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25/09/2021 - 06:58

Polo Comercial da Saara ganhará cara nova


Foco no conforto e estética para uma região criada nos anos 60, quando começou a abrigar imigrantes, como sírios e libaneses, expulsos de suas terras devido à expansão do império turco-otomano, além de judeus. Para sustentar suas famílias, eles começaram a trabalhar como mascates. Com o aperfeiçoamento das atividades, passaram a se estabelecer em sobrados, onde a parte de baixo era dedicada ao comércio e a parte de cima, à moradia da família. Nos anos seguintes, as ruas que já reuniam tantas nacionalidades começaram a ver chegar orientais, como coreanos e chineses.

O Rio-Urbe fará intervenções para melhorias na Saara, o principal shopping a céu aberto do centro do Rio de Janeiro. Ações de revitalização tem foco além do conforto, e ótimo ambiente aos cariocas, fluminenses e turistas.

A Prefeitura do Rio de Janeiro planeja revitalizar o Polo Comercial da Saara. O projeto prevê melhorias em cerca de 190 mil m², que atinge a área da Praça da República, da Avenida Presidente Vargas, da Avenida Passos e da Rua da Constituição. O anúncio das intervenções foi feito pelo prefeito Eduardo Paes e pelo secretário municipal de Infraestrutura, Jorge Arraes, durante almoço com empresários da região no dia 23 de setembro (quinta-feira).

— A Saara precisa da reconstrução da sua infraestrutura, que é muito antiga. Tem que reconstruir a rede de esgoto e de drenagem, por exemplo, e há mudanças estéticas. Se ainda tem um lugar em que o pulmão ainda respira e o coração ainda bate de forma intensa é na Saara, que consegue sobreviver diante de tantas dificuldades como a pandemia — observou o prefeito.

A Saara vai ganhar nova drenagem, iluminação e calçamento. Nas ruas exclusivas para pedestres, como Alfândega, Senhor dos Passos e vias transversais, o piso será nivelado para proporcionar acessibilidade à população. Já a Rua Tomé de Souza terá uma praça linear arborizada e com bancos.

A Rua Buenos Aires receberá nova pavimentação, ordenamento das baias de estacionamento ao longo da via e esquinas em piso elevado, beneficiando a travessia dos pedestres. A Avenida Passos, que hoje recebe a maior parte dos veículos e ônibus que circulam pelo Centro, terá três pistas de rolamento, uma para BRS e duas de veículos, proporcionando calçadas mais largas que serão requalificadas e arborizadas. Ao todo, as intervenções preveem melhorias em cerca de 40 mil m² de vias.

Presidente do Polo Saara, Eduardo Blumberg agradeceu o prefeito pela iniciativa

O projeto está sendo finalizado pela Rio-Urbe para, em seguida, passar pelo processo licitatório de contratação da empresa responsável pela obra. O presidente da Associação Polo Saara, Eduardo Blumberg comemorou a iniciativa da Prefeitura — Estamos muito felizes. Pedimos apenas um portal e está vindo essa obra de infraestrutura— disse.

O evento contou com a participação dos secretários de Planejamento Urbano, Washington Fajardo, e de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação, Chicão Bulhões, além do subprefeito do Centro, Leonardo Pavão.

Perfil — Saara, criada nos anos 60, reúne no Rio de Janeiro comércio e cultura de vários países — Imigrantes chegaram no século XIX, e grupo surgiu para barrar construção de via no Centro. No Natal e no carnaval, ruas fervilham com gente atrás de variedade e preço baixo.

A necessidade de encontrar uma solução para evitar a desapropriação de dezenas de imóveis de uma área no Centro do Rio de Janeiro, no início dos anos 60, fez com que os comerciantes, muitos deles imigrantes, se unissem para, em conjunto, tornar suas reivindicações mais fortes perante as autoridades. Assim nasceu a Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega, a Saara, em 05 de outubro de 1962. Na época, o governo Carlos Lacerda (1961-1965) planejava remodelar a região, construindo a Via Diagonal, que ligaria a Central do Brasil à boêmia região da Lapa, pondo abaixo os imóveis.

Os esforços da recém-criada Saara para a preservação do comércio e da arquitetura local de 11 ruas surtiram efeito, e o projeto da avenida, previsto desde 1930 no Plano Agache, foi abandonado. Após a vitória, a área, que contava com imigrantes de diferentes países, onde viviam e vendiam suas mercadorias por atacado, abriu espaço para o grande público, intensificando a venda no varejo. Há décadas, as estreitas ruas fervilham de gente, especialmente quando se aproximam o Natal e o carnaval, com os enfeites natalinos, brinquedos e as fantasias colorindo ainda mais as lojas, que também têm preços imbatíveis em materiais escolares, bijuterias, roupas e decoração.

O comércio surgiu ali desde o final do século XIX, pois a região, por ser próxima ao Porto do Rio, começou a abrigar imigrantes, como sírios e libaneses, expulsos de suas terras devido à expansão do império turco-otomano, além de judeus. Para sustentar suas famílias, eles começaram a trabalhar como mascates. Com o aperfeiçoamento das atividades, passaram a se estabelecer em sobrados, onde a parte de baixo era dedicada ao comércio e a parte de cima, à moradia da família.

Além de ser um dos maiores centros de comércio popular do país, a Saara é um ponto de convergência de culturas, sendo chamada por muitos de ONU brasileira, devido ao bom relacionamento de diversos povos que, em outras regiões, vivem em constante conflito, como judeus e árabes.

Em 1985, foi fundada a Rádio Saara, um sistema de alto-falantes que divulga os produtos das mais de 1.200 lojas, que atraem clientes de todo o Rio de Janeiro, Região Metropolitana e até mesmo de outros estados, além de prestar serviços, como auxiliar crianças perdidas a encontrarem seus responsáveis, geralmente entretidos com as compras. Nos anos seguintes, as ruas que já reuniam tantas nacionalidades começaram a ver chegar orientais, como coreanos e chineses.

Lei prorroga isenção do IPTU para imóveis de cunho histórico e cultural na região— Durante o encontro, o prefeito Eduardo Paes sancionou o Projeto de Lei Nº 418/2021, que prorroga o prazo para o contribuinte daquela região cumprir as exigências e manter a isenção do IPTU dos imóveis de interesse histórico, cultural ou de preservação paisagística. Para ter direito ao benefício, os imóveis deverão estar em bom estado de conservação e com suas características arquitetônicas e decorativas respeitadas.

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