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16/09/2017 - 07:48

Crianças-soldado no Congo recomeçam a vida com a ajuda de capoeiristas brasileiros


A República Democrática do Congo terá no dia 27 de setembro (quarta-feira), o primeiro batizado e graduação do Capoeira pela Paz (Capoeira por la Paix). O programa usa a capoeira para a ressocialização de crianças que foram feitas de soldados por grupos armados no país africano. A iniciativa da Embaixada do Brasil e da Unicef, com apoio da fundação Amada Mondiale e do Canadá, foi inspirada pelo Gingando pela Paz, criado pelo Viva Rio e posto em prática no Haiti desde 2008. No Congo, o programa atendeu mais de quatro mil crianças desde 2014, e 350 delas passarão por esse primeiro batizado.

O mestre de capoeira Flavio Saudade, idealizador do Gingando pela Paz, participou desde o início também no projeto no Congo. O brasileira de São Gonçalo começou sua trajetória como aluno de um projeto social do Viva Rio, coordenou o projeto no Haiti e hoje trabalha no país da África Central, ajudando a implementar a base técnico-pedagógica do programa para as crianças e jovens, em grande parte egressos de gangues ultra violentas.

“A capoeira contribui diretamente para a recuperação dos laços afetivos, que normalmente são comprometidos após a associação da criança a um grupo armado. É comum o encontro de meninos que pertenciam a grupos rivais, e o que vemos é que a capoeira oferece um espaço de integração onde eles podem desenvolver as suas capacidades para resolução de conflito de forma pacífica. As crianças dizem que na capoeira elas aprendem a perdoar e a fazer amigos“, diz Flavio Saudade.

O batizado marca o nascimento do praticante para o mundo da capoeira. No programa ele é especialmente importante porque representa também um recomeço para crianças com histórias de vida marcadas pela violência. “No momento do batismo o passado restará como aprendizado e o futuro será o caminho a percorrer. É uma das etapas para pôr fim ao estigma que essa criança carregou até então. A própria criança tem um novo olhar sobre ela mesma e, por conseguinte, a comunidade também. Eles recebem um novo nome e iniciam a formação para se tornarem líderes e defensores da paz”, afirma Saudade.

O programa no Congo funciona na cidade de Gama, em dois Centros de Trânsito e Orientação, locais que acolhem as crianças. Lá elas recebem acompanhamento psicológico e participam de atividades além da capoeira, como aulas de artesanato, música e idiomas. O Capoeira pela Paz também atua em um hospital para crianças e adolescentes vulneráveis, como portadores de HIV, órfãos, em situação de rua, vítimas de violência sexual, com necessidades especiais, e crianças da comunidade.

“A capoeira tem atuado com eficácia na redução dos traumas. Entre as meninas, verificamos um considerável aumento da autoestima. Elas dizem ter encontrado na capoeira uma forma de voltar a gostar de si mesmas. Uma adolescente relatou que pensava em se suicidar, mas que com a capoeira ela conseguiu reencontrar a vontade de viver. Quer estudar e se tornar mestra de capoeira. E é muito comum recebermos adolescentes com filhos”, conta Saudade, que acredita que a capoeira é cada vez mais reconhecida mundialmente como solução inovadora e eficiente no acolhimento de crianças vítimas de conflito armado ou em zonas de emergência humanitária.

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