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01/05/2008 - 13:43

Livro sobre Horácio Quiroga será lançado em maio e mostra a fronteira do escritor no processo de transculturação

Dilema sobre a dor e a alegria constituem tema das obras e da história de vida deste autor uruguaio pouco debatido no País.

O contista Horácio Quiroga, um dos maiores escritores uruguaios, será tema de livro cujo lançamento acontece no próximo dia 8 de maio na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Na obra, intitulada "Reverberações da Fronteira em Horácio Quiroga", o contista será analisado pela extensão de sua obra no século XX. A autoria do livro é do professor Wilson Alves-Bezerra, do Departamento de Letras da UFSCar. O lançamento será às 21h, no Restaurante Carlos Botelho (Português), na UFSCar. A proposta do livro é mostrar que, apesar de os contos de Quiroga começarem a ser escritos no final do século XIX, o contista uruguaio pode ser lido a partir de outros autores do século XX. É a essa extensão que Alves-Bezerra trata como fronteira. A obra, que tem, nesta primeira edição, uma tiragem de mil exemplares pela editora Humanitás e apoio da Fapesp, é resultado da dissertação de mestrado defendida em 2005 na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo. Alves-Bezerra se dedica desde 1999 ao estudo de obras do contista uruguaio Quiroga. Ele explica que a crítica literária só vincula o valor da literatura de Quiroga aos escritores do século XIX como Poe, Maupassant e Kipling. Mas, um mergulho em sua obra leva a vinculá-lo a autores do século XX como Julio Cortázar e Juan Carlos Onetti.

Para reavaliar a extensão da obra de Quiroga, o professor da UFSCar irá se utilizar do conceito de transculturação, que tem seu uso advindo da forma empregada por Angel Rama. "Transculturação é uma resposta dos narradores latino-americanos a partir dos anos 50 à cultura européia", explica Wilson. A partir deste conceito ele se detém na categoria de fronteira à análise da obra de Quiroga. "Procurei analisar como a obra de Quiroga se manifesta na fronteira nos aspectos lingüísticos, literários e discursivos", afirma o autor.

Wilson Alves-Bezerra planeja para o final de maio ou primeira quinzena de junho o lançamento do livro em São Paulo. O local já está definido: Finnegans Pub, em Pinheiro. Em 2007, o professor lançou, como tradutor, outros dois livros de Horácio Quiroga: "Contos da Selva", e "Cartas de um Caçador". Há outro livro que deverá sair ainda neste ano com tradução de Wilson: Contos Infantis Juvenis.

Horácio Quiroga nasceu no dia 31 de dezembro de 1878 na cidade de Salto, Uruguai. Publicou o primeiro livro Los Arrecifes do Coral, em 1901, dedicado ao poeta Leopoldo Lugones. A segunda publicação viria em 1904 com o livro "El crime del Otro". Escreveu romance, uma peça de teatro e outros livros. No Brasil há 10 livros publicados do autor desde 1987. Quiroga morreu em 18 de fevereiro de 1937. Vítima de câncer, ele se suicida ao ingerir cianureto.

A tragédia decorrente de suicídio é uma constante durante a vida do contista. Quando tinha três meses, Quiroga perde o pai. Ao voltar de uma caçada, ele acidentalmente se dispara um tiro e morre. Aos 24 anos, Quiroga visita o amigo, o poeta Federico Ferrando, que iria fazer um duelo com Guzman Papini. Quando ensinava o amigo a atirar, a arma dispara e provoca a morte de Federico. Aos 37 anos, em 1915, a sua primeira esposa Ana Maria Cirés se suicida ao tomar uma dose de cianureto após ter tido uma discussão com o marido. Em 1937, Quiroga se suicida. Em 1938, a filha do escritor, Eglé, segue os mesmos passos do pai. O outro filho de Quiroga, Darío, se suicida em 1951. E, em 1988, Maria Elena Quiroga, terceira filha do escritor, aos setenta anos de idade, traça o mesmo fim para sua vida.

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