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11/05/2019 - 07:06

Demanda por químicos sobe 2,4% no 1T19, aponta Abiquim

Contudo, o crescimento vem desacelerando e as vendas de produção local são negativas.

São Paulo — A produção de químicos de uso industrial cresceu 1,55% e o consumo aparente nacional (CAN), que mede a produção mais importação menos exportação, teve um crescimento de 2,4%, no 1º trimestre de 2019, em relação ao mesmo período do ano passado, apontam levantamento da Associação Brasileira da Indústria Química – Abiquim.

Já a utilização da capacidade instalada apresentou taxa média de 75% nos três primeiros meses do ano, alta de dois pontos em relação a igual período do ano anterior. No entanto, no mesmo período, as vendas internas tiveram queda de 2,45%.

A diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, explica que a química está presente e tem correlação com praticamente todas as cadeias de produção, seu desempenho é diretamente impactado pelos resultados da atividade econômica nacional, que segundo o último relatório Focus, do Banco Central, aponta para a nona semana consecutiva de recuo nas perspectivas de crescimento do produto interno bruto, previsto agora em 1,7% para este ano.

Segundo Fátima, alguns acontecimentos impactaram a produção e as vendas locais, que poderiam ter tido um desempenho melhor no início do ano. “O setor foi afetado pela confirmação da hibernação das fábricas de fertilizantes da Petrobras, na Bahia e em Sergipe, atribuída à falta de competitividade da matéria-prima principal (gás natural), a elevação do custo de aquisição de gás em vários estados e problemas com fornecimento de energia, sobretudo em decorrência das chuvas que atingiram o País”.

O CAN é uma das variáveis mais importantes para analisar o comportamento da demanda de um determinado segmento, ele também revela como anda a capacidade de competição das empresas instaladas no País em relação às suas congêneres em outras localidades. A indústria química vem perdendo espaço para o produto importado há algum tempo. No período de 1990 a 2018, a taxa anual de crescimento do CAN foi de 3,1%, acima da taxa de crescimento do PIB industrial do País, que foi de 1,6% ao ano, enquanto a taxa de crescimento da produção foi de 1,8% ao ano, a das vendas externas foi de 1,9% ao ano e a das importações 9,3% ao ano, três vezes mais do que o aumento do CAN. “Além de perder espaço para os importados, o segmento também não tem conseguido elevar suas exportações, o que é mais uma prova da perda de dinamismo e da falta de competitividade”, avalia Fátima.

Como resultado desse crescimento acelerado, tem-se que no início dos anos 90, as importações pesavam cerca de 7% de toda a demanda por produtos químicos no mercado nacional, passando a 37% em 2018. Além disso, também houve impacto explosivo no resultado da balança comercial de produtos químicos, que passou de um déficit de US$ 1,5 bilhão no início dos anos 90 para US$ 26,6 bilhões em 2018.

Para a executiva da Abiquim uma das formas de reverter esse cenário atual é na direção da redução dos custos de energia e matéria-prima, que são fundamentais para a química. Nesse sentido, o Programa Novo Mercado de Gás, coordenado pelos Ministérios da Economia e de Minas e Energia, vem sendo aguardado com muita expectativa. “O programa pode trazer à indústria brasileira e ao País como um todo impactos positivos, com a disponibilidade de matéria-prima a custos competitivos com o mercado internacional”, finaliza Fátima.

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