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14/05/2019 - 09:09

Quantos Conselhos precisamos em uma empresa familiar?


A constituição de um Conselho na empresa é uma grande decisão a ser tomada pela família empresária. Representa um importante passo para o processo de profissionalização da gestão e a construção de uma importante baliza da governança corporativa da sociedade. Além disso, um Conselho integrado pelos sócios pode solidificar a união dos membros da família em torno de seu maior bem patrimonial: a empresa. O Conselho também pode ser o primeiro patamar de ingresso na empresa dos futuros herdeiros. Nele, os jovens vivenciarão pela primeira vez o pulsar estratégico e tático dos negócios e a discussão em torno dos desafios e problemas que se apresentam. Também, no Conselho, os jovens poderão ser observados em relação à sua personalidade, seu interesse e vocação em relação aos negócios. Muitos terão perfil para trabalhar na empresa da família e outros seguirão outros rumos profissionais, mas todos os herdeiros serão sócios no futuro e deverão acompanhar de uma ou outra forma os rumos que as atividades tomarão. Podemos concluir que a formação de um Conselho pela família empresária é algo muito sensato e positivo, não importando o tamanho do negócio.

Não existe um momento exato para se formar um Conselho. Ele deverá ser constituído quando os principais sócios sentirem a necessidade de dar este passo. E isto acontece em momentos diversos da fase de vida dos membros da família empresária. Por vezes os filhos já são adultos e atuam profissionalmente na empresa. Por vezes ainda são menores e assim por diante. Alguns já podem ter uma participação na sociedade e outros não. Cada caso é um caso.

Trabalhando com as famílias, surge inúmeras vezes a pergunta: devemos além do Conselho formar também um Conselho de família? Pessoalmente acho muito interessante que as famílias formem um grêmio para discutir apenas seus assuntos. A pauta pode ser extensa, de discussões sobre formação acadêmica, carreira profissional, evolução do patrimônio familiar, visão estratégica dos negócios, crenças e valores e assim por diante. No caso de termos empresas onde algumas famílias são sócias, cada núcleo familiar deveria ter o seu Conselho. Para que os encontros aconteçam de tempos em tempos uma certa disciplina é necessário. Algumas famílias contratam uma pessoa de fora para coordenar, acompanhar e secretariar as reuniões. A vantagem deste modelo é que assuntos de interesse da família são debatidos em seu âmbito e não nas reuniões de Conselho da empresa, onde somente assuntos empresariais deveriam ser tratados. Dependendo do nível de atribuições do Conselho de família, este poderá ser gradativamente transformado no “ escritório da família “ ou Family Office como é conhecido. Mas é claro que o escritório nunca irá substituir as reuniões entre os membros da família empresária.

Por fim, existe um caso onde apenas um Conselho é suficiente. É quando todos os membros da família estão na gestão dos negócios e reuniões de diretoria e Conselho se sobrepõem ou a figura de um conselheiro independente ou externo ainda não faz parte do conselho. A partir do momento em que uma pessoa de fora participa do Conselho é recomendado que dois conselhos façam parte do organograma, ou seja: um Conselho da empresa e um Conselho da família.

. Por: Thomas Lanz, fundador da Thomas Lanz Consultores Associados, empresa especializada em governança corporativa, gestão de empresas médias e grandes no Brasil.

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