso nas perfurações é altamente problemática”, disse José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo e ex-secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

O professor censurou o entusiasmo excessivo em torno do pré-sal também por se tratar de uma fonte de energia suja, que contém hidrocarboneto, CO2 e metano, e reforçou a importância de que o País dê ênfase maior a energias renováveis, começando pelas hidrelétricas e passando por geração eólica e biomassa.

Energia eólica - Oportunidades em termos de geração de energia a partir do vento foram discutidas no evento por dois representantes do segmento, Luis Perscarmona, presidente da Impsa Wind, e Everaldo Feitosa, vice-presidente da World Wind Energy Association e diretor presidente da Eólica Tecnologia.

Pescarmona afirmou que a promoção do primeiro leilão de reserva paraeólica no Brasil, marcado para 14/12, funcionará como um atrativo a investidores, mas lembrou que maior evolução está vinculada a melhores condições de financiamento a longo prazo, menores custos de investimentos e mensuração mais precisa do tamanho do mercado.

Já Feitosa salientou a qualidade do vento brasileiro e apelou para um maior desenvolvimento de tecnologia local em substituição ao conceito europeu que vem sendo empregado. “Não temos as turbulências da Europa. Aqui, o custo de manutenção dos equipamentos é menor e sua vida útil, maior”, disse.

Concessões- Outro ponto tratado no seminário da Amcham foi o vencimento de grande volume de concessões do setor de energia elétrica em torno de 2015. Cláudio Salles, presidente do Instituto Acende Brasil, sustentou que essas decisões sejam tomadas levando em consideração muito mais a sustentabilidade da oferta do que os custos, uma vez que não deve haver grandes variações de preço seja qual for o modelo de concessão escolhido na renovação.

Salles comentou ainda que, na visão dos empreendedores do setor elétrico, é decisivo que o assunto seja conduzido com celeridade e que haja respeito aos contratos de concessão preexistentes.

“A sociedade não pode permitir que questões de Estado como essa sejam deliberadas à luz de oportunismos de momento. É preciso cobrar. A urgência é a alma do negócio”, concluiu ele.

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