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02/09/2020 - 08:04

Uma nova forma de fazer política é possível


Proposta de pré-candidatura coletiva chega ao Rio de Janeiro.

Há uma novidade nessas eleições municipais: a pré-candidatura coletiva. No Rio de Janeiro, diversos partidos estão lançando pré-candidaturas nesse formato e o PSB vem com A Liga @alligario2020. O que diferencia A Liga das demais é a sua aposta na diversidade. Diversidade temática, como a defesa da cultura, da educação, do meio ambiente, da mulher e dos negros, e da equidade social. E diversidade territorial, já que há pré co-candidatas oriundas de comunidades, como a Mangueira, a Cidade Alta e o Complexo do Alemão, e outros, moradores de Laranjeiras, Copacabana, Anchieta e Ilha do Governador.

A Liga é composta por sete pré co-candidatos, com maioria de mulheres, sendo três negras. São eles Pedro Gerolimich, Kely Louzada, Roberto Anderson, Janaína Bemvindo, Alice Rodrigues, Guilherme Azevedo e Carol Ramos, ativistas sociais, envolvidos em causas complementares como educação, cultura, urbanismo e sustentabilidade. A candidatura coletiva busca ser uma resposta ao desgaste da política tradicional e uma forma de superar o culto ao personalismo, tão presente nesse meio. No Brasil, a primeira experiência oficial foi na cidade de Alto Paraíso, em Goiás. Um grupo de cinco co-vereadores, autodenominado “ecofederalista” e “antipartidário”, foi eleito em 2016. Em 2018, candidaturas coletivas se elegeram para as Assembleias Legislativas dos Estados de São Paulo e Pernambuco.

No mandato coletivo, a cadeira parlamentar é assumida por um membro do grupo, cujo nome é registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral, já que pela atual legislação somente uma pessoa pode se candidatar a um cargo eletivo. Esse candidato, se eleito, representará o coletivo. Todo o seu trabalho, atuação e as decisões sobre o mandato serão realizadas em conjunto com o seu grupo.

Pedro Gerolimich é o pré-candidato oficial da Liga, representando o coletivo para fins eleitorais. Filiado ao PSB, é militante na área da cultura e da democratização da leitura. Atuou como Superintendente de Leitura e Conhecimento na Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro e criou os projetos Livro de Rua e Histórias por Telefone. Quando perguntado sobre o que tem em comum com o restante de seu grupo, ele responde: — Além de sermos apaixonados pelo Rio, carregamos o inconformismo de ver os graves problemas da nossa cidade se repetindo sem nada ser feito, é frustrante viver em um local com tanto potencial desperdiçado. Toda essa nossa insatisfação precisava virar algo mais real e produtivo, assim nasceu A Liga—.

Roberto Anderson, outro membro do coletivo, é arquiteto e urbanista e já foi candidato em eleições anteriores, inclusive como vice-prefeito na candidatura de Alessandro Molon em 2016. Sobre a proposta de candidatura coletiva ele acrescenta: — a sociedade sempre está à frente da legislação. Mesmo que ainda não tenhamos uma lei que acolha esta proposta de mandato coletivo, abraçamos a ideia, acreditando na força que temos quando nos unimos para melhorar nossa cidade—.

Já Kely Louzada, fundadora da ONG Meninas e Mulheres da Mangueira, comunidade onde vive, explica a escolha do nome: “O que é uma liga? Em sua definição literal significa uma aliança ou união entre pessoas para um bem comum, e é essa a ideia principal. Acreditamos que juntos poderemos fazer muito mais. Uma gestão eficiente e forte só é possível com a colaboração e união de todas as pessoas envolvidas nesse processo.

Janaina Bemvindo, também participante d’A Liga conta sobre a importância do envolvimento nos assuntos políticos da cidade. — Não podemos cruzar os braços diante dos problemas, precisamos acreditar no poder da transformação e para isso é preciso união e comprometimento. A Liga veio para fazer a diferença na política, através da construção coletiva e da participação democrática— finaliza.

Alice Rodrigues, é ativista pelos direitos das mulheres, especialmente das jovens mães, da juventude, e dos movimentos antirracistas. Ela acredita que a pluralidade presente no conceito do mandato coletivo será um importante instrumento para trazer representatividade para diversas lutas e territórios.

Guilherme Azevedo é produtor cultural, fundador do Centro Cultural Casa Rosa, onde atuou por 12 anos. Desde o ano de 1998, trabalha no ramo de cultura, bares e restaurantes. Atualmente, é sócio na empresa coordenadas produtora, que realiza a conhecida festa Coordenadas, que existe há 13 anos, além de sócio do Coordenadas bar e Armazém Cardosão. Ele acredita na economia criativa e na importância dos pequenos negócios para o fomento da economia local.

A sétima componente do coletivo, Carol Ramos, é professora, tem 29 anos, e atua há cinco anos com o ensino de Ciências e Biologia para alunos do ensino Fundamental e Médio. Desde o ano de 2018 é engajada em trabalhos voluntários para ONGs voltadas ao atendimento de crianças e jovens, além de ministrar aulas para vestibulares comunitários. Ela acredita que a política e o sistema educacional brasileiro precisam ser renovados com a participação ativa dos jovens.

O deputado federal Alessandro Molon, presidente do PSB do Rio de Janeiro, fala sobre este novo formato que tem crescido no Brasil. — Diferentes pontos de vista são uma riqueza para a construção democrática. O PSB-RJ fica muito feliz de abraçar essa pré-candidatura coletiva, apostando na força da diversidade e da complementaridade d'A Liga para a solução dos problemas da cidade—.

Para Renan Ferreirinha, economista e deputado estadual do PSB, as candidaturas coletivas, por si só, já representam uma grande inovação no processo eleitoral e na própria política. Se queremos fazer da política um lugar adaptado às transformações sociais, precisamos estar abertos a esses novos movimentos e ensaios. Além disso, as candidaturas coletivas demonstram o quanto um mandato pode e deve ser participativo e representativo.

“Não há dúvida de que essa iniciativa dá um nó na cabeça dos políticos mais tradicionais, pois é algo muito disruptivo. Fico feliz e animado em ver que pessoas dispostas a uma nova forma de fazer política estejam ousando cargos eletivos. Ganha a democracia, ganha a política, ganha o Rio”, comenta o político.

Algumas das propostas da Liga:

1- Inclusão digital já! Acesso gratuito à internet banda larga, em favelas e bairros populares;

2- Educação é prioridade: escolas com ensino integral desde a primeira infância, segundo turno escolar com atividades culturais e esportivas, além da valorização dos professores e funcionários;

3- A gente quer comida, diversão e arte: editais democráticos de incentivo à cultura e ações locais;

4- Rio Cidade Sustentável: gestão da cidade considerando as questões da sustentabilidade

5- Casa carioca: programa habitacional de qualidade para pessoas de baixa renda, urbanização de favelas, e assistência técnica gratuita à construção e reforma de habitações populares.;

6- Cumpra-se Carioca: fiscalização da implantação das leis municipais importantes já aprovadas;

7- Rio Cidade dos Livros - Investimento em políticas de leitura, adoção do livro como item essencial em cestas básicas, estímulo a novos escritores, adoção do modelo de bibliotecas-parque e valorização das bibliotecas comunitárias;

8- Vale cultura para professores e pais de alunos regularmente matriculados na rede pública;

9- Cidade inclusiva: luta contra todas as formas de opressão, como racismo, homofobia, gordofobia e intolerância religiosa

10 - Oferecimento de vagas em creches públicas, em horário integral, para todas as mães que precisarem.

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