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29/10/2019 - 08:08

Com lenta recuperação econômica e juros baixos, onde investir?

Já em seu nível histórico mais baixo, a Selic provavelmente continuará em queda. Enquanto o Boletim Focus estima que a taxa básica da economia, hoje em 5,5% ao ano, recue a 5% até o final do ano, alguns bancos preveem uma queda ainda maior, indo a 4,5% no encerramento de 2019. Sem pressão inflacionária – na verdade, deflação de 0,04% em setembro, conforme o IBGE – e com lenta recuperação da atividade econômica, não há no cenário interno nada que force a autoridade monetária mudar a tendência. Para boa parte dos investidores, isso força a mudança de hábitos e muita pesquisa para saber onde conseguir algum retorno.

Juros em queda comprometem investimentos em renda fixa, modalidade mais segura, tanto pela previsibilidade do retoro quanto pela garantia. Se sempre foi a preferida dos que são avessos a risco, também acabava atraindo investidores de perfis mais arrojados, por conta de o país, historicamente, ter praticado uma das taxas mais elevadas do mundo. Na expectativa de continuidade da queda da Selic, analistas recomendam os fundos pré-fixados. Estes, porém, já com uma rentabilidade pouco atraente, dispõem de taxas de administração que, conforme estudo da empresa Comdinheiro realizado a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, variam de 3% a 5% ao ano. Apenas investidores qualificados – que dispõem de investimentos superiores a R$ 1 milhão – desfrutam de taxas próximas de 1%.

Em tese, juros baixos beneficiam aplicações em bolsa. Mas retomada do crescimento ainda patina e o mercado acionário sofre também com o cenário político, sem sinalizações claras quanto às reformas, e o panorama externo, marcado hoje pelo embate comercial entre as duas maiores economias e pelo temor de uma recessão global. O Ibovespa, principal índice da B3 acumula, de janeiro a setembro, 19,8% de valorização. Há setores e empresas que apresentam bom desempenho. Porém, ações são investimentos arriscados que demandam alto grau de conhecimento. Tanto os ganhos quanto as perdas podem ser elevados.

Um dos segmentos que mais têm se beneficiado com a queda dos juros é a construção civil. A redução das taxas ofertadas pelos bancos beneficiou tanto a ponta das empresas – que, com capital mais barato, podem ofertar mais unidades a preços mais atraentes – quanto na dos compradores, que dispõem de taxas mais acessíveis para empréstimos de médio e longo prazos. Conforme o Secovi-SP, as vendas de imóveis na capital paulista em julho tiveram uma alta de 113% em relação a igual período de 2018, enquanto que o lançamento de novas unidades registrou alta de 25%.

Nesse cenário, fundos imobiliários têm se destacado. Além da rentabilidade – de até 25% nos últimos doze meses –, têm como atrativos liquidez diária e, no caso dos que têm rendimentos mensais, isenção de imposto de renda – apesar de os ganhos sobre capital na venda das cotas serem tributados em 20%. É uma modalidade indicada para quem tem perfil mais arrojado. Em busca de um bom retorno, o investidor se expõe a riscos, como volatilidade de cotas sujeitas às oscilações do mercado, vacância dos imóveis e inadimplência.

Uma nova alternativa para se investir na construção civil é o crowdfunding imobiliário, modalidade em que se faz aportes diretos em empreendimentos do setor. Há diversas plataformas eletrônicas do gênero no país. Nelas, os projetos são disponibilizados e descritos e o investidor opta pelo projeto que julgar mais viável economicamente. Em geral, as plataformas dispõem de projeções de rendimento. Com aportes a partir de R$ 1 mil feitos via transferência bancária, adquire-se um título de dívida, que dá direito a uma participação no Valor Geral de Vendas do empreendimento.

Dentre as vantagens, figuram a facilidade para se investir, a possibilidade de se escolher o empreendimento (em um fundo, a decisão cabe a gestores) e, conforme as últimas liquidações, a rentabilidade, que chegou a 18,7% ao ano, mais de 300% do CDI atual, no primeiro projeto liquidado.

Trata-se de um investimento de pouca liquidez, já que o cotista deve aguardar os ciclos da construção civil para ter acesso à rentabilidade projetada. Seus principais riscos são o de mercado – fatores que afetem as vendas – e inadimplência da incorporadora.

Para mitigá-los, plataformas como a Urbe.me, que inaugurou o modelo no país em 2015 e já captou R$ 49 milhões em recursos para 30 empreendimentos, selecionam os projetos que ingressam em seu site com base na sua viabilidade econômica, impacto urbanístico, reputação e saúde financeira das empresas. No caso da Urbe.me, que já foi procurada por mais de 500 incorporadoras, o uso desses critérios fez com que menos de 5% dos projetos apresentados fossem disponibilizados aos investidores.

Por envolver diversas cadeias e ser o maior empregador do país, a retomada da construção civil deve gerar reflexos na economia como um todo. Enquanto isso não ocorre, a performance do setor atrai investidores, desde os arrojados até os conservadores, que ganham opções novas opções para diversificar suas aplicações.

. Por: Eduarda Fabris, diretora-executiva da Urbe.me

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