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24/05/2018 - 07:03

O legado da Copa do Mundo para a saúde

Em menos de um mês, começa a Copa do Mundo na Rússia. O grandioso evento esportivo atrairá a atenção de todo o planeta e, se bem aproveitado, também poderá ser usado como um interessante estímulo para uma vida mais ativa e saudável, principalmente na infância, sem necessariamente impor o modelo competitivo às crianças.

Geralmente, eventos esportivos dessa magnitude são trabalhados na escola, geram mobilização de educadores nas mais diversas disciplinas e, claro, atraem a atenção dos educandos. Entre essas disciplinas, uma que tem total conexão com o Mundial de Futebol e que deveria aproveitá-lo intensamente como ponte de formação e transformação ligada à saúde é a Educação Física. Mas, infelizmente, não é o que acontece. Até porque, nas escolas brasileiras, o tema não recebe merecida atenção.

Para entender melhor a questão, é preciso diferenciar esporte propriamente de Educação Física. Em termos esportivos, vale ressaltar que ainda nos falta um projeto definido para encontrar talentos na base, dentro das instituições de ensino. Aliás, o esporte escolar a que me refiro, existe fora das aulas de Educação Física curricular, onde as crianças interessadas pelos jogos e pela competição possam ali expressar sua energia e vontade de disputar. Porém, a maioria das crianças gostam de atividades com movimento, mas não em uma modalidade com a qual não estão bem desenvolvidos, e muito menos em um ambiente competitivo. A minoria gosta dessa competição e dessa forma, inclusive, são raros os talentos esportivos descobertos no ambiente escolar.

O outro prisma é ligado à essência da Educação Física e seu fator não competitivo, mas esclarecedor acerca da importância de se levar uma vida ativa para manter-se saudável. E nesse quesito, o Brasil também está muito aquém.

Dentro das aulas de Educação Física curricular, ainda temos muitos professores que, mesmo sem ter em mente aquele lado esportivo, mantêm situações competitivas, onde os bons em termos de habilidade e de genética possam se sobressair sobre os menos avantajados, provocando justamente o efeito contrário da essência da disciplina: jovens desestimulados a um estilo de vida ativo e saudável, por vezes até traumatizados com qualquer prática de atividade física.

Fazer o jovem vivenciar os movimentos em diversas situações e não apenas nas derivadas de modalidades esportivas, depois de terem entendido os conceitos sobre o funcionamento do corpo dentro e fora do exercício, de modo que entenda e tente descobrir qual gosta mais, compreendendo o que é necessário fazer para que se consiga melhorar uma habilidade que goste e quando quiser se desenvolver de maneira inteligente, poder praticá-la sem pensar em comparação com o melhor ou com o pior, mas fazê-la com prazer, em situações de cooperação, de maneira regular, é essencial para que ele fuja do sedentarismo e seja um adulto ativo.

Para isso acontecer, é fundamental que os profissionais de Educação Física entendam a sua real importância como agente transformador e compartilhem toda a sua bagagem e conhecimento profissional, aproveitando a Copa do Mundo para destacar como a prática regular de uma atividade física, qualquer que seja ela, faz total diferença para a manutenção da saúde. Essa é uma excelente oportunidade de abordar esse grandioso evento esportivo, não pelo seu lado competitivo, mas pelo lado inclusivo que ele e a disciplina carregam.

. Por: Cristiano Parente, professor e coach de educação física, eleito em 2014 o melhor personal trainer do mundo em concurso internacional promovido pela Life Fitness. É CEO da Koatch Academia, do World Top Trainers Certification, primeira certificação mundial para a atividade de educador físico.

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