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30/10/2019 - 08:08

Estratégia de investimento

Ações — Na primeira metade do mês, um novo abrandamento das tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos, bem como as expectativas de políticas de incentivo fiscal, levaram a um movimento de rotação das posições setoriais nos mercados de ações de títulos defensivos para setores cíclicos. A vivacidade desta rotação foi acentuada pelo posicionamento extremo dos investidores, que há muito já tinham abandonado os segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico.

Uma vez que os mercados de ações oferecem frequentemente um rendimento de dividendos mais elevado do que os títulos de dívida pública centrais, o risco de uma forte correção continua a ser baixo, justificando a manutenção de uma exposição às ações construtivas. Todavia, enquanto a eficácia das políticas monetárias está perto de atingir os seus limites, a nossa carteira principal permanece concentrada nos designados títulos de "qualidade máxima" que deverão continuar a apresentar um desempenho superior num contexto estrutural e conjuntural de crescimento fraco. No entanto, como estes títulos já registraram revalorizações consideráveis, continuamos a prestar particular atenção às valorizações. Neste contexto, embora tenhamos cedido grande parte dos nossos títulos para o próspero segmento das "fintechs", que registrou um excelente desempenho no mercado, compramos ações da Square. Esta empresa, do Vale do Silício, é um agente chave no fornecimento de soluções de pagamento para o comércio independente, por exemplo, padarias, floristas, cafés, etc.

Mantemos uma pequena exposição tática aos bancos europeus num espírito de equilíbrio da carteira e no âmbito da preocupação manifestada em setembro pelo Banco Central Europeu de reduzir os custos para este setor derivados da sua política de taxas de juros negativas.

Taxas — Na Europa, o presidente do BCE, Mario Draghi, anunciou a implementação de um conjunto de medidas de flexibilização monetária, incluindo queda das taxas de juros, retomada do programa de compra de ativos, flexibilização das condições das operações de refinanciamento de longo prazo (TLTRO) e introdução de escalões de taxas de juros negativas para os bancos. Nos Estados Unidos, Jerome Powell reduziu as taxas de juros diretoras em 0,25%, mas ainda se recusa a assumir esta redução como o início de um verdadeiro ciclo de flexibilização. Estes anúncios eram bastante esperados, tendo as taxas de juros dos Estados centrais ligeiramente em queda ao longo do mês de setembro, depois de terem atingido valorizações recorde em agosto. Esta consolidação também foi motivada pelas expectativas de um abrandamento das tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos depois dos receios do mês anterior. Neste contexto, reduzimos a nossa sensibilidade às taxas de juros, em particular na Europa, onde atingiram níveis extremos.

Porém, mantemos o nosso posicionamento favorável a um achatamento das curvas e a uma convergência das margens de crédito dos países periféricos, nomeadamente italianas e gregas. Nos Estados Unidos, a Fed continua sob pressão para adotar uma postura mais confortável, a fim de sustentar uma economia interna que apresenta cada vez mais sinais de debilidade e a fim de fazer face às tensões sobre os mercados monetários e a uma economia mundial ainda esmorecida. Deste modo, conservamos uma posição construtiva nos títulos de dívida pública norte-americanos. No mercado de crédito, permanecemos muito seletivos num contexto de valorizações muito elevadas. Mantemo-nos posicionados nas obrigações subordinadas financeiras europeias, que deverão ser sustentadas pela introdução, por parte do BCE, de um sistema de escalões para as taxas de juros negativas. No universo emergente, conservamos uma posição limitada na dívida turca, expressa em uma divisa forte num cenário de inflação mais contida, proporcionando margens de manobra ao Banco Central.

Divisas — Embora a evolução do diferencial das taxas de juros entre os Estados Unidos e a Europa devesse ter constituído um elemento de sustentação para a moeda única, o dólar norte-americano continuou a gerar ganhos face ao euro. Com efeito, a aparente confiança dos membros da Reserva Federal norte-americana quanto ao aspecto transitório da sua predisposição acomodatícia, bem como as surpresas econômicas americanas consideradas pelos investidores mundiais como as que usufruem de uma melhor orientação, constituíram um elemento de sustentação. O dólar norte-americano encontra-se entre duas correntes contrárias: por um lado, a repatriação de capitais dos investidores norte-americanos e a falta de liquidez nos mercados monetários que sustentam a moeda e, por outro, uma valorização elevada e uma evolução ainda desfavorável do duplo déficit norte-americano (deterioração da balança de transações correntes e do déficit público).

Sendo a nossa análise do ciclo norte-americano menos otimista do que aquela que foi realizada pelos membros da Fed e pelos mercados, continuamos a privilegiar uma posição prudente no dólar norte-americano, cobrindo parte da nossa exposição induzida pelos nossos investimentos nos ativos norte-americanos. De igual modo, com a aproximação das eleições, estimamos que os debates relativos a um estímulo orçamental financiado por mais dívida, tão estimado por vários candidatos democratas, poderá renovar os receios dos investidores.

. Por: Didier Saint-Georges - Administrador Executivo e membro do Comitê de Investimento Estratégico.

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