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25/09/2018 - 06:42

A importância do ensino da oncologia

Estamos passando por uma transição demográfica no país, com um rápido envelhecimento da população. Como sabemos, o câncer tem sua maior incidência a partir dos 50 anos, mas não se pode desprezar a informação de que os casos em mais jovens também vêm aumentando. O câncer é a segunda causa de óbito no Brasil, desde 1996, e será a primeira, em 2020, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

A mortalidade cresceu 500% em 60 anos: de 2,5% para 15,4%. Hoje, de cada sete brasileiros que morrem, um é por câncer. A incidência no Brasil é de mais de 600 mil casos novos por ano, mas acredito em números subestimados.

Além disso, hoje se vive mais com câncer. A expectativa de vida do paciente aumentou devido a melhorias no diagnóstico precoce e, sobretudo, do tratamento oncológico. A Organização Mundial da Saúde estima em 21,4 milhões de casos da doença em 2030, com 13,2 milhões de óbitos e 75 milhões de pessoas vivas com câncer no mundo.

É uma doença cosmopolita em ascensão devido a inúmeras causas como sedentarismo, obesidade, tabagismo e alcoolismo, que reflete nossos hábitos de vida, além, é claro, dos contatos que temos com inúmeros agentes carcinogênicos, como vírus (HPV-HVC-HIV), irradiações, entre outros.

No Brasil, 60% dos casos de câncer são diagnosticados como estágio III-IV por deficiência na rede primária (suspeita e encaminhamento) e na rede de média complexidade (diagnóstico). Os problemas levam à maior mortalidade, sofrimento e grande aumento dos custos com o tratamento. Então, fica clara a importância do ensino da oncologia para os profissionais de saúde e de mais informação para a população.

Há incidência crescente, mortalidade em alta, grande número de sobreviventes e mesmo de pessoas com doença em atividades vivas por mais tempo. É uma enfermidade que não é exclusiva do especialista, envolve um grande time inter e multidisciplinar. Por isso, todos devam pensar “é, isso pode ser um câncer”, facilitando o diagnóstico precoce e melhorando a sobrevida e a chance de cura, além de diminuir os custos econômicos e emocionais da doença.

. Por: Bernardino Alves Ferreira Neto, médico do CTO e coordenador do curso de extensão em Oncologia da Faculdade de Medicina de Petrópolis.

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