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14/05/2008 - 09:48

Imprensa oficial lança livro sobre a atuação do Partido Nazista em São Paulo

Livro da historiadora Ana Maria Dietrich põe luz sobre a atuação do Partido Nazista em São Paulo no período 1928-1942 sobre a repressão da qual foi alvo por parte da polícia política. O lançamento acontece na quarta-feira, 14 de maio, às 19 horas, na Livraria da Vila da Casa do Saber.

Caça às Suásticas – O partido nazista em São Paulo sob a mira da polícia política, por Ana Maria Dietrich, lançamento pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Associação Editorial Humanitas e Fapesp, com 388 páginas, por R$ 40,00.

A repressão policial ao Partido Nazista no Estado de São Paulo e aos alemães suspeitos de adesão ao nazismo durante o Estado Novo (1937-1945) é o tema de Caça às Suásticas, da historiadora Ana Maria Dietrich, uma co-edição da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Associação Editorial Humanitas e Fapesp. O livro integra a Coleção Histórias da Repressão e da Resistência, coordenada por Maria Luiza Tucci Carneiro. O lançamento acontece na quarta-feira, 14 de maio, às 19 horas, na Livraria da Vila da Casa do Saber (rua Dr. Mário Ferraz, 141, tel.: 3073-0513, São Paulo). Na ocasião, haverá um bate-papo com a autora.

O livro é uma adaptação da dissertação de mestrado apresentada em 2001 ao Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, sob orientação da professora Maria Luiza Tucci Carneiro. A primeira contribuição da pesquisa de Ana Maria Dietrich, baseada em documentos do Arquivo da Delegacia de Ordem Política e Social de São Paulo, que foi aberto em 1994, é trazer à luz a própria existência do Partido Nazista em São Paulo. Outra revelação importante é que o Partido Nazista de São Paulo era o maior do Brasil, superando os três estados do Sul, pois São Paulo contava com o maior número de alemães natos, que emigraram para o Brasil depois da crise da República de Weimar (1919-1933). Isso justifica porque a pesquisa foi feita em torno dos arquivos do DOPS/SP.

“Pioneira, a pesquisa de Ana Maria Dietrich é do maior interesse, pois revela e analisa fatos até então desconhecidos. A obra traz novos dados que permitem ampliar nosso conhecimento sobre o período do Estado Novo, o funcionamento de suas instituições repressivas e suas contradições políticas”, comenta Hubert Alquéres, diretor-presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

O Partido Nazista atuou livremente em território brasileiro entre 1928 e 1938, quando foi proibido pelo Estado Novo. Durante esses dez anos, o partido organizou festejos – muitos deles freqüentados por membros do governo Vargas –, manteve um jornal, abrigou movimentos de mulheres, professores, além da juventude nazista. Os objetivos do partido no Brasil mudaram no decorrer do tempo. Até 1933, quando sua presença ainda era pequena, as metas eram o combate ao comunismo e o favorecimento das eleições de Hitler. Mais tarde, as finalidades tornaram-se a propaganda do ideário nacional-socialista, centrada principalmente nos discursos de Hitler; a formação da juventude hitlerista; a criação da “Volksgemeinschaft” (Grande Comunidade Nacional) de alemães residentes fora das fronteiras do Reich, e o repatriamento de alemães aqui estabelecidos.

A pesquisa concentrou-se em três instituições ligadas ao Partido Nazista: a Escola Alemã de Vila Mariana, cujas aulas começavam com a saudação Heil Hitler; o jornal Deutscher Morgen (Aurora Alemã), semanário publicado de 1932 a 1941 que divulgava abertamente o ideário nacional-socialista, e o Banco Alemão Transatlântico. O nazismo alastrou-se em todos os segmentos da comunidade alemã de São Paulo: o anti-semitismo e o culto à guerra eram moeda corrente. O livro reproduz vários documentos, como fotografias, a primeira página do jornal Deutscher Morgen com a suástica na capa, correspondência do consulado alemão e do Banco Alemão Transatlântico, ofícios, entre outros.

Em 1938, os decretos de nacionalização do Estado Novo afetaram vários setores da sociedade. A Escola Alemã mudou de nome e teve professores alemães substituídos por brasileiros, o Partido Nazista foi declarado ilegal, como todos os outros partidos estrangeiros, mas continuou atuando na clandestinidade. A eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1939, e a condição de país neutro adotada pelo Brasil, contribuiu para que os alemães aqui radicados não fossem perturbados.

Com a entrada do Brasil no conflito, em 1942, teve início a repressão da polícia política paulista, que causou forte impacto na vida da comunidade alemã. O livro traz informações sobre os mecanismos utilizados pela polícia na repressão, controle e vigilância daqueles considerados suspeitos. Nos prontuários foram encontrados relatórios sobre a rotina de alemães suspeitos, com os locais por eles freqüentados. Em seguida, a casa do suspeito era invadida em busca de provas como livros, cartas, fotos ou documentos nazistas. Ao menor indício comprometedor de que era militante nazista, o cidadão alemão era detido, sem necessidade de mandado, e ficava à disposição do DOPS.

Denominados “súditos do Eixo”, os alemães foram proibidos de falar alemão em público, possuir máquinas fotográficas e morar na costa. Além, disso, eram obrigados a pedir permissão à polícia para se deslocar em território brasileiro. O Partido Nazista foi extinto e a maioria de seus dirigentes retornou à Alemanha. “O único dirigente de primeiro escalão a ser preso foi o tesoureiro. O resto dos presos eram quadros subalternos do partido. Foi uma repressão branda, que corrobora a tese das simpatias de Getúlio Vargas pelo nazismo. A polícia política reprimiu muito mais o comunismo, o integralismo e o movimento operário”, comenta Dietrich.

A autora - Ana Maria Dietrich é mestre e doutora em História pela Universidade de São Paulo. É professora de história Contemporânea na Universidade Federal de Viçosa.

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